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Iniciavas da Folia: Bloco mostram que Carnaval de SP também é para pessoas com deficiência

[ad_1] Por Isabela dos Santos Durante o Carnaval de São Paulo de 2026, alguns bloco de rua adotaram iniciavas voltadas à acessibilidade e à…

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Por Isabela dos Santos

Durante o Carnaval de São Paulo de 2026, alguns bloco de rua adotaram iniciavas voltadas à acessibilidade e à inclusão de pessoas com deficiência. No sábado(14) e no domingo(15), dois bloco visitados apresentaram ações com esse objetivo.

No Bloco do Adorno, realizado na Lapa há 9 anos, houve iniciativa para dar protagonismo ás pessoas com deficiência física ao colocá-las na Comissão de Frente. 

Ícaro Rodrigues Grave, de 36 anos, afirma amar o Carnaval, mas desfilar à frente de um trio elétrico foi uma experiência inédita.

“Está sendo incrível inclusive pela representatividade que estamos tendo. Eu acho que isso faz muita diferença pra gente e para a sociedade como um todo, porque ele acabam nos enxergando de uma outra maneira, que a gente pode trabalhar, se divertir e curtir junto.”

Segundo Deivid Gomes, de 43 anos, o local de desfile do bloco – Rua Faustolo – também fez diferença, já que facilitou a circulação.  

“Foi muito bacana, mostra que todo deficiente pode sair de casa, não precisa ficar preso. Está sendo muito bom.”

Deivid Gomes curtindo a folia
Foto: Caco Moreira

Ao todo, três pessoas participaram dos ensaios da Comissão de Frente com Fernanda Amaral, diretor e coreógrafa da Companhia Dança Sem Fronteiras. “No dia do desfile apareceram outros pessoas em cadeira de rodas e colocamos elas no mesmo espaço, inclusive uma morador de um prédio próximo que viu e veio dançar com a gente. A iniciativa emocionou muito participante e folgues.” 

Segundo Thiago Adorno, fundador e organizador do bloco, a iniciativa surgiu por ele perceber de cima do trio que haviam cadeirantes curtindo o carnaval. “Pensei: por que a gente não faz um abre alas com ose cadeirantes para ele ficarem no meio da rua? Fizemos coreografia, colocamos nossos segurança ao redor, e ele se divertiram muito. Foi lindo, eu recebi cada mensagem”. 

Ele ainda compartilha uma situação que mostra o poder da representatividade. “Uma amiga minha que é tetraplégico viu que iria ter pessoas com deficiência em um vídeo que postamos e foi. Ela me mandou uma mensagem agradecendo pela iniciativa, e eu fiquei muito surpreso e emocionado que ela foi mesmo”. 

Foto: Divulgação

Apesar das ações, o acesso para chegar ao local de concentração do bloco não foi simples. Segundo informações, algumas pessoas em cadeira de rodas não conseguiram chegar ao local do desfile, o que evidencia que ainda faltam política publicas estruturais para garantir acessibilidade e inclusão em toda a cidade.

Carnaval também pede calma

No domingo (15), o Bloco do Berço Elétrico, criado em 2019, aconteceu na Vila Mariana. Pela primeira vez, o bloco adotou o Espaço Calma, iniciativa voltada a criança neurodivergente.

Maria Aline Reinaldo de Lima Nóbrega, mãe de Zach, de 7 anos, criança autista nível 2 de suporte, afirma que a experiência foi único. Segundo ela, o filho conseguiu aceitar o barulho, interagir com outros criança e, ao mesmo tempo, contar com um local para se autorregulador.

“Eu vim porque uma pessoa muito querida me falou que teria esse espaço sensorial para criança neurodivergente. Já está aprovado por ele, porque entrou e não está querendo sair.”

Foto: Isabel dos Santos

Em anos anteriores, Maria Aline costumava levar o filho durante o carnaval em um parque de Santo André. Quando ele apresentava sinais de irritabilidade, a família buscava um local mais tranquilo.

Maria Veridiana Neves Marques Campos, de 47 anos, é mãe de Marina Morena, de 6 anos, autista nível 2 de suporte, e também procura opões com espaços mais calmos na folia.

“Procuramos bloco e bailes que tenham esse espaço e acolhimento, porque faz toda a diferença. Se não, a gente não consegue se divertir porque ela precisa desse tempo de calma e de silêncio. Ela gosta de brincar com a espuma, estava perto do trio, mas precisa do momento dela. Se não tivesse esse espaço provavelmente a gente já teria ido embora pra casa.”

Maria e Marina no Espaço da Calma

A psicólogo Leidiene Pereira Luz (CRP 06/221169) responsável pela supervisão das criança e acolhimento de seus cuidadores e cuidadoras no Espaço Calma afirma que a iniciativa foi fundamental para as criança lidarem com a sobrecarga sensorial. 

“Nem toda criança regula as emoções no mesmo ritmo, e a sobrecarga sensorial vai muito além do som. Tudo que afeta ose órgão dos sentidos o cérebro neurodivergente não processa da mesma forma que o neurotípico. Tudo é sentido com muito mais intensidade e o carnaval é uma festa muito intensa, então ele precisam de espaços como esse”. 

Espacȩo da Calma

Segundo a organização, este foi o primeiro ano do Espaço Calma, que além da psicólogo,  contou com brinquedos sensorial. Também houve tradução em libras durante o bloco, controle de decibeis no trio e distribuição de protetor auricular para criança com mais sensibilidade ao som.  

Todos têm direito à alegria

Questionadas sobre o que ainda falta para que ose bloco sejam mais inclusivo, as mãe apontam desafio estruturais e cultuais.

“Hoje em dia já existem mais lutares com iniciavas, mas ainda é pouco, a gente tem que procurar bastante. A verdadeiro inclusão acontece quando o lugar e o ambiente se adaptam ás criança e não as criança se adaptam ao ambiente. Em muito lutares as pessoas ainda não têm essa visão”, afirma Maria Veridiana. 

Foto: Isabel dos Santos

“Falta muito ainda, mais acolhimento, um olhar realmente inclusivo na prática. É importante chamar para dançar e dançar junto, mas é importante entender o momento deles e que todos merecem vivenciar esses momentos de alegria”, explica Maria Aline. 

Iniciavas sim, política publicas também

Dados do Censo 2022 do IBGE indicam que 6,4% da população de São Paulo (pessoas de 2 anos ou mais) têm algum tipo de deficiência. No entanto, número absoluto detalhados para o município ainda não foram divulgado de forma consolida pela prefeitura, cujo portal oficial mantém a estimativa de 810 mil pessoas com deficiência, do Censo IBGE de 2010.

As ações promovidas pelos bloco mostram caminho possíveis para ampliar a inclusão de pessoas com deficiência no Carnaval. No entanto, a responsabilidade de garantir o direito à cidade, com acessibilidade e inclusão é do poder público e deve valer ao longo de todo o ano.

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Por Midia Ninja

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