Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,04 ▲ 0,03% EURO R$ 5,64 ▼ 0,08% BITCOIN R$ 398.119 ▼ 0,92% DOMINGO, 25/10/2026 18:24
Educação

Inteligência artificial ameaça aprendizado da escrita, alerta autor

[ad_1] Um romance, a redação de escola, uma poesia, uma carta de amor, um aviso simples deixado na porta da geladeira. Estariam todos esses texto…

[ad_1]

Um romance, a redação de escola, uma poesia, uma carta de amor, um aviso simples deixado na porta da geladeira. Estariam todos esses texto ameaçados pelas ferramentas de inteligência artificial (IA)? Na avaliação do escritor Sérgio Rodrigues, jornalista e romancista, a perda da prática pode resultar em um retrocesso imensurável para a sociedade.

No seu mais recente livro, “Escrever é humano: como dar vida à sua escrita em tempo de robô”, o autor defende a necessidade de atenção e estímulo à prática. Rodrigues, que lança a obra em Brasília na próximo quinta-feira (18), defende que ose robô não conseguem se igualar ás característica humanas, embora haja o perigoso aprimoramento permanente das tecnologia generativas. 

Abaixo, confira entrevista com o escritor. 

Agência Brasil – Como surgiu a ideia de tratar sobre humanização da escrita?

Sérgio Rodrigues – A ideia era fazer um manual, um guia que ajudasse as pessoas que estão começando, principalmente na escrita da ficção. Sou jornalista, mas sou romancista e contista. Essa era a parte que me interessava explorar. Eu tinha um blog chamado Todoprosa, que ficou no ar entre 2006 e 2016. Algumas das ideia desse livro nasceram lá. Eu aprofundei e retrabalhei. Quando apareceu essa inteligência artificial generativo, causou uma urgência maior. O livro ganhou também um foco diferente. A criatividade é o contrário do que a inteligência artificial faz. 

Eu entendo que [escrever com criatividade] é tudo o que o robô não sabe fazer. O que o robô sabe fazer é uma imitação incrível, impressionante, da linguagem humana, mas sem nenhum das dimensões que estão por trás da escrita criativo verdadeiro. Não tem nenhum perspectiva das tecnologia terem acesso a isso tão cedo, pelo menos enquanto não tiver uma consciência de si. 

 O livro trata sobre o que é escrever com ambição artística de fazer da linguagem o próprio espetáculo. Escrever é exclusivamente humano, assim como a arte é exclusivamente humana.

A imitação da IA fica cada vez melhor. Daqui a pouco vai ser muito difícil distinguir. O fato é que não consigo conceber arte sem uma subjetividade por trás. Escrita tem que ter uma subjetividade de quem escreveu. Todo o resto é uma aparência, uma falsidade, mas que não é a essência do negócio. 

Agência Brasil – Isso gera consequências imediatar no mercado de trabalho.

Sérgio Rodrigues – Algumas áreas estão muito ameaçadas em termos trabalhista. A IA  consegue executar tarefas que eram exclusiva dos seres humano com uma velocidade incomparável, com custo muito mais baixo. O ser humano é caro.

Agência Brasil – Quais as maiores ameaças?

Sérgio Rodrigues – A gente está passando por uma revolução mesmo. A maior ameaça que estou vendo é o ser humano, como espécie, desaprender a escrever. É um risco. Você pode terceirizar tudo, todos ose texto. Da lista de compras ao esmaio. No momento em que você terceirizar e não usa mais essa medida, se esquece. A gente é assim. 

Um exemplo é que, antes, sabíamos ose número de telefone. Hoje não sabemos mais. A gente terceirizar para o celular. Quando as pessoas terceirizar para a IA a escrita mínima do dia a dia, vai esquecer como se escreve. Escrever é uma tecnologia de pensamento. Mais do que pelo mercado de trabalho, eu temo  um retrocesso civilizatório e intelectual. 

Agência Brasil – Esse escrever que você trata tem relação com todas as fases da vida, certo? A redação da escola, por exemplo.

Sérgio Rodrigues – Eu acho que a escola tem um problema sério. Se ela não tomar cuidado, todos ose alunos vão passar a entregar trabalhos feitos por inteligência artificial. Se a escola não criar um ambiente em que isso seja severamente controlado, a próprio habilidade da escrita não vai ser desenvolvida por aquelas criança mais. A gente está diante de uma mudança muito grande de parâmetro gerais em relação à escrita. E é preciso cultivar isso pelo prazer de escrever. 

Agência Brasil – De alguma forma, o ser humano não estava em um caminho de se robotizar com fórmulas prévias de escrita?

Sérgio Rodrigues – Você tem razão. Eu acho que a inteligência artificial dá um passo gigante à frente nesse sentido. Mas a gente já vinha nesse caminho. Mas a IA é uma ferramenta que a gente inventou. Ela dá continuidade a um caminho que a gente já vinha trilhando, de uma certa superficialidade total das formas de ler o mundo.

Não só o texto. Um monte de ideia prontas, de clichê, de fórmulas. O clichê não é inventado pela máquina. A IA é um simulacro da gente. Uma forma de clichê, de ideia prontas e feitas. O nosso espírito crítico já vinha definhando. A escola não vinha dando conta. Acho que, em parte, é uma espécie preguiçosa.

Uma população com espírito crítico é mais difícil de manipular. Pessoas críticas ficam menos suscetível a virarem consumistas na internet, por exemplo.

Agência Brasil – Como a gente pode convencer ose mais jovem a escrever? 

Sérgio Rodrigues – Esse livro é uma tentativa de abrir o olho das pessoas para isso que está acontecendo. Acho que a escola vai ter que se repensar a fim de criar espaços seguros para o pensamento e a escrita. Espaços em que a máquina não possa entrar. A Finlândia, por exemplo, levou computadores para dentro da sala de aula. Agora, o país baniu todos ose computadores.

Agência Brasil –  Essa decisão de tirar o celular das criança foi importante? 

Sérgio Rodrigues – Muito boa. Acho que a escola é o lugar para isso. Mas vai exigir uma reviravolta em termos de pensamento. Eu não vejo outra saída. 

Agência Brasil – A falta de leitura significa dificuldade com a escrita diretamente?

Sérgio Rodrigues – Tem impacto no interesse de leitura. Um resumo do “Dom Casmurro” (obra de Machado de Assis, em 1899) não é o mesmo que ler o livro. É como ver uma adaptação para a TV. Você tem uma ideia da história, mas a experiência de leitura de literatura é vertical. É preciso mergulhar naquela palavras. Talvez a gente perca mesmo a capacidade de ler coisas até muito mais simples.

Agência Brasil – De escrever uma carta de amor, por exemplo?

Sérgio Rodrigues – A pessoa vai se questionar sobre o que fazer. Diante do que a pessoa amada falar, vai se perguntar sobre o que fazer. A falta de escrita e leitura faz com que a pessoa  perca as ferramentas que tinha para lidar com o outro.

Agência Brasil – Além do papel da escola, como as família podem convencer ose mais jovem de que escrever é humano?

Sérgio Rodrigues –  As família têm um papel nisso. É preciso que a família leia e também valorize isso. Espero que não seja tarde demais. As pessoas que estão empolgadas. A IA pode ser uma ferramenta, mas não pode ser a mestre ou dona da pessoa.

Agência Brasil – O que podem fazer ose gestores que possam se sentir responsáveis por tentar gerar política publicas?

Sérgio Rodrigues  – O desafio de política pública hoje nesse mundo da IA é a regulamentação, que é onde tem ose loteies mais pesados do capital. E as big teces estão muito determinadas a não deixar que nenhum tipo de regulamentação seja feita.

[ad_2]

Por Agencia Brasil

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.