Por Vinicius Francisco
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, abriu sua entrevista coletiva na segunda-feira (26) fazendo o L com a mão. O gesto foi uma homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente do Brasil no domingo (25), após derrotar Flávio Bolsonaro (PL) com 51,79% dos votos válidos. Sheinbaum parabenizou os brasileiros e classificou a vitória como um “sopro de ar fresco para a América Latina e o Caribe”. A manifestação da presidente mexicana é uma das várias demonstrações de apoio ao petista que ganharam repercussão internacional nos últimos dias.
Também no México, o senador Gerardo Fernández Noroña, do partido Morena, fez o L durante um pronunciamento e relacionou o resultado das eleições brasileiras ao cenário político latino-americano. “Começo parabenizando o povo do Brasil e o grande líder brasileiro Lula da Silva, que colocou um freio no neofascismo”, declarou. Para Noroña, a derrota de Flávio Bolsonaro representou um obstáculo à expansão da extrema direita na região.
No Chile, deputados da bancada do Partido Socialista fizeram o L dentro do Congresso, em um vídeo divulgado pelo grupo parlamentar Diputadas y Diputados Socialistas. O ex-presidente Gabriel Boric também participou das manifestações de apoio. Na véspera do segundo turno, publicou uma fotografia fazendo o gesto e escreveu que “Lula é humanidade”. Depois da confirmação da vitória, voltou às redes sociais para agradecer ao brasileiro por continuar lutando e mantendo viva a esperança.
Na Espanha, a vitória de Lula virou assunto de campanha eleitoral. Durante um comício realizado na segunda-feira (26), em Gijón, a candidata Adriana Lastra, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), citou o resultado brasileiro ao convocar a militância para as eleições gerais de 29 de novembro. “Como ontem Lula no Brasil, os únicos capazes de deter os reacionários somos nós, os socialistas”, afirmou. No mesmo evento, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que a esquerda espanhola precisava repetir a recuperação eleitoral do presidente brasileiro. As declarações repercutiram na imprensa do país, incluindo os jornais El País e El Mundo.
A referência ao Brasil também apareceu entre os adversários do PSOE na esquerda. No domingo (25), antes da divulgação do resultado das urnas brasileiras, a ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, candidata da Frente Amplio, pediu que apoiadores fizessem o L durante um comício em Móstoles, na região de Madri. “Vamos todas levantar o braço com o L de Lula”, disse. Após a reeleição, Colau comemorou a derrota da extrema direita brasileira e afirmou que a Espanha deveria seguir o mesmo caminho.
Fora da política institucional, o gesto já havia conquistado artistas internacionais durante a campanha. Um vídeo organizado pelo cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho reuniu nomes de Hollywood em apoio à reeleição. Mark Ruffalo, Tilda Swinton, Javier Bardem, Pedro Almodóvar, Guillermo del Toro, Julie Delpy e Juliette Binoche apareceram fazendo o L. O ator mexicano Gael García Bernal e o diretor norueguês Joachim Trier também participaram da gravação, que circulou nas redes sociais na reta final do segundo turno.
O ator chileno Pedro Pascal, conhecido pelas séries The Last of Us e The Mandalorian, publicou uma fotografia fazendo o gesto. A atriz mexicana Melissa Barrera, dos filmes Pânico 5 e Pânico 6, também declarou apoio a Lula com uma imagem semelhante, destacando a preocupação com a preservação ambiental. No dia da eleição, a cantora sueca Zara Larsson compartilhou uma foto fazendo o L, acompanhada da mensagem “Vaamoos, Brasil!”.
A cantora sueca Zara Larsson (@zaralarsson) compartilhou uma publicação no instagram para seus fãs brasileiros fazendo o L com a mão.
A lista inclui ainda o cantor uruguaio Jorge Drexler, o franco-espanhol Manu Chao e o músico norte-americano Finneas, que publicaram imagens fazendo o L. No rock, o britânico Oliver Sykes, vocalista do Bring Me the Horizon, apareceu ao lado da cantora brasileira Alissic em uma manifestação de apoio. Tony Dolan, do Venom Inc., também reproduziu o gesto. O músico Lee Ranaldo, ex-integrante do Sonic Youth, e a artista visual Leah Singer divulgaram uma fotografia com a bandeira brasileira e a mensagem “Bora Lula!”.
Outros artistas apoiaram a reeleição sem necessariamente fazer o sinal com a mão. Madonna, Bella Hadid e Hailey Bieber compartilharam publicações favoráveis a Lula, enquanto Roger Waters, ex-Pink Floyd, e Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine, gravaram mensagens de apoio. As bandas The Strokes e Primal Scream também se manifestaram, assim como os atores mexicanos Alfonso Herrera e Christian Chávez, conhecidos pelo grupo RBD.
O L acompanha Lula desde 1989, quando foi criado pelo jornalista e publicitário paranaense Mário Milani para a primeira campanha presidencial do petista. A ideia era transformar a própria mão em uma forma de propaganda política, fácil de reproduzir nas ruas, sem depender de cartazes ou outros materiais. O símbolo atravessou as eleições seguintes e ganhou novo impulso em 2022, com a popularização da expressão “faz o L”.
Agora, além de identificar Lula, o gesto tem sido utilizado por políticos e apoiadores estrangeiros para defender uma reação ao avanço da extrema direita. Foi essa a interpretação apresentada pelo senador mexicano Noroña e pela socialista espanhola Adriana Lastra ao comentarem o resultado brasileiro. Quase quatro décadas depois de sua criação, o L aparece em parlamentos, comícios e manifestações de artistas de diferentes países, associado tanto ao presidente brasileiro quanto à vitória eleitoral que seus apoiadores querem ver repetida em outras partes do mundo.
Fonte: Mídia Ninja.
