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Presidente dos EUA, Donald Trump. — Foto: Nathan Howard/Reuters
Presidente dos EUA, Donald Trump. — Foto: Nathan Howard/Reuters
Mais de 53,6 milhões de americanos já votaram antecipadamente nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que acontecem nesta terça-feira (3). O número, divulgado neste domingo (1º) pelo Election Lab da Universidade da Flórida, já supera os cerca de 46 milhões de votos antecipados registrados em todo o processo eleitoral de 2022.
A votação antecipada presencial chegou ao fim neste domingo em estados como Nova York, encerrando uma etapa marcada por recordes de participação em diversas regiões do país. Os prazos variam entre os estados, e os votos enviados pelo correio ainda podem elevar o total nacional.
Dos votos registrados até o meio-dia de domingo, aproximadamente 29,8 milhões foram presenciais e 23,9 milhões foram enviados pelo correio.
A mobilização é especialmente expressiva em estados que concentram disputas competitivas pelo Senado. No Texas, mais de sete milhões de eleitores já haviam votado antecipadamente, enquanto a Geórgia e a Carolina do Norte também registraram forte participação.
O aumento do comparecimento ocorre em meio à impopularidade do presidente Donald Trump, que intensificou sua participação na campanha para tentar preservar a maioria republicana no Congresso. Embora não esteja na cédula, o presidente transformou as eleições em um teste para os dois primeiros anos de seu segundo mandato.
Em jogo estão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 vagas no Senado e diversos governos estaduais. O resultado determinará o equilíbrio de forças em Washington nos próximos dois anos.
Trump intensifica campanha e aposta na mobilização republicana O presidente intensificou sua participação na campanha neste fim de semana, com comícios em Iowa e Kansas, estados tradicionalmente republicanos onde as disputas pelo Senado ganharam atenção nacional.
Em Iowa, Trump discursou por mais de duas horas e pediu votos para Ashley Hinson, candidata republicana ao Senado, e Zach Lahn, que disputa o governo estadual.
O presidente também fez referência à vitória do time de futebol americano da Universidade de Iowa sobre Wisconsin, no sábado, para transmitir confiança sobre o resultado eleitoral.
“Mas vamos ter uma vitória muito maior na terça-feira”, afirmou Trump.
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A estratégia não depende apenas de comícios presenciais. O presidente também aposta em uma maratona de comícios virtuais, os chamados tele-rallies, em que fala diretamente com eleitores por telefone.
Só nesta segunda-feira (2), véspera da eleição, estão previstos nove eventos desse tipo, entre o fim da manhã e a noite.
Trump também reservou um momento simbólico para a fase final da campanha. Às duas da tarde desta segunda-feira, no horário de Washington, o presidente tem um discurso previsto no espelho d’água em frente ao Memorial Lincoln, na capital americana.
Embora não esteja na cédula, Trump tem tratado essas eleições como uma disputa decisiva para a continuidade de sua agenda política e a manutenção do controle republicano do Congresso.
O otimismo mostrado nos discursos do presidente, entretanto, contrasta com os índices de aprovação de seu governo. Segundo pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro, apenas 32% dos adultos americanos aprovam o desempenho de Trump, índice próximo do menor patamar registrado durante seu segundo mandato.
Entre os eleitores registrados, 47% declararam preferência por candidatos democratas ao Congresso, contra 36% que disseram apoiar os republicanos.
A economia é uma das principais preocupações do eleitorado. Segundo o mesmo levantamento, 73% dos entrevistados consideram que o custo de vida está caminhando na direção errada, em um contexto de inflação e aumento dos preços dos combustíveis após o início da guerra com o Irã.
A pesquisa também identificou maior entusiasmo entre os democratas para comparecer às urnas: 46% dos eleitores do partido disseram estar muito motivados para votar, contra 30% dos republicanos.
Michigan expõe divisão entre democratas e provoca ataques de Trump a candidato muçulmano Uma das maiores surpresas da reta final aconteceu em Michigan, estado que Trump venceu nas eleições presidenciais de 2024 e que agora concentra uma das disputas mais importantes pelo controle do Senado.
A deputada democrata Haley Stevens, derrotada nas primárias do partido por Abdul El-Sayed, anunciou neste domingo (1º) apoio ao republicano Mike Rogers, adversário de El-Sayed.
“Estou apoiando Mike Rogers para o Senado dos Estados Unidos”, declarou Stevens em um vídeo publicado nas redes sociais, depois de participar de uma cerimônia religiosa ao lado do candidato republicano em Detroit.
A decisão representa uma ruptura incomum dentro do Partido Democrata a apenas dois dias da votação.
O conflito entre Stevens e El-Sayed está relacionado principalmente às divergências sobre Israel e a guerra em Gaza. El-Sayed, americano de origem egípcia e muçulmano, acusa Israel de cometer genocídio contra os palestinos e critica o financiamento militar americano ao país.
Stevens, por sua vez, condenou uma propaganda produzida por um grupo independente que associava o apoio dos Estados Unidos a Israel ao aumento do custo de vida. El-Sayed afirmou que não participou da produção do anúncio e que discordava de seu conteúdo.
A deputada também criticou a presença do comentarista político Hasan Piker em eventos de campanha de El-Sayed. A tensão levou a equipe do candidato democrata a retirar o convite para que Stevens participasse de atividades conjuntas nos últimos dias da campanha.
“Temos que defender nosso país. Não podemos apoiar o ódio. Não podemos apoiar Hasan Piker”, declarou Stevens ao justificar sua decisão.
O anúncio provocou uma reação imediata entre lideranças democratas. O presidente do Partido Democrata em Michigan, Curtis Hertel, acusou Stevens de abandonar os princípios que dizia defender. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, classificou o apoio ao republicano como uma traição.
El-Sayed procurou minimizar a controvérsia e direcionar a atenção para as propostas de sua campanha.
“No fim das contas, eu realmente não penso em Haley Stevens. Penso nos outros 9.999.998 habitantes de Michigan”, declarou o candidato, acrescentando que estava mais interessado nas políticas públicas do que nas disputas partidárias.
Trump, por outro lado, comemorou a decisão da deputada. O presidente a chamou de corajosa e afirmou que gostaria de vê-la no Partido Republicano.
Durante o comício em Iowa, também aproveitou para atacar El-Sayed, associando o candidato muçulmano a grupos extremistas.
“O que este país precisa é de um pouco de torta de maçã. Não precisamos dos comunistas, dos jihadistas, da Irmandade Muçulmana. Precisamos de torta de maçã”, declarou Trump, usando um símbolo tradicional da cultura americana para elogiar o republicano Mike Rogers.
O presidente também insinuou que, caso El-Sayed seja eleito, precisaria passar por detectores de metal para assumir sua cadeira no Senado. Trump não apresentou evidências de qualquer ligação do candidato democrata com organizações extremistas. As acusações foram denunciadas como racistas e islamofóbicas por lideranças democratas.
Michigan é estratégico para o controle do Senado. Os democratas tentam manter a cadeira atualmente ocupada por Gary Peters, que está se aposentando.
Se eleito, El-Sayed se tornará o primeiro senador muçulmano da história dos Estados Unidos.
Republicanos apostam em Trump; democratas tentam conquistar eleitores insatisfeitos A estratégia republicana às vésperas da eleição combina a mobilização da base conservadora com tentativas de conquistar eleitores independentes, especialmente por meio de discursos sobre imigração, segurança e economia.
O presidente do Comitê Nacional Republicano (RNC), Joe Gruters, destacou a participação de Trump e do vice-presidente JD Vance como parte dos esforços para ampliar o alcance eleitoral do partido. Em entrevista à Newsmax, Gruters também apontou a maior capacidade de financiamento das campanhas republicanas como um fator importante para a estratégia eleitoral.
Já os democratas procuram transformar a insatisfação com o governo em votos, concentrando suas mensagens no custo de vida, nas tarifas comerciais e nas políticas econômicas da Casa Branca.
Alguns candidatos, porém, adotaram uma estratégia diferente: evitar confrontos diretos com Trump e buscar aproximação com eleitores de diferentes orientações políticas.
É o caso de Rob Sand, candidato democrata ao governo de Iowa, estado que votou majoritariamente no republicano em 2024.
Sand critica a polarização política e descreve os dois grandes partidos americanos como clubes privados. Nos comícios, costuma perguntar quem é republicano e quem é democrata na plateia e convida os eleitores a cantar juntos “America the Beautiful”, uma música patriótica que também está entre as favoritas de Trump.
A estratégia procura apresentar uma alternativa ao confronto partidário tradicional, em um estado onde os democratas não conquistam uma eleição estadual de grande expressão há quase duas décadas.
Latinos e asiático-americanos podem alterar o equilíbrio eleitoral Outro fator acompanhado com atenção pelos dois partidos é o comportamento dos eleitores latinos e de origem asiática, comunidades que ampliaram apoio a Trump nas eleições presidenciais de 2024.
Dois anos depois, pesquisas indicam sinais de afastamento de parte desse eleitorado.
Segundo levantamento do Pew Research Center realizado entre o fim de setembro e o início de outubro, 51% dos eleitores latinos registrados preferem candidatos democratas à Câmara dos Representantes, contra 24% que apoiam os republicanos. Outros 18% ainda não haviam decidido em quem votar.
Entre os eleitores americanos de origem asiática entrevistados, 56% declararam preferência pelos democratas, contra 16% pelos republicanos.
A política migratória aparece entre os fatores de insatisfação. Segundo o Pew, 62% dos eleitores latinos registrados consideram que o governo Trump está indo longe demais nas deportações.
A avaliação, entretanto, está longe de ser unânime. Entre os latinos que apoiam candidatos republicanos ao Congresso, 47% consideram que o governo está adotando a intensidade adequada nas deportações, enquanto 33% defendem medidas ainda mais rigorosas.
O custo de vida também pesa sobre as escolhas eleitorais, especialmente diante do aumento dos preços dos combustíveis após o início da guerra com o Irã.
Os dados sugerem que a aproximação dessas comunidades com os republicanos em 2024 não representou necessariamente uma mudança permanente de alinhamento político. Também não significam que todos os eleitores insatisfeitos estejam migrando para os democratas: parte deles pode optar pela abstenção ou permanecer indecisa.
Em distritos onde as disputas são decididas por margens pequenas, mudanças na participação desses grupos podem ter impacto importante.
Mais do que uma disputa sobre a popularidade de Donald Trump, as eleições de terça-feira vão determinar se os republicanos conseguirão preservar o controle do Congresso ou se os democratas terão condições de ampliar a fiscalização sobre a Casa Branca e impor novos limites à agenda presidencial.
O resultado também oferecerá um primeiro retrato nacional da reação do eleitorado aos dois primeiros anos do segundo mandato de Trump.
Fonte: G1.
