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Entre promessas e esperanças: histórias de Fé na Trasladação do Círio de Nazaré

Lilian, Fernanda e Diana compartilham experiências que revelam como a devoção a Nossa Senhora de Nazaré atravessa gerações, acompanha momentos de superação e fortalece a esperança O post Entre promessas e esperanças: histórias de Fé na Trasladação do Círio de Nazaré apareceu primeiro em Mídia NINJA.

Por Manuelly Menezes – Cobertura Colaborativa Círio de Nazaré 2026

A noite chega, as luzes da cidade se acendem e as ruas ganham tons de amarelo, rosa e verde. Entre os elementos que enfeitam o percurso e a multidão que acompanha a Berlinda de Nossa Senhora de Nazaré, diferentes histórias se encontram durante a Trasladação. Em meio às orações, aos gestos de solidariedade e às demonstrações de devoção, cada pessoa carrega consigo motivos para agradecer, pedir e renovar a esperança.

Próximo à rua Quintino Bocaiuva, Lilian Rodrigues participa desse momento distribuindo fitas rosas em alusão ao Outubro Rosa. O gesto, que se repete há cerca de dez anos, nasceu de uma promessa feita por sua sogra após enfrentar um câncer de mama, há aproximadamente 15 anos. Depois de se recuperar, ela passou a confeccionar e distribuir as fitas como forma de agradecer a Nossa Senhora de Nazaré.

Com o passar dos anos, a iniciativa tornou-se uma tradição familiar. Lilian e outros parentes ajudam na preparação e na distribuição das fitas, custeando os materiais e, em alguns casos, acrescentando detalhes, como miçangas. Mais do que entregar um símbolo de conscientização, a família mantém viva uma história de fé e gratidão, transmitindo esses valores às novas gerações.

“Nós somos mães também, e a gente passa a importância do apego à imagem de Maria na nossa vida, que simboliza a nossa mãe. E o amor de mãe, para que a gente veja, é o amor mais puro e mais verdadeiro que existe”, relata Lilian.

Entre a tradição e a superação

Para Fernanda Charone, a Trasladação faz parte de sua história desde os 15 anos. Antes de percorrer o trajeto pela primeira vez, ela costumava assistir à passagem da procissão pela Avenida Nazaré. Foi quando decidiu caminhar que percebeu a diferença entre observar a celebração e vivenciá-la.

“O Círio não dá para explicar, ele precisa ser vivido”, afirma.

Em 2022, Fernanda começou a convidar amigos que nunca haviam participado da Trasladação para viver essa experiência ao seu lado. Assim surgiu a Caravana da Trasladação, formada por ela e seus amigos, que usam camisas personalizadas com os nomes nas costas para se reconhecerem em meio à multidão. A cada ano, novas pessoas se juntam ao grupo, e o que começou como um convite se transformou em uma tradição compartilhada entre amigos.

Neste ano, porém, a participação de Fernanda teve um significado ainda mais especial. Em janeiro de 2026, ela passou 15 dias hospitalizada após ser picada por uma aranha-marrom. Durante esse período, enfrentou incertezas sobre sua recuperação e sobre a possibilidade de voltar a caminhar normalmente. Foi então que fez uma promessa a Nossa Senhora de Nazaré: se conseguisse se recuperar e voltar a andar, participaria novamente da Trasladação.

Após a recuperação, Fernanda retornou à procissão levando consigo uma imagem de Nossa Senhora, gesto que simbolizou sua gratidão pela oportunidade de estar ali novamente. Para ela, a devoção também está ligada ao acolhimento que encontra na figura da santa.

“Eu costumo dizer que Nossa Senhora de Nazaré é o meu colo de mãe”, conta.

Fernanda Charone. Foto: Arquivo pessoal

A fé que acompanha a esperança

Enquanto algumas histórias são marcadas pela gratidão por uma promessa cumprida, outras são acompanhadas pela esperança de dias melhores. É o caso de Diana, tia e madrinha de Davi, de três anos, diagnosticado com leucemia em março de 2026.

Segundo Diana, o menino passou mais de quatro meses hospitalizado e enfrentou complicações durante o tratamento. Atualmente, está em casa, mas continua recebendo quimioterapia. Diante desse percurso, a participação na Trasladação representa um momento de agradecimento pela vida do sobrinho e de oração por sua recuperação.

A fé acompanha Diana durante esse período de incertezas. Mesmo diante das dificuldades, ela acredita na possibilidade de ver Davi recuperado e de retornar à procissão para agradecer por sua recuperação.

“Eu creio muito que ele já tá curado. E eu creio que um dia eu vou voltar aqui pra agradecer pela cura dele”, afirma.

Para ela, estar na Trasladação é uma maneira de expressar a esperança que mantém em relação ao futuro do sobrinho. Sua fala revela uma devoção que se manifesta tanto no agradecimento pela vida quanto no pedido por sua recuperação.

Histórias que se encontram na fé

As experiências de Lilian, Fernanda e Diana mostram que a participação na Trasladação pode carregar significados diferentes para cada pessoa. Para Lilian e sua família, a promessa feita após a recuperação da sogra se transformou em uma tradição de gratidão e conscientização. Para Fernanda, voltar a caminhar na procissão após um período de hospitalização representa a possibilidade de dar continuidade a uma história construída ao longo dos anos e compartilhada com os amigos. Para Diana, a caminhada é marcada pela esperança de ver o sobrinho recuperar a saúde.

Entre fitas distribuídas, imagens carregadas e orações feitas em meio à multidão, essas histórias revelam que a fé pode ser vivida de diferentes maneiras. Na noite da Trasladação, cada passo carrega uma lembrança, uma promessa ou um pedido. E, entre tantas pessoas reunidas pelas ruas de Belém, histórias particulares se encontram em um mesmo sentimento: a esperança.

Diana. Foto: Manuelly Menezes

Fonte: Mídia Ninja.

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