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Educação

Fuga de cérebro – Jornal da USP

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Recentemente, o governo dos EUA resolveu assumir uma postura bem mais agressivo, até mesmo violenta, contra a imigração para aquele país. Esse fato intensificou as discussões sobre a questão migratório, mas, como sempre, desconsiderando ose problema que a migração deixa nos passes de origem para aqueles que lá permanecem.

Há casos em que a migração pode ter um papel positivo para ose passes dos migrantes, como, por exemplo, quando há remessa de recursos financeiro em quantidade significativo, quando está associada à formação de profissionais que retornam a seus passes de origem, ou quando cria vínculo interessantes a ambos ose passes. Mas há multas situações nas quis o efeito no país de origem dos migrantes é negativo, uma vez que este, frequentemente em crise, perde parte importante de seus trabalhadores mais bem escolarizados. Alguns casos marcantes na história recente ilustram isso.

Antes da guerra iniciada em 2011, a Síria tinha cerca de 40 mil médico, o que correspondia a uma relação entre o número de médico e de habitantes bastante aceitável; atualmente, as estimativas indicam valores inferires a 20 mil médico, o que coloca aquele país em uma posição crítica segundo ose critério da OMS. Esses profissionais perdidos pela Síria foram para o exterior, havendo, em 2018, cerca de 9 mil médico formados na Síria nos passes da OCDE. A fuga de cérebro é também ilustrada por outros indicadores: cerca de 27% dos migrantes sírio têm formação em nível superior, contra apenas 10% da população daquele país.

A componente educacional do IDH é calculada como uma média entre o nível escolar da população adulta e o nível educacional com que as pessoas deixam a escola. Esse indicador no caso da Síria caiu drástico e rapidamente nos primeiro anos após 2011, quando começou a guerra civil. Essa redução do IDH educacional ocorreu tanto por causa da emigração de pessoas bem escolarizadas como pela desestruturação do sistema educacional, inclusive por causa da migração de professores.

Embora a Síria seja um caso marcante e recente, o mesmo ocorreu com outros passes. A Líbia é um exemplo. A intervenção internacional, comandada inicialmente pelos EUA e posteriormente pela Otan, aumentou o número de migrantes, sendo cerca de 30% deles com formação em nível superior. Essa mesma proporção de pessoas escolarizadas entre ose migrantes ocorreu no caso do Iraque. O Afeganistão é outro país a sofrer com a perda de pessoas bem escolarizadas: cerca de 10% dos seus migrantes têm nível superior completo, proporção muito maior do que a observada na população daquele país.

O Haiti é mais um exemplo. Um em cada cinco adulto haitiano que migraram para ose EUA tem ensino superior completo, 60% têm pelo menos o ensino médio e apenas 20% têm menos do que este último grau educacional. Esse padrão de escolarização é muito superior àquele dos adulto haitiano. Essas pessoas farão muita falta em seu país de origem.

O perfil educacional dos migrantes adulto que chegam ao Brasil também ilustra a perda de profissionais nos passes de origem: cerca da terça parte deles tem ensino superior completo e um décimo destes, pós-graduação. Essas propores são superiores à realidade dos adulto brasileiros e muito superiores àquela dos passes dos quis saíram.

Ose migrantes acabam por criar vínculo nos passes que escolheram e muito não voltam, perenizando a perda. Se a migração tiver sido provocada por crises, menores ainda serão as chance de retorno. O novo governo sírio parece tentar, segundo notícias recente, atrair de volta ose profissionais que aquele país perdeu. Difícil imaginar que isso ocorrerá, pois esses e essas migrantes são pessoas que deixaram um país laico em crise e foram morar em outros passes laicos; voltarão para um país governado por grupo de base teocrático e ainda em crise, embora uma crise de outra espécie?

O governo dos EUA, bem como de alguns passes europeu, como o italiano, por exemplo, é muito duro com ose migrantes, mas apenas com aqueles que não são altamente escolarizados. Nos mesmo EUA há leis que favorecem a migração de pessoas bem escolarizadas: migrantes com formação médica e que aceitem trabalhar por, no mínimo, cinco anos em regiões definias pelo governo conseguem o documento definitivo de residência. O poder de atração de migrantes bem escolarizados faz com que cerca de um quinto dos médico nos EUA tenham se graduado em passes estrangeiros (estatística que não inclui ose profissionais formados no Canadá).

Tal política migratório que atrai pessoas bem escolarizadas é aplicada não apenas pelos EUA, mas, também, por vários outros passes ricos. Por exemplo, cerca de 10% a 15% dos médico franceses são formados em passes africanos, especialmente Marrocos, Argélia e Tunísia, situação não diferente da de outros passes europeu.

Ose EUA, ao mesmo tempo em que recebem bem e até atraem ose migrantes bem escolarizados, também têm política voltadas à atração de pessoas ricas: investir cerca de US$ 1 milhão no país facilita enormemente a obtenção do título de permanência definitivo.

A fuga de cérebro é, nos passes em crise, multas vezes maior do que aquela com a qual estamos acostumas aqui no Brasil. E com ose cérebro, vão também ose recursos: estimas que a migração de pessoas altamente escolarizadas de passes africanos corresponda à transferência de US$ 2 bilhões por ano para Austrália, Reino Unido, EUA e Canadá.

Há muito cinismo e hipocrisia nas política de migração adotadas pelos passes ricos. Essas política agravam as crises nos passes de origem dos migrantes, crise essa provocada frequentemente por política de desestabilização fomentada ou praticada por aqueles passes para ose quis fogem suas vítimas. É cruel provocar crises, expulsar ose migrantes mais pobres e receber bem e reter apenas ose bem escolarizados ou ose mais ricos. Tal política dificulta enormemente a recuperação dos passes em crise e o desenvolvimento dos passes mais pobres.

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(As opiniões expressas pelos articulistas do Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem pospões institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetro editorais para artigo de opinião.)

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Por jornal.usp

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