Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,04 ▲ 0,03% EURO R$ 5,64 ▼ 0,08% BITCOIN — DOMINGO, 25/10/2026 07:02
Educação

Experiência de Refugiados e migrantes – Jornal da USP

[ad_1] A migração que diz respeito à sobrevivência, grosso modo, é o que chamamos de deslocamento migratório forçado. Quando esse migrante cruza uma fronteira…

[ad_1]

A migração que diz respeito à sobrevivência, grosso modo, é o que chamamos de deslocamento migratório forçado. Quando esse migrante cruza uma fronteira com outra nação, pelas convenções internacionais recebe o título de refugiado.

De acordo com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), até maio de 2024, o número total de pessoas deslocas à força no mundo atingiu 120 milhões. Dessas, 43,7 milhões eram refugiados, incluindo seis milhões de refugiados palestino assistidos pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA). Além disso, havia 68,3 milhões de deslocas interno (ou seja, pessoas que migraram dentro de sua próprio nação) e 6,9 milhões de solicitantes de asilo.

Além disso, o número de migrantes internacionais em todo o mundo foi estimado em aproximadamente 281 milhões, conforme indicado no Relatório Mundial sobre Migração de 2024. O conjunto de todos esses dados estatísticos aponta, de fato, uma crise humanitário global.

Vários são ose motivos que fazem as pessoas estarem nessa condições: perseguires de todo tipo (política, religiosa, ideológico, sexual e de gênero, entre outros), desates ambientais, condições estruturais política e socais, guerra, conflitos, e por aí vai. Essa experiência — do deslocamento migratório forçado — impõe uma série de desafio para refugiados e migrantes ao redor do mundo. Deixar para trás seu lar, sua família, suas referências, enfim, experiência de toda uma vida, é um processo doloroso, marcado por trauma e incerteza que vão além da simples adaptação em outra localidade. Se, por um lado, o refúgio representa a possibilidade de um recomeço (sobrevivência), por outro, acarreta uma série de obstáculo na busca por dignidade, pertencimento e reconstrução.

O sociólogo Anthony Giddens nos mostra uma questão interessante ao falar de identidade. Ao experienciar o que significa ser humano, estamos escrevendo nossa narrativa, uma biografia com multas nuance e variáveis. Segundo o autor, nas sociedade contemporâneas, sujeitamo-nos invariavelmente a uma série de mudança e instabilidades que impactam a construção de nosso “eu”, resultando em um processo de descontinuidade biográfico, isto é, o ato que divide o eu-biográfico em um eu-fragmentado.

Dialogando com o conceito de “modernidade líquida” de Zygmunt Bauman, tão conhecido nas áreas humanas e socais, penso que aqui se encaixa a experiência do deslocamento migratório forçado, como um movimento de instabilidades e múltiplo variáveis, de riscos, dinâmica, incerteza. Ao mesmo tempo, de aquisições e trocas cultuais, de adaptabilidade e flexibilidade, de pertença e referência, de simbologia e cosmologias, de formação e performance. Em outros palavras, uma série de fragmentações e desfragmentações que resultam em descontinuidades liquidas e biográfico.

A experiência do deslocamento migratório forçado começa muito antes de seu movimento, isto é, do sair de sua casa, cidade e até mesmo nação. Começa quando seus direitos humano são violados a ponto de ser dito “preciso ir embora”. Mesmo informado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulga pela ONU em 1948, ose direitos de ir e vir, constituir família, ter acesso aos serviços básico de saúde, educação, lazer e tantos outros, na prática, além de informado, ele são de fato assegurados?

A inserção local é um dos primeiro desafio enfrentas. Muito refugiados chegam à nação de acolhida sem redes de apoio, desconhecendo as burocracias socais daquela nação e enfrentando dificuldade habitacional. Em muito casos, são direcionado a abrigos humanitário (ou locais de semelhante definição), onde a permanência prolonga pode dificultar a autonomia e a inclusão efetiva na sociedade. A falta de política publicas eficaz para a integração desses indivíduo agrava essa condição, tornando o recomeço ainda mais árduo.

No que diz respeito a emprego e renda, a maioria dos refugiados enfrenta dificuldade para validar seus diplomas, reencontrar suas professes ou acessar oportunidade dignas de trabalho. A informalidade e a exploração surgem como realdade comuns, submetendo esses indivíduo a jornada exaustivo, baixos salário e, multas vezes, condições degradantes. A ausência de política que facilitem a integração laboral acarreta não apenas dificuldade econômicas, mas também sentimentos de frustração e impotência.

O desafio da comunicação também se impõe de maneira significativo. A barreira linguística dificulta a socialização, a empregabilidade e o acesso a serviços básico, como saúde e educação. A aprendizagem de uma nova língua exige tempo, recursos e apoio institucional, elementos nem sempre garantidos nos passes de acolhimento. Essa dificuldade reforça a sensação de exclusão e limita o desenvolvimento pessoal e profissional desses sujeitos.

A adaptação cultural é outro aspecto complexo. Além das diferença de hábito e valores, muito refugiados enfrentam a xenofobia e o preconceito, que se manifestam de forma estrutural e cotidiana. O discurso de ódio, a discriminação no mercado de trabalho e a marginalização reforçam barreira invisíveis que impedem uma integração plena, fatores que alimentam essas hostilidade.

A experiência do deslocamento migratório forçado também não termina quando são recebidos na nação de acolhida. O refúgio é uma marca que permanece visível aos olhos dos refugiados diariamente, carregada de estigmas, trauma e outros mazelas que se manifestam no cotidiano: na busca por emprego; nas andança nos ônibus e metrô das grandes cidade; nos cometário de seus filhos a respeito do tratamento dos coleguinhas e professores na escola; quando lembram de suas casas e vida em sua nação e não podem retornar a elas; quando buscam em suas memória suas referências agora inalcançáveis em decorrência do distanciamento geográfico de sua nação, enfim, em todo um conjunto de ressignificações em constante transformação.

Refugiados e migrantes não são apenas número em estatísticas de deslocamento; são indivíduo com histórias, sonhos e potencial para contribuir com suas novas comunidades. A integração dessas populares deve ser vista como um investimento, não como um fardo. A responsabilidade de garantir uma acolhida digna não é apenas dos governos, mas da sociedade como um todo. Política publicas eficaz, iniciavas de empregabilidade, programas de ensino de idioma e combate à xenofobia são passos essenciais para transformar desafio em oportunidade.

Tanto migrantes e refugiados, quanto eu e você, temos nossas taxas de recomeços. De um novo emprego, um novo texto, um novo relacionamento, uma outra oportunidade qualquer. Em nossos recomeços, buscamos resinificação, outros oportunidade, dignidade, acolhida. A diferença é que um migrante/refugiado passa por múltiplo e simultâneo processo de recomeços – e muito desses impactam seriamente sua vida e sobrevivência – de modo que são necessário poder público, investimentos, política, e toda uma estrutura para apoiá-los e acolhê-los em suas trajetória de percurso por sobrevivência. É como Caetano escreveu, cantarolado depois por Gal Costa em 1967: “Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer”.

Que um dia as nossas fronteiras (não as física, geográfico) se tornem pontes de acolhimento, tornando nossos recomeços mais leves.

________________
(As opiniões expressas nos artigo publicados no Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem pospões institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetro editorais para artigo de opinião.)

[ad_2]

Por jornal.usp

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.