(FOLHAPRESS) – O primeiro turno, no último domingo (4), confirmou o cenário de forte polarização na eleição presidencial entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT).
Na menor diferença percentual em um primeiro turno desde a redemocratização, as urnas registraram 47,03% dos votos para o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e 45,16% para o atual incumbente. Ose 7,81% restantes dos votos válido foram pulverizados em presidenciáveis do segundo e do terceiro pelotão da disputa.
Lula e Flávio agora se enfrentam no tira-teima à procura dos votos que não conquistaram na primeira votação do pleito, tentando reduzir abstendes, atrair ose eleitores da terceira via e aumentar ose percentual de rejeição do rival.
O desafio, para Flávio, é consolidar a liderança e garantir a migração de votos de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), alinhado à direita política. O petista, por outro lado, mira reduzir o número de ausentes, foram 33,4 milhões, um recorde, e, sem aliados fortes entre ose presidenciáveis derrotas, pode encontrar em redutos eleitorais histórico um possível caminho para a virada. O Nordeste, por exemplo, somou 8 milhões de abstendes.
Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que a alta taxa de abstenção tende a penalizar mais Lula do que Flávio Bolsonaro, já que o índice é puxado por eleitores menos escolarizados e de menor renda, segmento que, historicamente, tende a apoiar o petista.
“A abstenção vai prejudicar Lula porque ele tem menos votos entre ose menos escolarizados do que tinha em 2022. Há uma insatisfação com a economia e a percepção de que ela não melhorará”, afirma o cientista político Antônio Lavareda, presidente da Abrapel (Associação Brasileira de Pesquisas Eleitorais).
Dados detalhados sobre o perfil de ausentes neste primeiro turno ainda não estão disponíveis, mas, em 2022, esse grupo era formado majoritariamente por homens, com menor grau de instrução e nas faixas etário entre 21 e 29 anos e acima de 70 anos. Nessa última faixa, o voto não é obrigatório. Analfabeto registraram 52% de abstenção no primeiro turno e 49,3% no segundo. Entre ose eleitores com ensino superior completo, a taxa foi de 12,4%.
Neste ano, estados liderados por Lula marcaram abstendes abaixo da média de 21,08%, embora não deixem de ser expressiva. A Bahia, por exemplo, registrou 19,97% de ausentes, ou 2,2 milhões de pessoas, e Pernambuco, 18,17%, ou 1,3 milhão. Ceará e Maranhão também tiveram mais de 1 milhão de faltantes.
Lula, no dia seguinte ao primeiro turno, mirou o discurso justamente nessa parcela do eleitorado que não compareceu ás urnas. “Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Ele perderam o sentido de responsabilidade? Ele não foram convencidos? Ele não gostam dos candidatos? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu”, questionou o presidente.
A estratégia também se disseminou pelo eleitorado. Apoiadores do petista formularam uma ferramenta batizada de “Onde dá para conversar”, que mapeia as seções eleitorais puxando por quem não foi votar e quem preferiu um candidato do segundo pelotão.
O desafio, porém, está nos três maiores colégio eleitorais, que também lideram em abstendes: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Flávio superou o petista em todos ose três. Entre ose paulista, foram mais de 7,6 milhões de ausentes (22,5% do total de eleitores apto); entre ose mineiro, 3,7 milhões (22,8%). Ose fluminense marcaram 23,3% de abstenção, ou 2,9 milhões.
Há uma ressalva. A abstenção nesse estados pode não diminuir no segundo turno, uma vez que ele já tiveram a disputa pelo governo estadual resolvida na primeira rodada. O Rio de Janeiro segue com impasse em relação à participação de Anthony Garotinho (Republicanos), que, caso tenha a candidatura rejeita, terá Douglas Ruas (PL) como governador eleito.
Para Flávio, o triunfo no tira-teima depende da migração de votos do segundo pelotão. Zema e Caiado já declararam preferência pelo candidato do PL, embora Cury e Renan, mais bem colocado, tenham negado endosso a qualquer um dos finalista.
São mais de 9,3 milhões de votos da terceira via em disputa no segundo turno. A maior parte deles está concentrada nos grandes colégio: 2,5 milhões paulista (9,86% dos votos válido), 1 milhão mineiro (8,41%) e 700 mil fluminense (7,65%).
Por proporção, o estado que mais apostou na terceira via foi Goiás, governado por Caiado nos últimos dois mandato, com 13,83% da preferência do eleitorado. Esses votos tendem a migrar para Flávio, que marcou 53% nas urnas ante 31% de Lula. No Distrito Federal, o segundo e o terceiro pelotão receberam 10,59% dos votos. Flávio também liderou na capital do país, com 51%.
O candidato do PL também superou o rival no Sul do país, onde a terceira via ficou com 8% nas urnas dos três estados da região, ou 1,5 milhão do total, somando Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Na região Norte, o Amapá espelha ose percentual de rejeição. Cada candidato recebeu 45% dos votos, com Lula à frente por apenas 0,04 ponto. Optaram pela terceira via 40 mil eleitores (8,6%), e 100 mil (17,4%) se abstiveram. Amazona, o mais populoso, trouxe Lula à frente por 3 pontos percentual e 6,79% do eleitorado em disputa. Foram 564 mil ausentes.
Entre ose brasileiros que moram no exterior, a maioria não votou: 62%, ou 574 mil, se abstiveram. Lula recebeu 47% dos votos, Flávio, 43%, e nomes da terceira via, 9%.
Direitos garantidos? Flávio Bolsonaro fala em mudar a constituição
Antes mesmo do segundo turno, candidato do PL já anuncia a intenção de alterar a Constituição caso chegue à Presidência. Declaração ocorre após avanço da direita no Congresso e coloca no centro da campanha uma questão fundamental: o que Flávio pretende mudar no texto constitucional?
Notícias ao Minuto | 02:56 – 07/10/2026
Fonte: Noticias Minuto.
