1 de 4
Luiza Brunet — Foto: Reprodução/Instagram
Luiza Brunet — Foto: Reprodução/Instagram
Luiza Brunet, 64 anos, afirmou que não ficou satisfeita com a indenização que Lirio Parisotto terá de pagar a ela referente ao caso de violência doméstica, ocorrido em 2016. A Justiça de São Paulo condenou o empresário a pagar R$ 150 mil após agredir a modelo durante passagem do então casal a Nova York (EUA).
Em entrevista exclusiva ao g1, Brunet disse que o valor representa pouco diante da realidade financeira de Lirio e questionou a eficácia de uma condenação que, segundo ela, praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou a violência.
“Não é uma vitória. Depois de tantos anos, mais precisamente 10, finalmente saiu a sentença que condenou meu agressor a me indenizar pelos danos morais que me causou”, afirmou Luiza.
A modelo reconheceu que a Justiça identificou a violência sofrida, mas ponderou que o reconhecimento do dano não significa, necessariamente, uma reparação justa.
“A indenização foi fixada em R$ 150 mil. Sei que é um valor expressivo para a imensa maioria dos brasileiros. Mas também sei que, diante da realidade financeira de quem me agrediu, representa muito pouco”.
Para Luiza, o valor da indenização precisa levar em conta não apenas a gravidade da agressão e os danos causados à vítima, mas também a capacidade econômica do condenado. Ela argumentou que, quando a quantia é pequena em comparação com o patrimônio do agressor, a condenação pode perder parte de seu efeito como instrumento de responsabilização e prevenção.
“Qual é a eficácia de uma condenação que praticamente não afeta o patrimônio de quem praticou uma violência tão grave?”, questionou.
Modelo diz que dinheiro não apaga violência
2 de 4
Justiça de SP condena Lírio Parisotto a pagar R$ 150 mil a Luiza Brunet por agressão em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram
Justiça de SP condena Lírio Parisotto a pagar R$ 150 mil a Luiza Brunet por agressão em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram
Luiza Brunet ressaltou que a discussão não significa atribuir um preço à dor provocada pela violência. Segundo ela, nenhum valor financeiro é capaz de apagar uma agressão ou reparar completamente as consequências físicas e emocionais deixadas pelo episódio.
“Não se trata de colocar preço na dor. Nenhum dinheiro apaga uma agressão, devolve a tranquilidade perdida ou repara integralmente as marcas físicas e emocionais deixadas pela violência”, afirmou.
A modelo também relatou que, durante os 10 anos de trajetória judicial, enfrentou as consequências das agressões, a exposição pública, ataques à sua imagem e o desgaste de um processo que, segundo ela, parecia não ter fim.
Apesar disso, disse ter transformado parte da experiência em uma atuação voltada à defesa dos direitos das mulheres.
“Passei a dedicar minha voz, meu trabalho e minha visibilidade à defesa dos direitos das mulheres. Encontrei, na minha própria história, uma razão ainda maior para lutar por tantas outras”, declarou.
3 de 4
Luiza Brunet expôs nas redes sociais fotos do seu rosto machucado após agressão de Lirio Parisotto, em 2016 — Foto: TV Globo
Luiza Brunet expôs nas redes sociais fotos do seu rosto machucado após agressão de Lirio Parisotto, em 2016 — Foto: TV Globo
Luiza defende mudanças nos critérios de indenização
Ao comentar a decisão, Luiza afirmou que o encerramento de mais uma etapa judicial não significa que as consequências da violência tenham sido apagadas. Para ela, o caso também evidencia a necessidade de discutir a efetividade das punições aplicadas aos agressores.
“Precisamos discutir a efetividade das penas aplicadas aos agressores e a necessidade de critérios de indenização que considerem não apenas a gravidade da violência e a extensão dos danos, mas também a realidade econômica de quem os causou”, disse.
A modelo defendeu que as condenações tenham consequências concretas para quem pratica violência contra mulheres e que as vítimas não precisem enfrentar anos de disputa judicial para obter reconhecimento e reparação.
“Porque uma condenação que pesa profundamente na vida de uma vítima não pode ser apenas uma despesa irrelevante na vida de seu agressor”, afirmou.
Ao concluir a declaração, Luiza reforçou que a sentença representa apenas mais uma etapa de uma trajetória marcada, segundo ela, por coragem, resistência e perseverança.
“A violência contra a mulher precisa ter consequências reais. E nenhuma mulher deveria precisar lutar por tantos anos para ser ouvida, respeitada e reparada”.
A Justiça de São Paulo condenou o empresário Lírio Albino Parisotto a pagar R$ 150 mil em indenização por danos morais à modelo Luiza Brunet pelas agressões cometidas em 22 de maio de 2016, em Nova York, nos Estados Unidos. A sentença foi assinada em 8 de outubro de 2026, pela 36ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo.
Na decisão, o juiz reconheceu a gravidade da violência sofrida pela modelo, que teve quatro costelas fraturadas, além de hematomas no corpo e no rosto. O valor da indenização será acrescido de juros desde a data da agressão e de atualização monetária, conforme os critérios estabelecidos na sentença.
A Justiça, porém, rejeitou os pedidos de indenização por danos materiais e lucros cessantes, relacionados a supostas perdas financeiras e profissionais decorrentes do episódio. Segundo o magistrado, não foram apresentadas provas suficientes para estabelecer uma relação direta entre a agressão e os prejuízos alegados.
A decisão foi proferida em uma ação de liquidação de sentença, etapa em que a Justiça estabelece o valor a ser pago após o reconhecimento do dever de indenizar. Ainda cabe recurso.
4 de 4
Justiça de SP condena Lírio Parisotto a pagar R$ 150 mil a Luiza Brunet por agressão em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram
Justiça de SP condena Lírio Parisotto a pagar R$ 150 mil a Luiza Brunet por agressão em Nova York — Foto: Reprodução/Instagram
Juiz destaca gravidade das agressões
Ao determinar o pagamento de R$ 150 mil, o magistrado considerou a gravidade das lesões físicas e o sofrimento provocado pela violência. De acordo com a sentença, os documentos do processo criminal que já transitou em julgado demonstraram que Luiza sofreu golpes que provocaram fraturas na sétima, oitava, nona e décima costelas.
A decisão também aponta que a intensidade da dor foi tão forte que a modelo perdeu involuntariamente o controle corporal e urinou nas próprias roupas.
Segundo o processo, Luiza precisou fazer uma viagem internacional de avião em condições físicas precárias e sob forte abalo emocional. Ela utilizou analgésicos para suportar a dor até retornar ao Brasil.
O juiz também levou em conta a repercussão pública do caso, que, segundo ele, ampliou os efeitos da violência sobre a vida pessoal da modelo.
A defesa de Parisotto argumentou que Luiza teria se exposto voluntariamente ao público ao atuar na conscientização sobre a violência de gênero. O magistrado rejeitou o argumento e afirmou que a atuação da modelo na defesa dos direitos das mulheres não elimina o direito à reparação pelo que sofreu.
Na avaliação do juiz, a participação pública de Luiza nessa causa representa um exercício legítimo de cidadania e uma forma de ressignificar o trauma, e não uma renúncia ao direito de ser indenizada.
Justiça não reconheceu prejuízos financeiros
Luiza também pediu indenização por danos materiais e lucros cessantes, que correspondem aos ganhos que uma pessoa deixa de receber em razão de determinado acontecimento.
Entre os prejuízos alegados estavam a redução de trabalhos publicitários, o encerramento de um contrato com a Avon e a perda de uma campanha com a joalheria Miranda Castro, de Brasília, cujo cachê seria de aproximadamente R$ 1 milhão.
O juiz, no entanto, considerou que as provas apresentadas não permitiam confirmar os valores nem demonstrar que as perdas profissionais decorreram diretamente da agressão.
Fonte: G1.
