Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,01 ▼ 1,06% EURO R$ 5,62 ▼ 0,86% BITCOIN R$ 415.754 ▲ 0,88% TERçA-FEIRA, 20/10/2026 21:06
André Shiavette AndreSchiavette Business Halloween

Horror Expo Brasil 2026 reuniu estrelas internacionais, universo DO SLIPKNOT e experiências imersivas EM São Paulo

Realizada nos dias 17 e 18 de outubro, a quinta edição do evento conectou cinema, música pesada, literatura, cosplay e produções brasileiras em uma celebração da cultura do horror.

O terror não termina quando os créditos sobem. Ele continua nos personagens que atravessam gerações, nas máscaras que se tornam símbolos, nas histórias que alimentam o imaginário coletivo e nas comunidades que encontram nesse universo uma forma de expressão cultural. Foi nesse encontro entre memória, criatividade e entretenimento que a Horror Expo Brasil 2026 reuniu fãs e profissionais do gênero nos dias 17 e 18 de outubro, no Expo Barra Funda, em São Paulo.

Em sua quinta edição, o evento reuniu atrações internacionais, produções audiovisuais brasileiras, artistas independentes, experiências temáticas, concursos de cosplay e atividades que aproximaram o público de diferentes vertentes do horror. A programação também evidenciou como o gênero ultrapassa as salas de cinema e ocupa espaços na música, na literatura, nos games, nas artes visuais e nos eventos presenciais.

DO SLIPKNOT AOS CLÁSSICOS DO CINEMA DE TERROR

Entre os convidados anunciados estavam nomes que representam diferentes gerações e linguagens do entretenimento: Chris Fehn, ex-percussionista do Slipknot; Mark Pellegrino, conhecido por interpretar Lúcifer em Supernatural; Eileen Dietz, associada ao clássico O Exorcista; e Douglas Tait, ator e performer conhecido por dar vida a criaturas e personagens do cinema de horror.

A presença de Chris Fehn aproximou a convenção do universo do heavy metal. Integrante do Slipknot durante um período marcante da trajetória da banda, o músico participou de álbuns como Slipknot, Iowa, Vol. 3: (The Subliminal Verses) e All Hope Is Gone. A estética das máscaras, a teatralidade das apresentações e o imaginário sombrio do grupo ajudam a explicar a conexão entre a música pesada e a cultura do horror.

Fehn deixou a banda em 2019, mas sua trajetória permanece ligada à identidade visual e musical que projetou o Slipknot internacionalmente. Na Horror Expo, a participação anunciada para os dois dias incluiu oportunidades de encontro com fãs, fotos, autógrafos e atividades de programação.

Já Mark Pellegrino levou ao evento a memória de produções televisivas que ajudaram a popularizar narrativas sobrenaturais. Além de Lúcifer em Supernatural, o ator interpretou Jacob em Lost e participou de Dexter. Sua carreira demonstra como personagens envoltos em mistério podem permanecer relevantes muito depois da exibição original de uma série.

Eileen Dietz, por sua vez, representa uma conexão direta com a história do cinema de horror. Associada às cenas de possessão de O Exorcista, filme de 1973 dirigido por William Friedkin, a atriz integra a memória visual de uma obra que marcou profundamente o gênero. Mais de cinco décadas depois, o longa continua presente no repertório de fãs e nas discussões sobre a representação do sobrenatural no cinema.

Douglas Tait completa esse encontro de referências com sua experiência na interpretação física de criaturas e personagens. Seu trabalho está ligado ao imaginário dos monstros e assassinos mascarados, incluindo personagens associados a franquias como Sexta-Feira 13, Halloween e Five Nights at Freddy’s. As experiências fotográficas anunciadas permitiram aproximar o público de figuras que normalmente são vistas apenas na tela.

O CINEMA BRASILEIRO TAMBÉM TEM ESPAÇO NO HORROR

A programação não se restringiu às produções internacionais. O audiovisual brasileiro também apareceu entre os destaques, com projetos e profissionais que ajudam a ampliar a presença do horror na produção nacional.

Entre os títulos apresentados estava Pacto Maldito, longa-metragem associado à participação da atriz Carol Castro e do diretor Caio Cobra. A programação também incluiu referências a Herança Canibal, com Dane Taranha e Fernando Sanches, e Ogiva, apresentada por Maria Tachach.

Outro nome relevante foi o cineasta Rodrigo Aragão, conhecido por sua trajetória no cinema fantástico, especialmente pelo trabalho com maquiagem, caracterização e efeitos práticos. Sua participação colocou em evidência uma dimensão essencial da produção de horror: a construção artesanal de criaturas, ferimentos, transformações e imagens capazes de provocar impacto sem depender exclusivamente de recursos digitais.

O desenvolvimento dessas técnicas exige conhecimento artístico, planejamento e domínio de materiais. Em um gênero no qual a aparência de uma criatura pode definir a atmosfera de uma cena, o trabalho dos profissionais de efeitos especiais é parte fundamental da narrativa.

A presença de realizadores brasileiros em convenções também cria oportunidades para apresentar projetos, estabelecer contatos e aproximar produções independentes de um público que acompanha o gênero com interesse específico.

LIVROS, QUADRINHOS E ARTISTAS INDEPENDENTES

A literatura de horror e as artes independentes ocuparam outro espaço na programação. Escritores como Claudia Lemes, Cesar Bravo e Marcos de Brito integraram as atividades anunciadas, ao lado de nomes como Denisson Ramalho e Oscar Nestarez.

O encontro entre literatura e audiovisual reforça a circulação de histórias entre diferentes formatos. Narrativas que começam nas páginas de um livro podem inspirar adaptações, enquanto filmes e séries estimulam novas interpretações, debates e produções literárias.

O Horror Artists’ Pavilion reuniu trabalhos ligados a ilustrações, quadrinhos, esculturas, livros e outras expressões visuais. Espaços desse tipo também são importantes para artistas independentes, que encontram nas convenções uma oportunidade de apresentar suas criações diretamente ao público.

Em um mercado cultural que depende de circulação, visibilidade e construção de comunidades, esses encontros ajudam a aproximar criadores e consumidores sem limitar a experiência aos grandes estúdios e às produções de maior alcance comercial.

LABIRINTOS, ESCAPES E AMBIENTES TEMÁTICOS

A experiência da Horror Expo foi além dos painéis e das conversas com convidados. A programação divulgada incluiu atrações imersivas que convidavam os visitantes a participar diretamente de situações inspiradas no universo do terror.

Entre elas estava o Labirinto Oberon, anunciado com aproximadamente 180 metros quadrados, além das experiências Escape Ônibus Zumbi e Escape Crystal Lake — Jason. Os espaços exploravam suspense, desafios e referências conhecidas pelos fãs do gênero.

O público também encontrou ambientes temáticos associados a vampiros, possessões e ao personagem Chucky, além de atividades de investigação paranormal e cenários preparados para fotografias. Uma ativação inspirada em Cara-de-Barro, personagem ligado ao universo da DC, também integrou as novidades anunciadas.

Essas atrações acompanham uma transformação no setor de entretenimento: em vez de apenas observar uma história, o visitante passa a ocupar um espaço construído para produzir sensações, estimular a imaginação e criar lembranças próprias.

A cultura cosplay complementou essa proposta com caracterizações, concursos e desfiles inspirados em filmes, séries, jogos e quadrinhos. O trabalho dos participantes envolve figurino, maquiagem, interpretação e pesquisa visual, transformando personagens conhecidos em criações que podem ser apreciadas ao vivo.

A programação também anunciou a participação de Nelson Machado, dublador reconhecido por personagens populares no Brasil. Sua presença destacou outra dimensão da memória audiovisual: as vozes que acompanham o público e ajudam a estabelecer vínculos afetivos com filmes, séries e animações.

O BAILE DOS CONDENADOS E A ATMOSFERA VAMPIRESCA

Entre as atividades temáticas estava o Baile dos Condenados, anunciado como parte do encerramento da programação. Inspirada em referências vampirescas e na estética vitoriana, a proposta combinou música, figurinos e performance, com discotecagem de DJ Lord A.

A atividade ampliou a experiência para além do formato tradicional de convenção. Ao reunir elementos de festa, teatralidade e cultura alternativa, o baile aproximou o horror de outras formas de sociabilidade e expressão artística.

É uma característica recorrente desse universo: o medo pode ser matéria-prima para diferentes experiências, do suspense cinematográfico à música pesada, passando pela moda, pela dança e pela criação de personagens.

A CULTURA DO HORROR TAMBÉM MOVIMENTA A ECONOMIA CRIATIVA

A organização trabalhava com uma expectativa de aproximadamente 15 mil visitantes durante os dois dias. Esse número, porém, corresponde à previsão divulgada, e não deve ser confundido com um balanço final de público sem confirmação oficial.

A comercialização de ingressos, passaportes e experiências especiais com convidados também integrou o modelo do evento. Para além da bilheteria, convenções desse porte mobilizam uma cadeia diversificada de profissionais e negócios: produtoras audiovisuais, editoras, artistas, ilustradores, comerciantes, cosplayers, especialistas em efeitos especiais, criadores de conteúdo e empresas responsáveis por cenografia e experiências imersivas.

O horror, nesse contexto, não é apenas um segmento de entretenimento. É também um campo de produção cultural que gera trabalho, estimula a circulação de obras e cria oportunidades para profissionais de diferentes áreas.

A presença de artistas independentes e de produções brasileiras é particularmente relevante para a visibilidade de projetos que nem sempre encontram o mesmo espaço nos circuitos comerciais de maior alcance.

QUANDO O MEDO SE TRANSFORMA EM CULTURA

A Horror Expo Brasil 2026 reuniu diferentes caminhos de entrada no universo do horror. Chris Fehn representou a conexão com o heavy metal; Mark Pellegrino, a força das narrativas sobrenaturais na televisão; Eileen Dietz, a permanência de um clássico cinematográfico; e Douglas Tait, o trabalho físico e performático por trás de criaturas que habitam o imaginário popular.

Ao lado dessas referências, as produções nacionais, a literatura, os artistas independentes e as experiências imersivas mostraram a amplitude de uma cultura que não se limita a provocar sustos.

Para quem acompanha o gênero, o horror também é memória, estética, comunidade e criação. Está nas histórias que marcaram a infância, nas máscaras reconhecidas à distância, nos livros que desafiam o leitor e nas músicas que transformam o sombrio em espetáculo.

Ao ocupar um espaço de encontro entre fãs e profissionais, a quinta edição da Horror Expo reforçou a diversidade de linguagens que compõem esse universo. O terror continua atravessando gerações, reinventando personagens e encontrando novas formas de chegar ao público.

Porque, para quem vive essa cultura, o pesadelo não termina quando as luzes se acendem. Ele continua nas histórias compartilhadas, nas obras que ainda serão criadas e nas comunidades que mantêm o horror vivo muito depois do fim da convenção.

Compartilhe esta matéria:
Andre Schiavette

Andre Schiavette

Confira as notícias e colunas publicadas por Andre Schiavette no Portal Inhaí.