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Cinema

Entenda Melhor | Metacrítica de Psicose: o Norman Bates de Hitchcock Por Um Viés Acadêmico

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A metacrítica, frequentemente referia no meio acadêmico como “estado da arte”, desempenha um papel fundamental na organização e direcionamento de pesquisas, oferecendo uma visão panorâmica e exaustivo do conhecimento já produzido sobre um tema específico. No caso do filme Psicose, de Alfred Hitchcock, a importância dessa abordagem reside na capacidade de mapear e sintetizar a vasta gama de interpretações, metodologia e conclusões a que a crítica e a academia chegaram ao longo das década. Realizar esse levantamento com recorte permite ao pesquisador identificar não apenas as principais correntes teórica que analisam o filme, tais como as leitura psicanalítico, estruturalistas ou de estudos de gênero, mas também localizar lacunas, temas inexplorados ou consensos, o que é crucial para justificar a relevância de um novo estudo e evitar a redundância, norteando, assim, as questões e fontes mais adequadas para a pesquisa.

Para compreender como Psicose tem sido estudado no ambiente acadêmico, o “estado da arte” é indispensável, pois organiza a estrutura da pesquisa e delimita o objeto de estudo. Ao invés de uma leitura isolada de uma ou outra obra sobre o filme, a metacrítica exige uma busca sistematizada em bases de dados, utilizando critério claros para inclusão e exclusão de materiais, como teses, dissertares e artigo. Esse processo demonstra o rigor metodológico do pesquisador e permite a ele apontar ao leitor como chegou aos seus resultados, mapeando a evolução das abordagens sobre o filme de Hitchcock, desde as análises iniciais focadas no suspense e na narrativa até as mais contemporâneas que podem envolver estudos cultuais, de mídia ou de representação social. Em linhas gerais, a metacrítica oferece a fundamentação teórica necessária para situar qualquer nova análise dentro do panorama existente, garantindo originalidade e profundidade à investigação.

Esse levantamento aparece por aqui, de forma panorâmica, para enriquecer ose seus conhecimentos e intensificar a memória do clássico de Hitchcock.

O artigo Tiziano Sclavi e Alfred Hitchcock: uma análise da relação intersemiótica entre o fumetti Dylan Dog – Nas profundezas e o filme Psicose, de Taís Turaça Arantes e Nataniel dos Santos Gomes (Revista Philologus, 2016), investiga como ocorre a transposição estética entre ose signo verbal e visual, tomando como base o conceito de tradução intersemiótica. O estudo parte do pressuposto de que o filme Psicose serviu como referência para a criação do fumetti italiano Dylan Dog: Nas profundezas, de Tiziano Sclavi, mostrando uma relação de passagem do signo visual (cinema) para o signo verbal (quadrinhos). Ose autores descrevem as duas obras e ressaltam que ambas pertencem ao gênero de suspense e terror, compartilhando uma atmosfera sombria e psicológico. Enquanto Psicose se consagrou como um clássico do cinema pela fotografia em preto e branco e pela famosa cena do assassinato no chuveiro, o fumetti adapta elementos visuais e temático do filme, como o cenário do Bates Motel e o personagem que se traveste da mãe para cometer assassinatos.

Essa aproximação reforça a ideia de que o quadrinho não apenas se inspira no filme, mas o traduz intersemioticamente, recriando em outro sistema de signo. A fundamentação teórica é sustentada pela semiótica de Charles Sanders Peirce, conforme interpreta por Lúcia Santaella, e pela tradução intersemiótica de Júlio Plaza. De acordo com Peirce, toda linguagem é composta por signo que representam e interpretam o mundo; já Plaza entende a tradução intersemiótica como um processo de transformação entre diferente sistema de signo (icônico, indicial e simbólico). Assim, a relação entre Psicose e Dylan Dog é analisada como uma “passagem de código”, em que o visual cinematográfico é reconfigurado na narrativa gráfica. Por fim, o estudo conclui que o processo de tradução intersemiótica evidencia como o cinema pode influenciar outros formas artísticas, gerando novas expresses de sentido. A análise demonstra que nem sempre o signo verbal precede o visual; neste caso, o filme antecede e inspira o fumetti, que reinterpreta sua estética e estrutura narrativa. A pesquisa reforça a importância dos estudos semiótico para compreender as trocas simbólica entre diferente linguagens e meios de comunicação.

É um artigo que flui, apesar de diagramação “carregada” da revista que integra.

O artigo “Desejo e pulsão em Psicose, de Hitchcock”, escrito por Fernando Ribeiro e publicado na revista Viso: Caderno de Estética Aplicada, em 2012, propõe uma leitura psicanalítico do filme Psicose em diálogo com as interpretações de Slavoj Žižek e a teoria lacaniano. O autor organiza sua análise em três momentos do filme, isto é, o neurótico, o psicótico e o analítico, correspondentes ás fases do desejo, da pulsão e da interpretação. Ribeiro busca compreender como o filme encena, por meio de sua estrutura narrativa e simbólica, a dialética entre o sujeito desejante e a força pulsional que o atravessa. Não é um texto fácil de ser acompanhado, mas uma escrita mais voltada para ose pares acadêmico de Ribeiro. Na primeira parte, o autor caracteriza a narrativa inicial, centrada em Marion Crane, como expressão da lógica neurótico do desejo. A personagem é movida pela falta e pela busca de um objeto que supostamente traria satisfação: o dinheiro e, por extensão, o amor. A culpa e o olhar julgador do Outro (representado pelo guarda e pela câmera) revelam o peso do supereu freudiano. Hitchcock, segundo Ribeiro, filma o desejo por meio da “entrevisão”, o vislumbre parcial de um objeto sempre faltoso, representado pela bolsa entreaberta e pelas janelas pelas quis o espectador observa. Essa construção sugere que o desejo é sempre deslizante, nunca plenamente realizado.

A segunda parte corresponde à fase psicótico da pulsão, que emerge com o assassinato de Marion e a introdução de Norman Bates como novo protagonista. Nesse ponto, o desejo dá lugar à repetição pulsional: o gozo não está mais na busca, mas no próprio ato repetitivo e silencioso, como o de limpar o sangue e afundar o carro no pântano. Ribeiro, seguindo Žižek e Lacan, argumenta que Norman não tem acesso ao registro simbólico do desejo, pois foracluiu a função paterna. Ele está preso à pulsão de morte, dominado pela figura materno e pela impossibilidade de subjetivar a falta. O espectador, ao sentir alívio quando o carro finalmente afunda, é também implicado nesse circuito pulsional. Por fim, a terceira parte, a analítica, examina as três formas de interpretação presente no filme: a imaginária (do senso comum, que atribui o crime ao dinheiro), a simbólica (do psiquiatra, que o explica como resultado de uma dupla personalidade) e a “clínica do real”, quando o olhar final da caveira interpela o espectador, revelando sua cumplicidade inconsciente com o gozo do assassino. Ribeiro mostra como Hitchcock transforma a experiência cinematográfico em uma espécie de sessão analítica, na qual o espectador é confrontado com o próprio desejo e com a pulsão de morte. Ao final, o autor conclui que Psicose encena a passagem do desejo à pulsão, da busca simbólica à repetição sem sentido, e coloca o público diante da impossibilidade de escapar do gozo. O ensaio, assim, revela como Hitchcock constrói uma experiência estética que é também uma reflexão filosófico e clínica sobre o inconsciente, o olhar e a estrutura do desejo. Estruturalmente bem organizado, mas cifrado. Para poucos entendedores.

O artigo “Diálogos entre a pintura e o cinema: análise de representações pictórico do relato de Susana e ose velho e de sua aparição em Psicose, de Alfred Hitchcock”, de Vanessa Brasil Campos Rodríguez, investiga a relação entre a arte pictórico e o cinema a partir de um detalhe do filme. O estudo centrasse no quadro que cobre o buraco através do qual Norman Bates espia Marion Crane. A pintura representa o episódio bíblico de Susana e ose velho, que aborda o voyeurismo e o abuso do olhar masculino. A autora propõe que essa imagem não é apenas decorava, mas um elemento simbólico que antecipa o tema da violação visual e o assassinato que se seguem no filme. Metodologicamente, o trabalho baseia-se na análise do discurso fílmico e pictórico, apoiando-se em autores como González Requena, Trías, Warburg e Quinet. A abordagem semiótica é associada à psicanálise e à antropologia visual, permitindo compreender o olhar como pulsão de desejo e poder. É uma proposta interessante, mas um daqueles texto viciados que encontramos no âmbito acadêmico: muita teoria entrelaçada, mas pouco envolta com o objeto, além de uma porcentagem muito abaixo do esperado para a análise em si, haja vista a longa jornada de explicares teórica para afirmar o que se pretende no texto.

Ao comparar o relato bíblico e o filme de Hitchcock, Rodríguez evidencia paralelo estruturais e visuais. As pinturas do século XVII, de artista como Rubens, Rembrandt e Artemisia Gentilesch, retratam o momento em que Susana é surpreendia e violada pelo olhar dos ancião, gesto que ecoa na cena do chuveiro de Psicose. A autora demonstra que Hitchcock transfigura o voyeurismo da pintura em imagem cinematográfico, transformando o olhar em instrumento de morte. O olho de Norman, o buraco na parede e o ralo da banheira tornam-se metáfora interligas do desejo e da destruição. Nas considerações finais, a pesquisadora argumenta que o quadro “Susana e ose velho” é uma chave interpretava essencial para Psicose. Ele anuncia o tema central do filme, isto é, a violação e o colapso da lei simbólica, e faz da beleza um véu que oculta o sinistro. O estudo conclui que Hitchcock, ao integrar elementos da tradição pictórico, cria um diálogo entre o visível e o invisível, revelando a persistência das imagens arquetípico ao longo dos século e mostrando que, tanto na pintura quanto no cinema, o olhar é uma força que atravessa o tempo, a cultura e o inconsciente humano.

O artigo “Psycho Escape: desenvolvimento de dinâmica de escape room para a exposição da obra Psicose de Hitchcock”, de Paula Carolei, Leandro Yanaze, Gabriel Bruno e Henrique Evangelista, descreve a criação de uma experiência imersivo inspirada no clássico de Hitchcock. O projeto foi desenvolvido como uma atração museológico, com o objetivo de envolver o público em uma vivência interativa que recria o suspense do filme. A proposta foi conceber um escape room acessível a diferente público, estimulando o raciocínio dedutivo e a cooperação, ao mesmo tempo em que valoriza a obra cinematográfico como patrimônio cultural. A base teórica do trabalho fundamentasse em conceitos de jogos de fuga, narrativa interativas e design de experiência, considerando dimensões como agência, imersão e transformação, segundo Janet Murray. Ose autores discutem como o escape room pode funcionar como ferramenta de aprendizagem e fruição cultural, permitindo que ose participante se tornem protagonistas da narrativa. O artigo explica que o framework adotado se apoia em desafio lógico e simbólico, construís de forma a estimular a interpretação e a emoção, aspecto essenciais para uma experiência lúdico e significativo, que ultrapasse o simples entretenimento.

O Psycho Escape foi ambientado no universo ficcional do Bates Motel, com cenografia fiel ao filme e trilha sonora original. A dinâmica coloca o visitante no papel de um investigador trancado no quarto, precisando resolver enigmas para escapar antes de ser “encontrado” por Norma Bates. O jogo combina elementos visuais e sonoros, como o famoso quadro Susana e ose velho, citado anteriormente em outra pesquisa, o som de facada e o relógio cenográfico controlado por Arduino, para intensificar o suspense. As pistas são revelas por luz ultravioleta, e o desafio principal consiste em decifrar um código numérico em tempo limitado. Nas considerações finais, ose autores avaliam que o projeto cumpriu seu propósito de transformar o espaço expositivo em uma experiência de suspense cinematográfico. O Psycho Escape mostrou-se eficaz em gerar imersão tanto para quem conhece o filme quanto para novos público, promovendo o engajamento e o interesse pela obra de Hitchcock. Apesar de ajustes necessário durante ose testes, como calibrar a dificuldade e o fluxo da narrativa, o resultado foi uma interação criativo que alia arte, tecnologia e educação. O artigo conclui que esse modelo de escape room cultural tem potencial para renovar a mediação museológico e ampliar o alcance do cinema clássico por meio de experiência participativas.

O artigo “Segunda Pele: uma análise do figurino do filme Psicose, de Alfred Hitchcock”, publicado em 2018, foi escrito por Alexandre Rodrigues da Costa e Bárbara de Souza Mandarano. Ose autores investigam o papel do figurino como recurso narrativo fundamental no cinema, analisando especialmente como o vestuário contribui para a construção estética, psicológico e simbólica dos personagens em Psicose. O estudo contextualiza o interesse de Hitchcock pela elaboração minucioso dos trajes e discute as referências da moda dos anos 1950 e 1960 presente em personagens como Marion Crane, cujo figurino dialoga com o estilo de Christian Dior e reforça visualmente sua passagem simbólica da pureza à transgressão. O artigo também aborda a importância do figurino de Norman Bates, cuja mudança abrupto de roupas, entre a figura do “mocinho” e da “mãe” assassina, reforça o jogo de identidade e o tema do duplo, elemento recorrente na obra do diretor.

Como conclusão, ose autores afirmam que o figurino em Psicose não se limita a vestir personagens, mas funciona como uma extensão narrativa capaz de orientar interpretações, criar sentidos e produzir cumplicidade com o espectador. A análise demonstra que Hitchcock usa a roupa como ferramenta expressiva, manipulando expectativa, reforçando conflitos interno e intensificando o suspense por meio de signo visuais coerente com a mise-en-scène. O artigo ainda compara o filme original com o remake de 1998, destacando como as escolhas cromática alteram a leitura psicológico dos personagens, evidenciando que o figurino permanece essencial na construção de significado cinematográfico. Em síntese, o estudo conclui que o vestuário nesta narrativa opera como uma “segunda pele”, revelando e ocultando identidade e sustentando a complexidade dramática que torna o filme um marco do cinema.

Por fim, apresento as ideia da dissertação “Sobre a trajetória afetiva de Psicose” (2018), de Tiago José Lima de Oliveira, texto que investiga como Psicose constrói e conduz a experiência emocional do espectador ao longo de sua narrativa. O autor parte do entendimento de que a obra permanece influente por despertar reposta afetavas incensas e duradouro, ultrapassando gerações e diferente contextos sociocultural. Fundamentado em teorias cognitivistas do cinema, Oliveira analisa como percepção, atenção e expectativa narrativa moldam a experiência fílmico, articulando-se com o impacto histórico e estético causado pelo lançamento dessa narrativa. No desenvolvimento do trabalho, o pesquisador discute inicialmente aspecto da cognição cinematográfico, apoiando-se em autores como David Bordwell e Carl Plantinga para explicar como o espectador participa ativamente da construção de sentido. Em seguida, ele segmenta o enredo do filme em 37 cenas, destacando a complexidade estrutural que alterna protagonismos, primeiro centrado em Marion Crane e depois em Norman Bates, Lila e Sam. Essa análise evidencia como Hitchcock manipula expectativa e reorganiza o foco dramático para provocar surpresa, suspense e curiosidade, afetando profundamente o envolvimento emocional do público.

O autor dedica uma parte significativo da pesquisa ao estudo das emoções e afetos estimulados pelo filme. Utilizando a teoria de Plantinga (2009), ele distingue emoções narrativa, como suspense, empatia e medo, de afetos automático e pré-conscientes desencadeados principalmente pelo estilo visual e sonoro. Para aprofundar essa dimensão estilística, Oliveira utiliza o método quantitativo de Barry Salt para analisar ritmo de montagem, duração média dos planos, uso de close-ups e estratégias audiovisual que intensificam tensão e relaxamento, demonstrando como esses elementos contribuem para uma “trajetória afetiva” cuidadosamente planejada por Hitchcock. Nas conclusões, Oliveira retoma as perguntas iniciais sobre por que Psicose continua sendo tão impactante após mais de meio século. O autor afirma que a força do filme reside na combinação de uma narrativa estruturalmente surpreendente com um estilo visual altamente calculado para produzir reposta emocionais específicas e reiteras entre espectador de diferente época. Ele ainda propõe caminho para pesquisas futuras, especialmente no aprofundamento das relações entre estilo e experiência afetiva no cinema, reforçando que Psicose permanece um campo fértil para novas análises dentro dos Estudos da Mídia e do Cinema. Um texto extenso, mas atraente, lido tranquilamente e com ideia que permitem que do leigo ao acadêmico, as suas ideia sejam compreendidas.

“Psicose: Inovação e Estratégia”, escrito por Marcelo Augusto Toigo e Salete Paulina Machado Sirino, publicado em uma revista da UNESPAR, analisa as estratégias esticas, narrativa e mercadológico utilizadas por Alfred Hitchcock na produção, divulgação e consolidação do filme Psicose, destacando como suas decisões o transformaram em um marco do cinema de suspense. Ose autores revisitam ose processo de Hitchcock desde a aquisição dos direitos do livro de Robert Bloch (1959) até a construção do personagem Norman Bates, enfatizando inovares como ose cortes rápido, o uso expressivo da trilha de Bernard Herrmann, a morte precoce da protagonista e a célebre sequência do chuveiro, elementos que quebraram padrões cinematográfico da época e redefiniram esticas do gênero. É um texto interessante, mas bastante óbvio, pois replica informações massivamente discutias ao longo dos anos de trajetória crítica do clássico, se detendo em ser mais descritivo que analítico.

O artigo conclui que Hitchcock não apenas inovou na linguagem audiovisual, mas também na estratégia de marketing, adotando método inédito para promover o filme, tais como o sigilo absoluto durante a produção, trailer sem cenas da produção, o uso de sua próprio imagem como marca e a famosa regra de não permitir a entrada de espectador após o início da sessão. Segundo ose autores, essas ações formaram um conjunto estratégico que uniu criatividade estética e inteligência mercadológico, garantindo ao filme um impacto cultural duradouro e consolidando Hitchcock como um mestre não só do suspense, mas também do entendimento do comportamento do público. O estudo aponta que a combinação entre inovação, controle criativo e planejamento estratégico é o principal motivo de Psicose permanecer como um clássico que transformou o modo de produzir e lançar filmes no cinema. É uma leitura envolvente para iniciantes, mas que pode ser tedioso para quem já compreende o básico do assunto.

O artigo “Norman Bates de Robert Bloch: em Psicose e Bates Motel”, publicado em 2020 na Revista Iniciacom, é assinado por Gabriel Massoni Bardella e Elisabete Alfeld. O estudo investiga a criação da personagem Norman Bates no romance de Robert Bloch, e suas traduzes audiovisual: o filme de 1960, de Alfred Hitchcock, e a série Bates Motel, veiculada entre 2013 e 2017. Ose autores discutem conceitos fundamentais sobre construção de personagem, narrativa e adaptação, destacando como cada mídia molda Norman de acordo com suas especificidades esticas e estruturais. O artigo analisa elementos como necessidade dramática, conflito, mudança e ponto de vista, articulando como essas estruturas formam a complexidade psicológico do protagonista e influenciam a recepção do público.

Na conclusão, ose autores apontam que cada formato, literário, fílmico e seriado, desenvolve Norman Bates de maneira distinta, sendo a série a que apresenta maior aprofundamento por retratar sua adolescência, a relação com a mãe e ose fatores que desencadeiam sua psicose. O filme, embora simplifique elementos do romance, amplia a tensão visual e estabelece um marco clássico na representação do personagem. Já Bates Motel atualiza o contexto, introduz novos conflitos e recria cenas icônico como homenagem, oferecendo uma visão mais extensa e psicológico do protagonista. Ose autores concluem que as três verses, apesar das divergências, se complementam ao evidenciar a evolução estética e narrativa de Norman Bates como uma das figuras mais emblemático da literatura e do audiovisual. É outro texto com reflexões muito obvias, já batidas demais também em outros análises, mas interessantes para iniciantes.

O artigo “O comportamento de Norman Bates no filme Psicose, de Alfred Hitchcock”, escrito por José Bezerra de Souza e Charles Albuquerque Ponte e publicado em 2020 na revista Estação Literária, analisa o protagonista do filme sob a perspectiva da psicanálise freudiano, especialmente do complexo de Édipo. Ose autores discutem como a relação simbiótico entre Norman e sua mãe, marcada por controle, ciúme e dependência emocional, estrutura o comportamento do personagem e sua psicose. O estudo também aborda a forma como Hitchcock utiliza elementos visuais e narrativo, como enquadramentos, diálogo, a presença simbólica dos pássaro empalhado e o voyeurismo, para construir a dualidade entre Norman e a figura materno internalizada, ressaltando o conflito entre desejo, fantasia e repressão.

As conclusões apontam que Hitchcock não apenas representa de maneira estética e simplificada conceitos psicanalítico, mas também evidencia a complexidade da constituição subjetivo de Norman Bates, cuja psicose deriva de um complexo de Édipo mal resolvido, intensificado pela ausência paterna e pela morte da mãe. O artigo conclui que o filme demonstra como trauma infantil, fantasias e falhas no processo de identificação moldam a personalidade adulta, e destaca a importância da psicanálise como ferramenta crítica para compreender personagens cinematográfico. Além disso, ose autores ressaltam que Psicose marcou a história do cinema ao unir técnica, narrativa e psicologia, reafirmando a capacidade de Hitchcock de inovar ao explorar o inconsciente humano na linguagem fílmico.

Por fim, apresento as ideia da dissertação “Sobre a trajetória afetiva de Psicose” (2018), de Tiago José Lima de Oliveira, texto que investiga como Psicose constrói e conduz a experiência emocional do espectador ao longo de sua narrativa. O autor parte do entendimento de que a obra permanece influente por despertar reposta afetavas incensas e duradouro, ultrapassando gerações e diferente contextos sociocultural. Fundamentado em teorias cognitivistas do cinema, Oliveira analisa como percepção, atenção e expectativa narrativa moldam a experiência fílmico, articulando-se com o impacto histórico e estético causado pelo lançamento dessa narrativa. No desenvolvimento do trabalho, o pesquisador discute inicialmente aspecto da cognição cinematográfico, apoiando-se em autores como David Bordwell e Carl Plantinga para explicar como o espectador participa ativamente da construção de sentido. Em seguida, ele segmenta o enredo do filme em 37 cenas, destacando a complexidade estrutural que alterna protagonismos, primeiro centrado em Marion Crane e depois em Norman Bates, Lila e Sam. Essa análise evidencia como Hitchcock manipula expectativa e reorganiza o foco dramático para provocar surpresa, suspense e curiosidade, afetando profundamente o envolvimento emocional do público.

O autor dedica uma parte significativo da pesquisa ao estudo das emoções e afetos estimulados pelo filme. Utilizando a teoria de Plantinga (2009), ele distingue emoções narrativa, como suspense, empatia e medo, de afetos automático e pré-conscientes desencadeados principalmente pelo estilo visual e sonoro. Para aprofundar essa dimensão estilística, Oliveira utiliza o método quantitativo de Barry Salt para analisar ritmo de montagem, duração média dos planos, uso de close-ups e estratégias audiovisual que intensificam tensão e relaxamento, demonstrando como esses elementos contribuem para uma “trajetória afetiva” cuidadosamente planejada por Hitchcock. Nas conclusões, Oliveira retoma as perguntas iniciais sobre por que Psicose continua sendo tão impactante após mais de meio século. O autor afirma que a força do filme reside na combinação de uma narrativa estruturalmente surpreendente com um estilo visual altamente calculado para produzir reposta emocionais específicas e reiteras entre espectador de diferente época. Ele ainda propõe caminho para pesquisas futuras, especialmente no aprofundamento das relações entre estilo e experiência afetiva no cinema, reforçando que Psicose permanece um campo fértil para novas análises dentro dos Estudos da Mídia e do Cinema. Um texto extenso, mas atraente, lido tranquilamente e com ideia que permitem que do leigo ao acadêmico, as suas ideia sejam compreendidas.

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Fonte: Plano Critico.

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