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Genérico de injeção semestral para prevenir HIV é aprovado; Gilead deixa Brasil fora do acordo

Medicamento deve custar US$ 40 por pessoa ao ano em 120 países. Brasil teve o maior número de participantes no estudo que comprovou sua eficácia O post Genérico de injeção semestral para prevenir HIV é aprovado; Gilead deixa Brasil fora do acordo apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Vinicius Francisco

O primeiro genérico injetável do lenacapavir, medicamento usado na prevenção do HIV com aplicações a cada seis meses, recebeu aprovação provisória na segunda-feira (2). A autorização foi concedida pela Food and Drug Administration (FDA), agência dos Estados Unidos responsável pela regulação de alimentos e medicamentos. Produzido pela farmacêutica indiana Dr. Reddy’s, o genérico deve custar US$ 40 por pessoa ao ano nos 120 países contemplados por um acordo com a Gilead Sciences, fabricante da versão original. O Brasil ficou fora da lista.

O lenacapavir é uma opção de profilaxia pré-exposição (PrEP), estratégia de prevenção ao HIV indicada para pessoas que não vivem com o vírus. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) já oferece a PrEP gratuitamente em comprimidos. O lenacapavir permite a prevenção com aplicações semestrais, sem a necessidade de tomar comprimidos diariamente.

No estudo internacional PURPOSE 2, mais de 99% das 2.179 pessoas que receberam lenacapavir não adquiriram HIV durante o período avaliado. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o medicamento como uma opção adicional de prevenção.

A aprovação da FDA é provisória porque o lenacapavir original continua protegido por patente nos Estados Unidos. Nos países autorizados a receber o genérico, a comercialização depende das exigências sanitárias locais. As primeiras entregas são esperadas até o fim de 2026, com distribuição mais ampla em 2027.

A FDA não decidiu quais países terão acesso à versão mais barata. Essa escolha foi feita pela Gilead em 2024, quando a farmacêutica autorizou seis empresas a fabricar genéricos, mas limitou sua comercialização a 120 países. A companhia afirma ter priorizado regiões com alta incidência de HIV e menos recursos financeiros.

Brasil, Argentina, México e Peru ficaram de fora, apesar da participação de voluntários desses países nas pesquisas clínicas. No PURPOSE 2, dos 3.271 participantes de sete países, 1.165 estavam no Brasil, cerca de 36% do total. Foi o maior número de participantes registrado em um único país, segundo dados da própria Gilead.

A exclusão brasileira tem sido criticada por organizações de saúde e movimentos LGBTQIA+. Em junho, a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP) e representantes de mais de 50 organizações de paradas do orgulho assinaram um manifesto pela redução do preço do lenacapavir e sua incorporação ao SUS.

“Não podemos aceitar barreiras comerciais e restrições de patentes que dificultem o acesso à prevenção e ao tratamento do HIV”, afirmou Nelson Matias Pereira, presidente da associação, em declaração divulgada pelo Unaids, programa das Nações Unidas dedicado à resposta ao HIV.

Em julho, ativistas de diferentes países protestaram contra a Gilead durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), organizada pela International AIDS Society (IAS), no Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu no estande da farmacêutica, com cobranças por preços acessíveis e pela quebra de patentes. Um dos cartazes dizia: “Lenacapavir: testado no Brasil, negado aos brasileiros”. O protesto foi acompanhado pela Mídia NINJA.

Naquele mesmo mês, Draurio Barreira, diretor do departamento responsável pela política de HIV e aids do Ministério da Saúde, revelou à Agência de Notícias da Aids que o governo brasileiro havia oferecido US$ 400 por pessoa ao ano pelo lenacapavir, mas a Gilead recusou a proposta. O valor era dez vezes maior que o preço previsto para o genérico.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o lenacapavir original para prevenção do HIV em janeiro de 2026, mas o medicamento ainda não foi incorporado ao SUS. Como o Brasil ficou fora da licença para o genérico, uma eventual compra da versão original dependerá de condições negociadas com a Gilead. Até agora, não há preço anunciado nem previsão de quando o medicamento poderá ser oferecido pela rede pública.

Fonte: Mídia Ninja.

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