Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25). Aos 80 anos, Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e conquistou seu quarto mandato, um feito inédito na história do Brasil. É uma vitória celebrada por quem ocupou as ruas, movimentou as redes e se uniu em defesa da democracia nas últimas semanas.
Com 99,79% das seções apuradas, Lula somava mais de 64 milhões de votos, o equivalente a 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou matematicamente a reeleição antes do encerramento da contagem.
Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu virar a disputa presidencial. Em 4 de outubro, Flávio havia recebido 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos deixou o petista atrás nas urnas e deu confiança à campanha bolsonarista, que também liderava as pesquisas na reta final.
Nas semanas seguintes, estudantes, trabalhadores, artistas, movimentos sociais e coletivos culturais organizaram manifestações pelo país. A campanha ganhou o apoio de diferentes gerações, de militantes históricos do PT a jovens que se mobilizaram pela primeira vez em uma eleição presidencial.
Nas redes sociais, artistas como Anitta, Ivete Sangalo, Pabllo Vittar e Ludmilla declararam apoio ao presidente. Influenciadores e comunidades de fãs também participaram da mobilização. O canal de WhatsApp Exército de Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), ultrapassou 10 milhões de seguidores e se tornou uma das principais ferramentas da campanha digital.
No sábado (24), véspera da votação, Lula participou de dois grandes atos. Pela manhã, percorreu a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, cercado por apoiadores. À tarde, esteve na Avenida Paulista, em São Paulo, onde uma multidão ocupou cerca de 12 quarteirões. Com a Constituição em uma das mãos e a bandeira do Brasil na outra, o presidente cantou o Hino Nacional diante do público.
A Mídia NINJA acompanhou as manifestações, com imagens do ato em Copacabana e registros da caminhada na Avenida Paulista.
Em São Paulo, Lula agradeceu a participação popular e destacou a organização dos atos. “Não tem partido organizando, é o povo que está organizando”, afirmou. O presidente comparou a mobilização à campanha de 1989, quando disputou a Presidência pela primeira vez.
Durante o segundo turno, Lula também defendeu a continuidade das políticas de combate à fome, a valorização do salário mínimo e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da educação pública. Entre as propostas apresentadas para o próximo mandato estão o fim da escala de trabalho 6×1 e a ampliação do Pé-de-Meia para estudantes universitários.
O domingo de votação foi marcado por denúncias de falta de transporte público em diferentes estados, incluindo São Paulo e Bahia. Após um pedido da campanha de Lula, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação da votação até as 19h, duas horas além do horário inicialmente previsto. Algumas seções, porém, já haviam encerrado suas atividades quando a decisão foi comunicada.
Na apuração, Flávio Bolsonaro chegou a liderar a contagem. A diferença diminuiu até Lula ultrapassar o adversário, quando 48,42% das seções estavam totalizadas. A vantagem aumentou nas atualizações seguintes, e o Datafolha projetou a vitória do presidente às 20h46.
Nascido em Caetés, no interior de Pernambuco, Lula chegou ainda criança a São Paulo, tornou-se metalúrgico e ganhou projeção nacional ao liderar greves no ABC paulista durante a ditadura militar. Fundador do Partido dos Trabalhadores, foi eleito presidente pela primeira vez em 2002 e reeleito em 2006. Em 2022, voltou ao Palácio do Planalto após derrotar Jair Bolsonaro. Agora, venceu o filho do ex-presidente e garantiu mais quatro anos no governo.
Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) tomarão posse em 5 de janeiro de 2027. O novo mandato começa com um Congresso de forte presença conservadora e uma agenda que inclui as propostas sociais e trabalhistas defendidas durante a campanha.
Na Avenida Paulista, onde Lula havia encerrado sua campanha no sábado, apoiadores voltaram a se reunir na noite de domingo para acompanhar a apuração. Quando a vitória foi anunciada, gritos e fogos de artifício tomaram a avenida.
O “Bora virar”, repetido durante semanas por quem saiu às ruas em apoio ao presidente, finalmente virou realidade.
Fonte: Mídia Ninja.
