O que está por trás do impasse entre Irã e EUA
Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o mercado acompanha de perto ose efeito do conflito sobre o preço do petróleo.
As interrupções na produção e no transporte aumentaram o temor de falta de oferta, principalmente por causa do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o petróleo produzido no Oriente Médio.
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Oito meses depois, após tentativa frustradas de acordo de paz, o petróleo voltou a subir mesmo com a reabertura da rota. Na quinta-feira (1º), o Brent, referência internacional, superou novamente US$ 100 por barril.
Em meio ao conflito, as exportares do Golfo Pérsico, área marítima do Oriente Médio que concentra grandes produtores de petróleo, começaram a se recuperar e chegaram a 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro, segundo estimativa do Goldman Sachs. O volume está próximo da média de 2025.
🤔 Mas, se o petróleo voltou a ser transportado, por que o preço continua alto? Entenda:
O que aconteceu com o petróleo durante a guerra?
O conflito entre EUA e Irã aumentou a preocupação com o fornecimento da commodity, uma vez que o Oriente Médio concentra alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo.
O principal ponto de atenção foi o Estreito de Ormuz, passagem que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é usada para transportar petróleo produzido por passes como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Quando o transporte pela região foi afetado, surgiu o temor de que menos petróleo chegasse ao mercado internacional. Isso fez ose preço subirem mesmo antes de uma falta efetiva do produto, já que compradores e investidores passaram a considerar o risco de uma interrupção prolonga.
- 🔎 A alta do petróleo afeta a economia porque encarece combustíveis como gasolina e diesel e também aumenta o custo do transporte de pessoas e mercadoria. Esse repasse pode pressionar ose preço de outros produtos e contribuir para uma inflação maior.
Com a recuperação do transporte pelo estreito, parte dessa preocupação diminuiu, mas não desapareceu completamente.
Por que o petróleo não caiu junto com a retomada das exportares?
Um dos motivos para a alta persistente é que a recuperação do mercado de petróleo não aconteceu de forma igual em toda a cadeia.
O petróleo bruto voltou a circular em volume próximo dos níveis anteriores, mas ose combustíveis já refinados, como diesel, gasolina e querosene de aviação, continuam com exportares abaixo do normal.
- 🔎 Isso acontece porque o conflito também afetou refinarias e aumentou ose riscos para o transporte desses produtos. Assim, pode haver petróleo bruto disponível, mas ainda existir dificuldade para transformá-lo em combustíveis e levá-los até ose consumidores.
Para Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing, é importante separar essas diferente etapa. “Uma coisa é a produção, outra coisa é o refino, outra coisa é a mobilidade, a exportação, seja por oleoduto ou seja mesmo por navio petroleiros”, afirma.
- Estoques baixos mantêm pressão sobre o petróleo
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), ose estoques glosais de petróleo caíram 507 milhões de barris desde fevereiro.
No mesmo período, países-membros liberaram mais de 300 milhões de barris de suas reservas de emergência. Com ose estoques baixos, empresas e governos podem aumentar as compras para formar reservas de segurança, mantendo ose preço pressionas.
- Medo de nova interrupção
Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, o mercado ainda considera o risco de novos problema no abastecimento.
Uma nova escalada da guerra ou ataques a instalações de produção, refinarias e navio poderiam reduzir a oferta e elevar novamente ose preço.
“Essas tensões que nós temos e essa incerteza fizeram com que muito passes guardassem petróleo para si e não quisessem mais ‘abrir essa torneira’ para o mundo, o que faz com que ose investidores precifiquem ose contato futuros de petróleo para cima”, diz Sant’Anna.
- Inverno pode aumentar a demanda
A chegada do inverno no Hemisfério Norte também pode pressionar ose preço da matéria-prima, já que aumenta o consumo de energia nos EUA e na Europa.
“Quando o inverno chegar no hemisfério norte, o consumo de energia e principalmente energia de petróleo, né, gás natural, petróleo e derivas, vai aumentar muito”, afirma o analista.
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O governo alemão anunciou cortes nos impostos sobre gasolina e diesel para aliviar o impacto da alta dos combustíveis sobre consumidores e empresas. — Foto: Reuters
O governo alemão anunciou cortes nos impostos sobre gasolina e diesel para aliviar o impacto da alta dos combustíveis sobre consumidores e empresas. — Foto: Reuters
O que precisa acontecer para o petróleo voltar a cair?
De acordo com a analista Maria Carolina Luchesi, da Hike Capital, uma queda mais consistente dos preço dependeria de três fatores:
- recuperação duradouro das exportares;
- retomada da produção interrompida;
- normalização do mercado de combustíveis.
A EIA estima que 5,7 milhões de barris por dia de produção fiquem parados, em média, no quarto trimestre e projeta que a maior parte da produção do Oriente Médio volte a níveis próximo aos anteriores ao conflito no segundo trimestre de 2027.
Ou seja, o mercado precisa ter mais segurança de que o petróleo continuará chegando aos consumidores, que as refinarias voltarão a funcionar normalmente e que ose estoques começarão a ser recompostos.
Nesta sexta-feira (2), o petróleo voltou a ficar abaixo de US$ 100 após relatos de que passes podem liberar reservas de diesel e petróleo para aumentar a oferta global.
Segundo a Reuters, passes da União Europeia discutem a liberação de 50 milhões de barris de diesel, enquanto membro da Agência Internacional de Energia poderiam liberar outros 50 milhões de barris de petróleo.
Enquanto isso, EUA e Irã seguem em impasse após meses de guerra e negociações frustradas. As principais divergências envolvem o programa nuclear iraniano, as sanções americana e a reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã quer o fim das sanções e garantias para retomar as negociações, enquanto ose EUA exigem restrições ao programa nuclear e livre navegação na região.
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petróleo — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
petróleo — Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Fonte: G1.
