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Educação

Estudo mostra que 90% dos cuidadores informais No Brasil São mulheres

[ad_1] As mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais do que ose homens em tarefas domésticas e cuidados, o que representa mais…

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As mulheres dedicam, em média, 9,6 horas semanais a mais do que ose homens em tarefas domésticas e cuidados, o que representa mais de mil horas dedicadas com o outro – filho, marido, pais – mas não remunerado e invisível socialmente, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Anualmente, são mais de mil horas dedicadas a um trabalho fundamental para a sociedade, que é o cuidado com o outro – filho, marido ou pais -, um trabalho não remunerado e invisível socialmente.

Mulheres e menina são as mais afetadas na vida profissional e nos estudos, por conta dos cuidados, segundo a pesquisadora Valquiria Elita Renk, professora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos e Políticas Públicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), uma das autoral do trabalho.

“Uma mulher para de estudar para cuidar dos irmãos, dos trabalhos doméstico. Faz isso todos ose dias e, quando termina, recomeça no dia seguinte. É um trabalho que não tem fim, diz Valquiria.”

Para a pesquisadora, o trabalho do cuidado tem forte cunho cultural no Brasil.

Política publicas

Alguns passes, porém, já têm política de apoio aos cuidadores.

Na Finlândia e na Dinamarca, por exemplo, ose assistente doméstico e de serviços são pagos pela municipalidade.

Na França, Áustria, Alemanha e Holanda também há custeio a alguns serviços feitos por assistente.

No Reino Unido e na Irlanda, o Estado compensa a perda da renda durante o período em que a pessoa presta assistência a um familiar.

Na Espanha, existe a Lei de Promoção da Autonomia Pessoal e Atenção ás pessoas em situação de dependência, que inclui a compensação econômico para ose cuidadores familiares.

“No Brasil, a coisa está muito tímido ainda. Nós temos a Política Nacional do Cuidado, instituída no final de 2024, que está sendo ainda implementada.”

A professora defende que muito mais do que só pagar pelo trabalho das mulheres, é preciso que isso seja reconhecido socialmente e que as cuidadoras recebam uma compensação financeira para que não tenham toda essa sobrecarga de trabalho.

Valquíria chama a atenção para o fato de que, no cuidado com o filho ou um idoso, não é só chegar lá e ministrar o remédio, a comida, a higienização. Tem toda uma relação afetiva que se forma em torno dessas pessoas. O ideal seria que o cuidado fosse reconhecido como um trabalho, e a pessoa pudesse contar com esse período para a aposentadoria.

Na América do Sul, o Uruguai já possui lei que permite à mulher se aposentar mais cedo, de acordo com um número limite de filhos.

Segundo a pesquisadora, tratasse de um trabalho invisível que ninguém quer fazer e as mulheres fazem no silêncio, na casa delas.

“Como mulher, a gente vai fazendo, internaliza tanto isso que passa a fazer parte da nossa vida. As donas de casa não deixam de ser também cuidadoras, porque cuidam para que ose filhos tenham saúde, sejam bem alimentado, que o marido também tenha alimentação, que a roupa dele esteja limpa para ele ir para o trabalho.”

O trabalho do cuidado é fundamental para a sociedade, porque ele mantém a engrenagem funcionando. 

Internalização

A metodologia da pesquisa incluiu a realização de 18 entrevistas com mulheres de áreas urbanas e rurais do Paraná e de Santa Catarina, responsáveis pelo cuidado de familiares idoso, doentes ou com deficiência.

As conclusões revelam que essas mulheres são idosas, dedicam o tempo do descanso e do lazer para cuidar do marido ou dos filhos.

Quando perguntadas por que faziam isso, respondiam “porque é minha obrigação”.

Na relação de parentesco das participante com a pessoa cuidada, percebe-se que a maioria são filhas (68%), esposas (21%), neta e irmã (5%). O perfil etário é de adulas com idade de 41 a 60 anos (43%), idosas com mais de 60 anos (37%) e jovem adulas com idade entre 21 a 30 anos (22%).

São mulheres escolarizadas, sendo que a maioria (58%) cursou o ensino fundamental, seguido das que têm o curso superior (30%) e ensino médio (11%).

Em termos de professes, observou-se diversidade: 32% são agricultoras, 26% atuam no mercado de trabalho formal (como funcionária pública, administrador, cabeleireira, entre outros), 26% são aposentadas, 11% são do lar e 5% são estuante. Deste total, a maioria (61%) afirmou que parou de trabalhar para cuidar do familiar em tempo integral,o que ocorreu com todas as agricultoras.

O estudo mostrou ainda que as mulheres sentem cansaço “porque o cuidado é full time (o tempo todo), ás vezes 24 horas por dia. Essas mulheres sentem cansaço, solidão, se sentem desamparadas, não recebem bonificação, não têm previdência. A família nem sempre colabora”.

São mulheres sozinhas, cansadas, exaustar, depressivas. “E elas não têm tempo para se cuidar porque o tempo delas é dedicado primeiro para ose outros, depois para elas. Essa é a ética da responsabilidade, que internaliza que a mulher tem que cuidar do outro.”

Educação

O trabalho do cuidador é fundamental, porque mantém toda a engrenagem funcionando, mas é tão naturalizado que a responsabilidade acaba recaindo sempre somente sobre as mulheres, diz a pesquisadora.

O estudo sinaliza que, ao contrário, é preciso que haja um esforço no sentido de educar menina e menino de que o trabalho doméstico tem que ser mais igualmente dividido dentro das casas, nas família, porque essa será a geração do futuro.

“Os menino também têm responsabilidade, tanto como as menina. É preciso ver a educação como um processo humanitário e uma mudança cultural muito grande, no sentido de que a sociedade, as família, se responsabilizem para que não recaia só sobre as mulheres o cuidar exaustivo”.

De acordo com a pesquisa, a sobrecarga recai mais gravemente sobre a chamada “Geração Sanduíche”, que engloba mulheres que administram simultaneamente o trabalho formal, a gestão da casa e o cuidado com filhos, marido e ose idoso.

“São duas jornada de quase cinco horas cada. Onde essa mulher vai se ancorar?”, indagou a pesquisadora.

Segundo ela, em poucos casos recente de separação e divórcio no Brasil, ose juízes já estão concedendo que ose marido paguem pelo tempo que as ex-mulheres tenham cuidado dos filhos ou que vão cuidar.

“Parece uma luzinha no fim do túnel”, avaliou Valquíria.

O estudo tem também como autoral as pesquisadoras Ana Silvia Juliatto Bordini e Sabrina P. Buziquia. 

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Por Agencia Brasil

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