O cinema como ferramenta de expressão, aprendizado e preservação da memória marcou mais uma edição do Programa Geração, atividade que integra o Festival do Rio. Realizada no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Centro do Rio de Janeiro, a programação reuniu estudantes de diferentes escolas para a exibição de filmes produzidos por eles próprios, além de conversas sobre os processos criativos e as histórias que chegaram à tela.
A edição deste ano contou com 53 filmes na Video Fórum, mostra dedicada às produções audiovisuais realizadas por estudantes. Durante as atividades, alunos do sétimo ao nono ano do Ensino Fundamental também assumiram o papel de entrevistadores, conversando entre si sobre os trabalhos apresentados, as escolhas narrativas e os desafios de transformar ideias em filmes.
Entre os destaques da programação esteve “Guardiões da Memória”, produzido por alunas da Escola Municipal Guiomar Ramos Paes, de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. As estudantes Mirela Stephanie e Manuely Vitória de Matos Matias, de 10 anos, acompanharam a exibição do trabalho, que levou ao cinema histórias da comunidade onde vivem.
O curta aborda a história do assentamento Zumbi dos Palmares, recuperando memórias, personagens e relatos populares que fazem parte da trajetória do território. A produção surgiu como uma oportunidade de investigar as origens da comunidade e registrar histórias que poderiam se perder com o passar do tempo.
Mais do que apresentar uma narrativa na tela, o filme transformou a experiência de fazer cinema em um exercício coletivo de pesquisa e valorização da memória local. Ao explorar os chamados causos e as histórias antigas do assentamento, as estudantes aproximaram o audiovisual de suas próprias vivências e da história de quem ajudou a construir o lugar.
A professora Carolina de Castro, coordenadora do projeto Adolescer com o Cinema, contou que o roteiro foi desenvolvido a partir das ideias das próprias alunas. Inicialmente interessadas em trabalhar com ficção e histórias de assombração, elas acabaram encontrando na história do território um caminho para a realização do filme.
A pesquisa sobre o assentamento abriu espaço para novas descobertas e reflexões, envolvendo as estudantes e a comunidade escolar. O processo mostrou como o cinema pode aproximar os jovens de suas raízes, estimular a curiosidade e contribuir para a preservação de histórias que nem sempre encontram espaço nos registros oficiais.
Cinema como espaço de criação e troca
A proposta do Programa Geração vai além da exibição de filmes. Ao colocar estudantes em contato com produções realizadas por outros jovens, a iniciativa estimula o intercâmbio de experiências e amplia as possibilidades de participação no audiovisual.
Na Video Fórum, os alunos não ocupam apenas o lugar de espectadores: são também realizadores, roteiristas, pesquisadores e entrevistadores. As conversas após as sessões permitem compartilhar referências, discutir decisões criativas e conhecer diferentes maneiras de contar histórias por meio do cinema.
A experiência também reforça a importância de iniciativas que aproximam a produção audiovisual do ambiente escolar, reconhecendo crianças e adolescentes como sujeitos capazes de elaborar narrativas sobre seus territórios, suas relações e as questões que atravessam suas vidas.
Fonte: Mídia Ninja.
