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Latinos com Lula: por que a eleição brasileira também importa Para a América Latina

Comunicador latino-americano destaca avanços sociais do Brasil, critica o PT e defende a integração regional O post Latinos com Lula: por que a eleição brasileira também importa para a América Latina apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Vinicius Francisco

“Você não é brasileiro, mas esta eleição também é sua. E o que está em jogo é enorme.” A frase aparece ao lado de um mapa do Brasil e de manifestantes com os punhos erguidos. É a abertura de um carrossel de 20 imagens publicado em 4 de outubro por Dani Neira, do perfil @eldaninsta. Escrito em espanhol, o conteúdo ultrapassou 41 mil curtidas e explica por que a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), no próximo dia 25, também interessa aos países vizinhos.

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Dani Neira, comunicador político (@eldaninsta), defende a reeleição de Lula, mas não deixa de criticar os governos petistas. Seu argumento é que, apesar das contradições, o Brasil conseguiu avanços sociais que precisam ser preservados. Em entrevista à Mídia NINJA, ele explica o que o levou a publicar os cards. “Estou falando do Brasil por uma questão de urgência, mas também pela absoluta necessidade de uma integração latino-americana sólida.” Para o comunicador, a volta do bolsonarismo poderia ampliar a dependência brasileira em relação aos Estados Unidos e ameaçar direitos sociais e trabalhistas.

Essa preocupação aparece quando ele fala do SUS, do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da discussão sobre o fim da escala 6×1. Dani também questiona a relação do bolsonarismo com o governo norte-americano. Ao mesmo tempo, lamenta que um país com as dimensões e as riquezas do Brasil ainda conviva com tanta desigualdade. Na sua avaliação, o desenvolvimento brasileiro poderia ajudar outros países latino-americanos a avançar.

Nos cards, ele recupera a história de Lula, da infância pobre no Nordeste à atuação como metalúrgico e dirigente sindical. A trajetória do presidente ajuda a introduzir o que Dani considera algumas das mudanças mais importantes dos governos do PT: a redução da fome, os programas de transferência de renda e a ampliação do acesso à universidade. Ele lembra que, para muitas famílias, conseguir fazer três refeições por dia ou ver um filho chegar ao ensino superior representa uma transformação que vai muito além dos números.

O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014 e novamente em 2025, resultado mantido no relatório de 2026 da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Dani também lembra a importância do Bolsa Família para quem antes não tinha renda suficiente nem para garantir o básico. O programa ajudou milhões de famílias a colocar comida na mesa, embora ainda seja alvo de preconceito contra quem recebe o benefício.

Na educação, ele destaca as cotas raciais e sociais, que ampliaram o acesso de estudantes negros e de baixa renda às universidades federais. Muitos foram os primeiros de suas famílias a chegar ao ensino superior, mesmo precisando trabalhar e passar horas no transporte público para conseguir estudar. Dani reconhece que essas políticas não acabaram com o racismo ou a desigualdade, mas lembra o quanto mudaram a vida de quem antes tinha poucas oportunidades.

Mas o reconhecimento dessas conquistas vem acompanhado de cobranças. Dani critica os lucros do setor bancário, os juros elevados, as privatizações e a violência policial, inclusive em estados governados pelo PT. Também aponta o afastamento do partido de suas bases populares e reconhece a frustração de parte dos eleitores de esquerda. Para ele, esses problemas não anulam os avanços sociais, mas mostram o quanto ainda precisa mudar.

Apesar das críticas, Dani considera fundamental uma vitória de Lula e acompanha com entusiasmo a mobilização que tomou as redes e as ruas depois do primeiro turno. “A reação e a organização das pessoas nas redes sociais realmente me impactaram. Parece que a ficha caiu e a esquerda finalmente entendeu que as redes são uma ferramenta que exige uso organizado, estratégico e constante”, afirma. Ele acredita que essa articulação pode servir de aprendizado para movimentos progressistas de outros países.

Sua relação com o Brasil, no entanto, não se resume à política. Dani fala com carinho das pessoas e dos lugares que conheceu, mas se incomoda com a distância entre o potencial econômico brasileiro e as condições de vida de parte da população. “A gente de fora olha para o Brasil, percebe a potência que um país como o de vocês tem com toda essa riqueza, e bate uma tristeza. O Brasil deveria ostentar os melhores índices do mundo, sendo vanguarda em inúmeros níveis”, diz.

É justamente por acreditar nesse potencial que ele vê a eleição brasileira como uma questão de interesse de toda a América Latina. E não espera que uma eventual vitória de Lula resolva os problemas do país. “Uma vitória do Lula trará um ar de otimismo, mas temos que começar a trabalhar logo no dia seguinte”, afirma. “E digo ‘temos’ porque, nesse processo, a integração latino-americana será simplesmente indispensável.”

Fonte: Mídia Ninja.

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