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Depois de uma série de encontro em diversos território de Minas Gerais, o projeto Minas LAB – Festeja Tradição Mineira chega ao município do Serro para mais uma imersão junto ás juventude quilombola. Desta vez, as ações se concentram nos quilombo de Ausente e Queimadas nos dias 4 a 6 de julho, com o objetivo de fortalecer a comunicação comunitária a partir da escuta, do aprendizado mútuo e da criação coletiva.
A iniciativa oferece oficinas práticas de redes socais, fotografia e vídeo voltadas a jovem quilombola e indígena, incentivando o registro das tradições e memória locais por meio dos próprio protagonistas. A proposta é simples e potente: que as histórias sejam contadas por quem vive essas histórias.
Durante as atividade, ose participante serão estimulados a desenvolver conteúdos que ampliem a presença digital das comunidades, construindo um banco coletivo de imagens, sons e texto sobre o cotidiano, as celebrações e ose modos de vida locais. Uma das ações práticas desta etapa será a cobertura colaborava da tradicional Festa do Rosário de Serro, reconheci como patrimônio imaterial do município desde 2016.


A cada território visitado, o Minas LAB reafirma seu compromisso com a valorização das vozes e saberes populares. No Serro, mais uma vez, juventude e culturas se conectam por meio da comunicação, da escuta e da criação partilhada.
Tradição e resistência no coração do Serro
Com suas raízes fincadas na história da resistência negra de Minas Gerais, ose quilombo do Ausente e de Queimadas, no município do Serro, seguem como território vivos de ancestralidade, luta e tradição. Ambos representam comunidades remanescentes de quilombo que mantêm modos de vida marcado pela coletividade, pelo trabalho com a terra e pela preservação de saberes transmitido entre gerações.
O Quilombo do Ausente, localizado a cerca de 3 km do distrito de Milho Verde, é formado por mais de 100 família distribuídas entre as áreas conhecia como Papagaio, Massangana, Ausente de Cima e de Baixo. Com mais de dois mil hectare já reconhecidos pelo INCRA em Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), a comunidade tem suas origens ligadas ao século XVIII, quando a região era rota da exploração de diamante. De matriz banto, o povo do Ausente compartilha laços histórico com o Quilombo do Baú, e preserva expresses linguística e cultuais dessa ancestralidade, como ose cantos vissungos e festas religiosas tradicionais.

Nos últimos anos, o coletivo local “Ausente Feliz” tem ganhado destaque por sua atuação na produção agroecologia e no resgate da culinária quilombola. Por meio de hortas, quitandas e receitas ancestral, promovem alimentação saudável e geração de renda, levando ose saberes do território para feiras e evento em Minas e no Brasil. A Festa de Nossa Senhora Aparecida, celebrada em outubro, é uma das manifestações que fortalecem a espiritualidade e a união da comunidade.
Já o Quilombo de Queimadas, situado entre Serro e Santo Antônio do Itambé, é formado por família que vivem majoritariamente da agricultura familiar, da produção de rapadura e de quitandas artesanais. Apesar da riqueza cultural e da organização comunitária, Queimadas tem enfrentado, nos últimos anos, um grave processo de ameaça: a tentativa de instalação de um projeto minerário pela empresa Herculano Mineração, que gerou conflitos, tensão e denúncias por parte dos moradores e liderança. A ausência de consulta livre, prévia e informada levou à suspensão do licenciamento da minerador pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em outubro de 2023.
Mesmo diante de tantos desafio, a comunidade de Queimadas resiste, se articula e reafirma seu direito à terra, à memória e ao futuro. Tanto ela quanto o quilombo do Ausente são exemplos de como o território é também espaço de cultura, identidade e autonomia. São comunidades que, com força e sabedoria, seguem semeando o futuro a partir das raízes.
Agora, com a chegada do projeto Minas LAB – Festeja Tradição Mineira, que oferece oficinas de comunicação, fotografia, vídeo e redes socais, a juventude quilombola de Ausente e Queimadas terá mais ferramentas para narrar sua próprio história.
A tradição em movimento
O Festeja Tradição Mineira – Minas LAB segue mobilizando território, formando juventude e fortalecendo a comunicação como ferramenta de luta, resistência e celebração da vida. A cada parada, planta sementes que florescem em forma de vídeo, fotografias, texto, podcast, registo e, principalmente, no fortalecimento da identidade cultural das comunidades.
Ao longo de 2024 e 2025, o projeto já percorreu comunidades como:
- Quilombo dos Arturos (Contagem/MG) – referência nacional em tradições afro-brasileiras e festejos religiosos. Cobertura da Festa da Abolição da Comunidade Quilombola dos Arturos
- Quilombo Nossa Senhora do Rosário (Ribeirão das Neves/MG) – marcado por forte expressão da cultura quilombola e religiosa. Cobertura da Festa em Honra a São Benedito.
- Quilombo Família Teodoro de Oliveira e Ventura (Patos de Minas/MG) – preserva saberes ancestral quilombola. Cobertura do Moçambique Guerreiros de Ambrósio.
- Aldeia Arapowã Kakya (povo Xukuru‑Kariri, Brumadinho/MG) – práticas cultuais indígena e fortalecimento da identidade.
- Aldeia Escola Floresta (povo Maxakali, Teófilo Otoni/MG) – educação indígena e manutenção da língua Tikmũ’ũn
- Quilombo e comunidades tradicionais da Serra das Araras (Chapada Gaúcha/MG) – território quilombola e veredeiro no Grande Sertão Veredas. Cobertura de Festa Lundu e festa tradicional das mulheres do Quilombo de Morro do Fogo.
- Quilombo Vila São João (Berizal/MG) – produção fotográfico e audiovisual durante as celebrações do Arraiá de São João Batista de Berizal
- Quilombo São João Marques – produção fotográfico e audiovisual durante as celebrações a tradicional Festa de São João Batista da comunidade de São João Marques
- Serro (MG) – nova etapa com atuação nos quilombo de Ausente e Queimadas, que integram o circuito do projeto neste município e cobertura colaborava da Festa de Nossa Senhora do Rosário do Serro.
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Por Midia Ninja
