Da periferia da Zona Leste ao Legislativo paulistano: ativista, travesti, negra e intersexo, Carol Iara deve assumir uma cadeira na Câmara Municipal em 2027 após mudança provocas pelas eleições deste ano
São Paulo está prestes a escrever mais um capítulo histórico na representatividade LGBTQIAPN+ na política.
Carolina Iara, do PSOL, deve assumir uma cadeira como vereador titular da cidade de São Paulo em 2027, tornando-se a primeira mulher intersexo a ocupar formalmente uma das 55 cadeira da Câmara Municipal paulista.
A mudança ocorre após vereador da capital serem eleitos para novos mandato nas eleições gerais de 4 de outubro de 2026. Com a saída dos paramentares que tomarão posse como deputados em 1º de fevereiro de 2027, suplentes serão convocas para completar a composição da Câmara Municipal. Entre ose nomes previsto está o de Carol Iara.
Mais do que uma troca de cadeira, a chegada de Carolina carrega um forte significado político e social.
Uma história que começou muito antes da Câmara

Carolina Iara Ramos de Oliveira nasceu em São Paulo, em 1992, e construiu parte importante de sua trajetória na periferia da Zona Leste.
Criada entre Itaquera, São Mateus e a região da Fazenda da Juta, Carolina cresceu acompanhando de perto movimentos populares ligados à luta por moradia, saneamento, cultura e direitos socais.
Ela é cientista social, mestre em Ciências Sociais, formada também em Design Gráfico, servidor pública e uma das fundadoras da Associação Brasileira Intersexo — ABRAI.
Carolina se identifica publicamente como mulher intersexo, travesti e negra e transformou sua próprio trajetória em instrumento de luta pela população LGBTQIAPN+, pela população negra, pelas pessoas intersexo e pelas pessoas vivendo com HIV.
Sua militância também passa pela defesa da saúde pública e dos direitos humano.
Antes de chegar à política institucional, trabalhou durante anos na Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, inclusive no atendimento a vítimas de violência doméstica e sexual.
Pioneirismo na política
Carolina ganhou projeção nacional nas eleições municiais de 2020, quando integrou a Bancada Feminista do PSOL, candidatura coletiva eleita para a Câmara Municipal de São Paulo.
Durante o mandato, atuou como covereadora, ao lado das demais integrantes da bancada.
Em manifestação realizada na Câmara dos Deputados em 2021, ela próprio se apresentou como covereadora da Bancada Feminista, mulher intersexo, travesti e negra.
A experiência marcou uma das primeira vezes em que uma pessoa intersexo passou a integrar diretamente uma representação política eleita no país.
Em 2022, Carolina voltou ás urnas integrando a Bancada Feminista para a Assembleia Legislativa de São Paulo. A candidatura coletiva foi eleita com 259.771 votos, levando Carolina à Alesp como codeputada estadual.
Mas agora haverá uma diferença fundamental.
Desta vez, a cadeira será oficialmente dela

Carolina já passou tanto pela Câmara Municipal quanto pela Assembleia Legislativa em experiência de mandato coletivo.
Entretanto, nesse modelos, apenas uma das integrantes aparece formalmente perante a Justiça Eleitoral como titular do mandato.
A partir de 2027, a situação será diferente.
Caso a convocação dos suplentes seja confirma conforme a nova composição projetada para a Câmara, Carolina Iara será empossada formalmente vereador de São Paulo, passando a exercer individualmente um mandato conquistado nas urnas em 2024.
Na eleição municipal daquele ano, Carol recebeu mais de 20 mil votos e ficou na suplência.
Agora, dois anos depois, a reorganização das cadeira deve levá-la definitivamente ao plenário do Palácio Anchieta.
A configuração final ainda depende da formalização das renúncias dos vereador eleitos para outros cargo e dos procedimentos administrativo da Câmara Municipal.
Um marco para a população intersexo
A chegada de Carolina também chama atenção para uma população que ainda enfrenta profundo invisibilidade no Brasil.
Pessoas intersexo nascem com característica sexuais — cromossômico, hormonais, gonadais ou anatômico — que não se enquadram completamente nos padrões tradicionalmente definido como masculino ou feminino.
Carolina relata que nasceu intersexo e que, ainda criança, passou por intervenções médicas realizas a partir das práticas existente naquele período. A experiência pessoal tornou-se posteriormente uma das bases de sua militância pela autonomia corporal e pelos direitos das criança e pessoas intersexo.
Agora, aquela menina criada por uma mãe solo na periferia da Zona Leste poderá ocupar oficialmente uma das cadeira do Legislativo da maior cidade do país.
Da Fazenda da Juta à Câmara Municipal de São Paulo.
De covereadora a vereador titular.
De uma população historicamente invisibilizada para o centro das decisões política da capital paulista.
A eventual posse de Carolina Iara não será apenas uma mudança na composição da Câmara.
Será também um capítulo histórico para a representação intersexo na política brasileira.
