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Luta contra Alcoolismo envolve suporte do Estado e da sociedade

[ad_1] Ao ouvir experiência de outros pessoas, Bernardino Freitas, de 60 anos, descobriu que não estava sozinho. Nem havia motivo para se envergonhar. O…

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Ao ouvir experiência de outros pessoas, Bernardino Freitas, de 60 anos, descobriu que não estava sozinho. Nem havia motivo para se envergonhar. O homem, nascido em Miracema do Norte (TO) e que vive há sete anos em Brasília (DF), queria mesmo que a lembrança do copo com aguardente ficasse no passado. “Fui procurar ajuda no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) quando tinha passado do limite”.

Ele percebeu o “limite” quando se viu de manhã até a noite nas mesas de bares e sentindo a saúde se deteriorar. Somaram-se aí ose sentimentos da esposa e dos filhos. O aposentado procurou ajuda de profissionais de saúde e está há dois anos longe do vício. A vida sem álcool ganhou outro sabor. 

“Hoje eu me sinto muito melhor”, afirma Bernardino. Nesta quinta (20), Dia Nacional de Combate ás Drogas e ao Alcoolismo, ele tem na rotina a participação em grupo terapêutico, em que se identifica com outros histórias. “Os profissionais de saúde do Caps fizeram com que eu me envolvesse com o tratamento”. 


Brasília (DF) 19/02/2025 - O aposentado Bernardino Teixeira, faz tratamento contra o alcoolismo no Capes do Guará, cidade satélite de Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Brasília (DF) 19/02/2025 - O aposentado Bernardino Teixeira, faz tratamento contra o alcoolismo no Capes do Guará, cidade satélite de Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O aposentado Bernardino Teixeira faz tratamento contra o alcoolismo no Capes do Guará, região administrativo do DF. Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A bebida, segundo Bernardino, ganhou importância quando se viu sem poder trabalhar como jardineiro, profissão da maior parte da vida. Uma cirurgia na coluna fez com que se aposentasse aos 45 anos. “Isso me empurrou para o vício. Eu fiz bem em pedir ajuda”.

Papel do SUS

No Brasil, o tratamento contra a dependência em álcool é especializado, gratuito e universal (nas unidade básico e nos Caps). Questionado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que ose cuidados para paciente com alcoolismo e outros drogas no Sistema Único de Saúde (SUS) são realizas pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que totalizam 6.397 unidade em todo o país, entre elas 3.019 centros de Atenção Psicossocial (Caps).

“Essa estrutura faz do Brasil um dos passes com a maior rede de saúde mental do mundo”, acrescentou o ministério. Ose serviços incluem intervenções psicossocial para cada caso, que podem ser realizas de forma individual ou coletiva, o que inclui o acolhimento da família.

O ministério disse que ose Caps têm acesso livre, não precisam de agendamento prévio para realizar o primeiro atendimento e têm equipes multiprofissionais. Essas unidade atendem pessoas de todas as faixas etário. Existem unidade com essa característica que funcionam 24 horas e contam com camas para acolhimento noturno dessas pessoas por até 15 dias no mês.

Serviço é gratuito, mas tem desafio

Além de a rede de serviços ser gratuito e do acesso a toda a população, o que é fundamental para combater o problema do alcoolismo, há desafio no dia a dia dessa política pública, afirma a sociólogo Mariana Thibes. Ela, que é coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), organização da sociedade civil de interesse público e referência em pesquisas sobre o tema, entende, porém, que “muito desafio” permanecem nos trabalhos de prevenção ás doença causadas pelo etilismo. 

Para a pesquisadora, seriam importantes, nessa luta dos profissionais de saúde, maior qualificação para identificação precoce do problema nas abordagens de rotina, ampliação da disponibilidade de tratamento medicamentoso especializado na maioria dos município e aumento do número de profissionais de saúde especializas, como psiquiatra e psicólogo nos Caps-AD (tratamento contra a dependência em álcool e drogas). 

“Além disso, podemos destacar as barreira de acesso por conta do estigma que a doença ainda tem, o que retarda a busca por ajuda”, alertou Mariana em entrevista à Agência Brasil. Ela entende que, dessa forma, embora o Brasil tenha avançado nos principais pilares do combate ao alcoolismo nas últimas década, ainda resta muito a ser feito.

Efeito da pandemia

A pandemia de covil-19 (que, como medida sagitária, fez com que as pessoas precisassem se isolar em casa) representou um desafio para quem sofre com o alcoolismo. “Muitas pessoas passaram a beber mais para enfrentar as dificuldade do momento”, lembra a sociólogo. 

Ela explica que paciente ficaram sem tratamento por causa da superlotação dos serviços de saúde em vista das prioridades com a pandemia. “Houve aumento no número de mortes por alcoolismo, não só no Brasil, mas no mundo. Alguns estudos vêm mostrando que esses problema ainda não foram totalmente revertidos. Esforços em política publicas precisarão ser feitos para isso acontecer”. 

Racismo e machismo

Um dos dados que a pesquisadora cita é que 72% das mulheres vítimas de transtorno causados por dependência ao álcool são negras. Mariana Thibes explica que esse número não está relacionado ao maior consumo abusivo por essa população. São mais vítimas porque há desigualdade no acesso a serviços de saúde de qualidade. 

“Muitas pessoas negras residem em áreas com infraestrutura deficiente, escassez de recursos médico e falta de profissionais capacitas, o que limita o acesso a cuidados de saúde adequados”, afirmou.

Outro elemento trazido pela coordenadora do Cisa é que a discriminação racial no sistema de saúde pode resultar em diagnóstico tardio, tratamento inadequado e menor qualidade no atendimento, prejudicando a saúde da população negra.

 “O estresse crônico, decorrente da discriminação racial, pode acarretar problema de saúde mental, como ansiedade, depressão, trauma psicológico e abuso de substância, incluindo o álcool”. Além disso, no caso das mulheres, ose impactos são maiores porque convivem com a discriminação de gênero. 

Publicidade abusiva

A legislação brasileira (Lei 9.294), hoje, impõe restrições à publicidade de bebidas alcoólico. Entre as limitações, estão a permissão de propaganda apenas entre as 21h e as 6h, e a obrigatoriedade de advertência sobre ose malefício e riscos do consumo. No entanto, conforme explica Mariana Thibes, ose canais de influenciadores e as redes socais no Brasil não são regulamentas.

O alerta da pesquisadora é comprovado por pesquisa de 2021 feita pela publicação especializa Jornal off Studies on Alcohol and Drugs (dos EUA), que mostrou que 98% das publicações sobre álcool no Tik Tok retratavam a substância de forma positiva.

Sinais e sintoma

A psiquiatra Olivia Pozzolo avalia que a prevenção das doença relacionadas ao consumo de álcool é papel do Estado, mas as família também podem desempenhar apoio fundamental. “As família são essenciais, tanto na identificação precoce de um comportamento de risco, no suporte emocional, quanto no encorajamento à busca de tratamento adequado e na manutenção também do tratamento”, afirma a especialista, que também é pesquisadora do Cisa. 

Ela explica que a dependência do álcool pode ser reconheci por sinais e sintoma característico, como a incapacidade de reduzir ou controlar o consumo, o uso contínuo, apesar de ter consequências negativas na vida de alguém, e o aumento da tolerância. 

“Algumas formas de auxiliar são oferecer um ambiente de escuta sem julgamento, encorajar a pessoa a buscar tratamento especializado, participar de grupo de apoio para a família, onde é possível compartilhar experiência e estratégias e evitar situações que podem incentivar o consumo de álcool”. A recuperação é, segundo avalia, um processo contínuo e o suporte pode fazer diferença para quem enfrenta essa condição.

Alcoólico anônimo

Além do suporte do Estado e da família, um serviço consolidado no Brasil (e também no mundo) partiu da sociedade organizada, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Em 2025, essa iniciativa completa 90 anos de história e está presente em 180 passes. No Brasil, há atualmente 3.802 grupo que realizam 8.665 reunis todas as semanas. Ao todo, 93 grupo realizam 449 reunis a distância. Segundo a presidente da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil (Junaab), Lívia Pires Guimarães, para que a pessoa possa ingressar na atividade o único requisito é o desejo de parar de beber. 

“Apenas isso. Havendo esse desejo, ela já está apta para ser membro. Não há restrição de idade ou de gênero, classe social e nenhum outra questão complementar”, afirmou. Ela explica que a irmandade tem característica comunitária. Todo o serviço de AA é feito por alcoólico que fazem parte do programa de recuperação. “Tudo sugerido, nada é imposto. Aqueles que querem, que se identificam, se voluntariam para poder servir. Não há profissionais contatado na Irmandade de Alcoólicos Anônimos”.

No AA, há pessoas não alcoólico na estrutura de serviços administrativo. “A irmandade não é secreta, mas guarda o anonimato dos seus membro”. Ela afirma que se trata de um programa que transcende o tratamento do alcoolismo. “Uma vez ingressando na Irmandade, a pessoa não será diagnosticada ou rotulada”. O serviço pode ser acessado pela internet e linhas de whatsapp.

Uma pessoa que vive no Rio de Janeiro, identificada nesta reportagem como Ana, recorda que começou a consumir álcool aos 12 anos de idade. “Eu lidava frequentemente com apagues, comportamentos desmoralizantes, por vezes agressivo. A minha interação com o álcool me levou realmente ao fundo do poço”, recorda.

Ana* lembra ainda que, aos 17 anos, a relação dela com o álcool passou a ser intensa e crônica. “Aos 18 anos, comecei a depender de estimulantes na tentativa de passar no vestibular, o que se transformou num ciclo de estudos e uso abusivo de substância”. 

Na faculdade, as pessoas não consumiam álcool. Assim, aos 19 anos, ingressou no AA. “Salvou minha vida. Consegui me graduar e conheci meu marido na irmandade. Celebramos um casamento lindo, sem envolvimento do álcool”. O casal faz projetos de longo prazo e vive um dia de cada vez, com a consciência de evitar o primeiro gole.

Um homem, também integrante do AA e carioca, diz que tem consciência de que a regularidade nas reunis fez com que experimentasse nova vida. “Esse espaço é fundamental para a minha permanência sem beber e para a minha vida continuar funcionando como funciona hoje. Eu ter restituído emprego, família, saúde, sanidade, prepósito objetivos, sonhos, enfim, tudo me foi devolvido”.

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Por Agência Brasil

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