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Escudo das Américas: quem são os membros de aliança do governo Trump que anunciou sanções contra facções brasileiras

1 de 2 Líderes de países do continente se reúnem com Trump na primeira reunião do Escudo das Américas, em 7 de março de 2026 — Foto: EUTERS/Kevin Lamarque Líderes de países do continente se reúnem com Trump na primeira reunião do Escudo das Américas, em 7 de março de 2026 — Foto: EUTERS/Kevin Lamarque Os membros da coalizão Escudo das Américas assinaram na última terça-feira (22) um acordo para…

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Líderes de países do continente se reúnem com Trump na primeira reunião do Escudo das Américas, em 7 de março de 2026 — Foto: EUTERS/Kevin Lamarque

Líderes de países do continente se reúnem com Trump na primeira reunião do Escudo das Américas, em 7 de março de 2026 — Foto: EUTERS/Kevin Lamarque

Os membros da coalizão Escudo das Américas assinaram na última terça-feira (22) um acordo para designar formalmente as facções narcotraficantes como “ameaças compartilhadas” e torná-las alvos de sanções. As facções brasileiras PCC e CV estão entre os 24 grupos citados como alvos da proposta.

A organização foi criada em março de 2026 durante uma reunião de líderes do continente na Flórida, a convite do presidente dos EUA, Donald Trump. O evento, inclusive, ocorreu em um resort cujo dono é o próprio Trump.

    O grupo é formado por governos ideologicamente alinhados ao governo do republicano e incluem vizinhos do Brasil como Argentina, Bolívia e Peru.

    Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, não foi convidado para a reunião de formação da entidade. Também ficaram de fora representantes da esquerda, como Claudia Sheinbaum, do México, Gustavo Petro, da Colômbia, e Delcy Rodríguez, da Venezuela — a Colômbia entrou no bloco posteriormente, com a posse de Abelardo de la Espriella.

    Trump pede ações contra grupos narcoterroristas na América Latina

    Especialistas apontam a criação da aliança com a “Doutrina Donroe”, projeto do governo Trump de manter os países da América so a zona de influência dos EUA.

    Veja quem são os atuais integrantes do Escudo das Américas:

    • Estados Unidos da América;
    • Argentina;
    • Belize;
    • Bolívia;
    • Chile;
    • Colômbia;
    • Costa Rica;
    • El Salvador;
    • Equador;
    • Guiana;
    • Honduras;
    • Panamá;
    • Paraguai;
    • Peru.

    Sanções contra ‘narcoterroristas’

    O texto que anuncia sanções contra PCC e CV, entre outras facções, é assinado por Estados Unidos da América, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

    “Reconhecendo que uma ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério é aquela representada por organizações narcoterroristas transnacionais — as quais põem em risco a paz e a segurança do hemisfério, bem como a segurança e a prosperidade de nossos cidadãos —, anunciamos hoje a primeira ação conjunta no âmbito de nossos pilares recém-anunciados: ação individual e coletiva para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo”, diz o documento assinado pelos membros da Aliança e divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA.

    “Nesse sentido, declaramos nossa intenção de impor, conforme aplicável e em conformidade com nossas respectivas obrigações legais internacionais e internas: o congelamento de ativos; restrições de imigração e de visto para membros, associados e apoiadores dessas organizações; e a responsabilização criminal de indivíduos que, conscientemente, forneçam apoio material — incluindo apoio logístico — a tais organizações, entre outras medidas. Esta primeira ação conjunta concentrar-se-á nas 24 organizações listadas abaixo, independentemente da denominação que recebam em cada um de nossos países”, diz o texto, que elenca PCC e CV entre os alvos das medidas.

    O documento diz que acionará um mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos para viabilizar a medida.

    O tráfico de drogas foi um dos temas abordados por Trump em sua fala na Assembleia Geral da ONU, na terça.

    “Lançamos o poder das Forças Armadas dos EUA para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos. (…) Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. São inimigos em guerra contra a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror, e por isso eles devem ser mortos, exilados ou detidos”, afirmou Trump.

    Trump: cartéis são o ‘Estado Islâmico’ do Ocidente

    Trump prometeu extinguir o que chamou de “interferência externa” no Hemisfério Ocidental e disse que pode utilizar o poderio militar norte-americano para isso.

    A posição vai ao encontro da Doutrina Monroe, estabelecida no século 19, que busca manter as Américas como área de influência — ou “quintal” — dos EUA, não deixando que outras potências aprofundem relações com países do continente.

    O continente é frequentemente mencionado por membros do governo Trump como “nosso quintal”.

    A fala contrasta com a do presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, que também subiu ao púlpito do plenário da ONU na terça-feira, pouco antes do americano. Lula defendeu o multilateralismo, a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos.

    “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, disse Lula, em seu discurso.

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    O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU, na cidade de Nova Iorque, EUA, em 22 de setembro de 2026 — Foto: Brendan McDermid/Reuters

    O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU, na cidade de Nova Iorque, EUA, em 22 de setembro de 2026 — Foto: Brendan McDermid/Reuters

    Inclusão de traficantes na lista de terroristas

    O governo Trump classificou as facções brasileiras como “terroristas globais”. O governo brasileiro discorda da denominação.

    Na legislação brasileira, terrorismo é definido pela prática de atos violentos “por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio ou a paz pública”.

    Em maio do ano passado, após ser questionado por uma comitiva americana sobre o assunto em uma reunião no Ministério da Justiça, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sabburro, explicou a diferenciação brasileira.

    “Estas organizações criminosas [brasileiras] não têm qualquer viés ideológico, não têm qualquer viés político, religioso, não querem mudar o sistema. Muito pelo contrário, elas pretendem a prática de infrações penais, lavagem de dinheiro”, afirmou o secretário.

    Fonte: G1.

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