Gaby Amarantos, Rancore e Felipe Vaqueiro falam sobre a estreia no Bananada 2026

Portal Inhaí
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O Festival Bananada chega à edição de 2026 carregando um dado curioso: mesmo com um histórico de 27 anos e 21 edições, ainda há artistas consolidados estreando no festival pela primeira vez. Gaby Amarantos, Rancore e Felipe Vaqueiro são três desses nomes — carreiras longas, públicos fiéis e o Bananada como uma lacuna que agosto vem preencher. Para cada um, o convite chegou em momentos diferentes da trajetória, mas com a mesma carga simbólica: a de que certas estreias têm peso, independentemente de quantos palcos já vieram antes.

Viabilizado pela Lei Rouanet, com patrocínio da Petrobras e realização do Ministério da Cultura, o Bananada transformou esse investimento em algo mais amplo do que um festival de música. Em duas décadas e meia, tornou-se uma das referências da cultura independente brasileira e um termômetro do que a cena tem de mais inventivo.

Sonho antigo, convite na hora certa

Para os três, o convite não chegou como surpresa — chegou como a confirmação de algo que já estava no horizonte havia tempo.

“Pra mim, foi coisa de realização de sonho de moleque”, conta Felipe Vaqueiro. O músico tem uma memória específica que define sua relação com o festival antes mesmo de nele se apresentar: “Sou extremamente impactado pela live do Boogarins tocando ‘Doce’ no Bananada de 2014. Me moldou enquanto artista e foi o que me apresentou o festival.”

Subir no mesmo palco agora, com o show completo de HANDYCAM junto de Sophia Chablau, fecha um ciclo que começou naquele vídeo e ganhou corpo em 2024, quando ele passou por Goiânia com o Tangolo Mangos e reconheceu a cidade como um território que já o recebia de braços abertos.

Gaby Amarantos recebeu o convite com a mesma carga emocional. “Recebi esse convite com muita alegria — uma carreira consolidada e agora chegando pela primeira vez a vários festivais do Brasil”, conta. Para ela, o Bananada representa a chance de levar o Rock Doido — seu quarto álbum e o espetáculo de maior porte que já construiu — cada vez mais longe. “Um show que nasce da nossa periferia, de Belém do Pará, para o Brasil inteiro.” A cantora paraense, uma das maiores difusoras do tecnobrega paraense, chegou ao Grammy Latino de 2023 e ao álbum Rock Doido, em 2025, sem abrir mão de uma só vírgula da estética periférica que sempre a definiu.

Teco, do Rancore, coloca em perspectiva: “Bananada é uma referência para a cultura brasileira e é um sonho antigo da nossa banda subir nesse palco. Veio em ótima hora, na turnê do nosso novo disco, BRIO.” O grupo, que mistura rock, punk, hardcore e indie com letras densas e presença de palco visceral, chega ao festival em um dos momentos mais prolíficos da carreira — com disco novo e uma energia que, segundo Teco, combina com tudo o que o Bananada sempre representou.

O que o festival representa de longe

Quem acompanha o Bananada de fora tem uma leitura própria do que ele significa — e as três perspectivas se complementam, cada uma revelando um ângulo diferente da importância do festival para a cena independente nacional.

Felipe Vaqueiro vai além da música e faz uma análise política da presença do festival em Goiânia: “Festivais como o Bananada são importantes para disputar narrativas — ainda mais numa cidade marcada pela hegemonia de uma indústria cultural ligada a discursos neoliberais do lobby do agro. Entendo os festivais de rock e música alternativa em Goiânia como entidades que batem de frente com esse discurso.” Para ele, não se trata apenas de palco — trata-se da ocupação simbólica de um espaço que o mainstream insiste em ignorar. “Máximo respeito”, resume.

Para Gaby, o diferencial é o compromisso com a cena independente que o festival manteve ao longo do tempo, numa constância que poucos conseguem sustentar. “O Bananada tem um compromisso com a cena independente brasileira — é um festival que consolida a carreira, que te leva a outros festivais e a um público que, numa cidade em que a gente aprendeu que só consome um estilo musical, na verdade escuta de tudo.” A observação sobre o público goiano é precisa: o Bananada foi, ao longo das edições, um laboratório de escuta ampliada em uma cidade que o senso comum subestima.

Teco sintetiza com uma frase que diz tudo sobre a curadoria do festival: “É só dar uma olhada na escalação pra você perceber a pluralidade absurda que o festival traz. Muito ousado e corajoso desde seus primórdios.” É também dele a frase que talvez melhor defina o que o Bananada representa para quem está chegando pela primeira vez: “Nunca participei de um festival que me interessasse por 100% das atrações.”

O que cada um traz na bagagem

Estrear não significa chegar sem história. Os três chegam a Goiânia com trabalhos recentes, shows desenhados para este momento e a consciência de que uma primeira vez num palco desse porte tem peso de declaração.

Felipe Vaqueiro leva o HANDYCAM junto de Sophia Chablau à cidade pela primeira vez em um show completo, depois de uma passagem anterior com o Tangolo Mangos, em 2024. O projeto é uma imersão audiovisual — câmeras, imagens, som — que transforma o palco em algo entre concerto e instalação. Quando perguntado sobre o que o público pode esperar, ele não hesita: “Barulhos e palavras.”

O Rancore chega com a turnê de BRIO, disco com influências de rock, punk, hardcore e indie, mas com a proposta de percorrer toda a discografia — do novo ao mais antigo, sem abrir mão de nenhuma camada da trajetória. “Vai ser visceral. Goiânia sempre é”, diz Teco. Há uma confiança na energia da cidade que vai além do clichê de palco — é o reconhecimento de que Goiânia tem um público que sabe receber o tipo de catarse que o Rancore propõe.

Gaby Amarantos traz Rock Doido em sua versão para festivais — um espetáculo que reproduz ao vivo o filme gravado em plano-sequência, com coreografia, pirotecnia e a estética das aparelhagens paraenses transportada para uma estrutura de grande porte. “Rock Doido eleva a frequência de qualquer pessoa”, afirma. “É a coragem de ser diferente, é a revolução, é o futuro.” O show, que nasceu de uma filmagem coletiva em Belém, ganhou vida própria nos palcos e se tornou um dos espetáculos mais comentados da cena atual.

O festival como ponto de encontro

Parte do que torna o Bananada especial é o que acontece entre os shows — e os três já estão de olho no line-up dos colegas, com a atenção de quem sabe que o festival é também um espaço de escuta, troca e descoberta.

Felipe Vaqueiro quer assistir a Gaby Amarantos, Boogarins e Mateus Fazeno Rock — uma lista que atravessa gêneros e regiões e que diz muito sobre o tipo de fruição que o festival permite. Teco não economiza: “Sinceramente, quero assistir todos os shows. Nunca participei de um festival que me interessasse por 100% das atrações.” Gaby, por sua vez, quer algo mais simples — e mais revelador: “O que eu mais quero assistir é a galera ensandecendo no Rock Doido.”

Para Teco, o Bananada representa algo que vai além da vitrine ou do networking de bastidores. Há uma missão ali que ele articula com clareza: “Quem dera tivesse mais iniciativas dessas de unir tribos diferentes através da arte. Vamos aproveitar essa oportunidade pra honrar a cena de onde viemos e somar nesse caldo.”

2026: a estreia que já era esperada

Há algo de inevitável na presença desses três artistas em um mesmo line-up. Gaby Amarantos, com a força do tecnobrega paraense, encontrando a eletricidade do rock. Rancore, com a urgência do punk e do indie. Felipe Vaqueiro, com a sensibilidade de quem foi formado pelo festival antes mesmo de nele se apresentar. Três trajetórias distintas que o Bananada reúne com a naturalidade de quem sabe que a pluralidade não é um detalhe — é a razão de existir.

O festival volta em 2026 após seis anos sem edição presencial. E volta com a confirmação de que ainda há estreias que valem a espera.

Serviço

Festival Bananada 2026

Data: 18 a 23 de agosto de 2026

Local: Goiânia (GO)

Mais informações: @festivalbananada





Por Midia Ninja

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