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Eleições em Israel: urnas são fechadas, e pesquisas de boca de urna indicam impasse

1 de 3 Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot — Foto: Yonatan Sindel/Pool via REUTERS e REUTERS/Shir Torem Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot — Foto: Yonatan Sindel/Pool via REUTERS e REUTERS/Shir Torem As urnas fecharam em Israel, que teve suas primeiras eleições gerais no país desde o início da guerra na Faixa de Gaza nesta terça-feira (27). Segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais redes de televisão, o…

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Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot — Foto: Yonatan Sindel/Pool via REUTERS e REUTERS/Shir Torem

Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot — Foto: Yonatan Sindel/Pool via REUTERS e REUTERS/Shir Torem

As urnas fecharam em Israel, que teve suas primeiras eleições gerais no país desde o início da guerra na Faixa de Gaza nesta terça-feira (27). Segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais redes de televisão, o pleito terminou com um aparente impasse.

  • SANDRA COHEN: Eleição em Israel equivale a julgamento popular de Netanyahu

Os levantamentos indicam que nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem seu principal adversário, Gadi Eisenkot, devem conquistar maioria no Parlamento, ou 61 das 120 cadeiras.

  • O bloco de oposição lidera por uma margem estreita, conquistando entre 52 e 53 das vagas
  • A coalizão governista de Netanyahu, por sua vez, teria obtido 50 acentos.

Dois partidos árabes israelenses poderiam conquistar um número recorde de cadeiras: 17 ou 18, segundo as mesmas pesquisas.

  • O partido Ra’am (Lista Árabe Unida, de orientação islâmica moderada), liderado por Mansur Abbas, deverá obter sete cadeiras,
  • A Lista Unificada de (extrema esquerda) conquistaria dez ou 11 assentos.

O resultado pode favorecer Netanyahu e permitir que ele permaneça no poder como chefe de um governo interino enquanto os partidos tentam formar uma coalizão. A apuração final pode levar dias, e a fragmentação política do país dá às legendas menores um papel decisivo na formação de uma maioria.

Com a popularidade em baixa e alvo de processos na Justiça israelense e um de mandado de prisão internacional, Netanyahu tenta se reeleger. No entanto, chega às eleições em desvantagem e corre o risco de perder o posto, embora nenhum outro partido mostre força suficiente para tomar o cargo.

➡️Os israelenses foram às urnas nesta terça para eleger os 120 deputados que compõem o Knesset, como é chamado o Parlamento israelense.

Em Israel, um partido precisa ocupar pelo menos 61 assentos na Casa para obter maioria e, então, indicar quem será o primeiro-ministro. Nenhum partido alcançou a bancada e, por isso, a formação de coalizões é necessária para governar o país.

A votação registrou participação recorde e foi a primeira eleição desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Os eleitores avaliaram a atuação de Netanyahu durante os conflitos que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã.

As políticas da coalizão de direita do primeiro-ministro dividiram a população israelense e aprofundaram o isolamento internacional do país. Netanyahu, porém, apresentou-se durante a campanha como o líder mais preparado para enfrentar os adversários de Israel.

Um dos partidos da aliança é a sigla da extrema direita Otzma Yehudit, do polêmico Itamar Ben-Gvir, atual ministro de Segurança Nacional de Netanyahu. Principal braço da coalizão do governo israelense, a legenda não deve chegar a 9 assentos.

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O líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, também ex-chefe das Forças Armadas de Israel, agita bandeira após falar em comício em Tel Aviv, em 25 de outubro de 2026. — Foto: David Goldman/ AP

O líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, também ex-chefe das Forças Armadas de Israel, agita bandeira após falar em comício em Tel Aviv, em 25 de outubro de 2026. — Foto: David Goldman/ AP

Luta pelo poder

Aos 77 anos, Netanyahu ocupou o cargo de primeiro-ministro por quase 19 dos últimos 30 anos e sobreviveu a diversas crises políticas. Ele chegou à eleição sob acusações de corrupção que enfrenta há anos e nega, além de críticas pelas falhas de inteligência que permitiram o ataque do Hamas em 2023. Na ocasião, militantes mataram 1.200 pessoas e fizeram 251 reféns.

Eisenkot, de 66 anos, é um ex-chefe militar de perfil linha-dura que perdeu um filho e dois sobrinhos na guerra em Gaza. Ele se tornou o principal adversário de Netanyahu ao destacar sua experiência na área de segurança e, ao mesmo tempo, apresentar-se como uma alternativa de centro na política interna.

O ex-comandante entrou na política há apenas quatro anos e integrou o gabinete de guerra de Netanyahu após os ataques do Hamas. Oito meses depois, deixou o governo e criticou a liderança do primeiro-ministro.

Se nenhum dos dois conseguir reunir apoio suficiente para formar uma maioria parlamentar, Israel poderá enfrentar longas negociações para a formação de um governo ou a convocação de novas eleições.

Foi o que aconteceu alguns anos atrás, quando Israel fez cinco eleições, até que, no fim de 2022, Netanyahu garantiu a maioria com uma decisão controversa.

Na ocasião, ele topou aliança com o partido de Ben Gvir, da extrema direita, em uma parceria vista por vários especialistas como um dos fatores propulsores da guerra.

Isso porque Ben Gvir, que virou ministro, fez forte pressão para que Netanyahu sufocasse palestinos na Cisjordânia, permitindo novos assentamentos ilegais de judeus. O ministro também já defendeu a ocupação total da Faixa de Gaza.

Narrativa bélica

7 de outubro é tema central das eleições de Israel

Para tentar capitanear eleitores indecisos, Netanyahu insiste no discurso da guerra, que ainda tem apoio expressivo dentro de Israel. Embora o conflito em Gaza tenha desgastado internamente o premiê, a guerra que ele trava contra o Irã renovou o apoio popular a ofensivas israelenses.

👉 As eleições são as primeiras desde que o Hamas invadiu Israel, há três anos, em uma matança que deixou mais de 1.200 mortos e fez com que Netanyahu declarasse guerra ao grupo terrorista, financiado pelo Irã. O conflito, que só na Faixa de Gaza deixou cerca de 75 mil palestinos mortos, se alastrou pelo Oriente Médio e sofreu intervenção dos EUA, aliado de Israel e em guerra aberta contra Teerã.

Para o pleito, Netanyahu também tentou capitalizar a parceria com Trump, mesmo que a aliança tenha se enfraquecido neste ano por discordâncias dos dois sobre ataques ao Irã.

Mas a narrativa bélica foi a maior aposta do premiê israelense para tentar angariar mais votos. Ao longo da campanha, ele tem insistido que a guerra no Irã é a última chance de Israel de combater inimigos contrários à existência do país.

👉 Na segunda-feira (26), a imprensa israelense relatou que Netanyahu pressionou as Forças Armadas para deflagrar uma escalada contra Teerã. O gabinete do premiê negou a informação oficialmente, mas Netanyahu, ainda de acordo com a imprensa israelense, prometeu demitir lideranças militares por conta de uma suposta resistência a um ataque horas antes das eleições.

Diante da notícia, a oposição acusou o premiê de colocar em risco a estabilidade regional em prol de sua própria sobrevivência política. Gadi Eisenkot, seu principal rival, pediu ao premiê não “ousar colocar seus próprios interesses políticos acima da segurança do Estado”.

Em uma publicação no X, Eisenkot escreveu: “Netanyahu, estou de olho em você”.

A oposição também defende que o premiê seja responsabilizado pelas falhas relacionadas ao ataque de 7 de outubro. Já apoiadores afirmam que Netanyahu conduziu o país na superação de seu momento mais difícil.

Pesquisas apontam que os eleitores estão divididos entre os dois argumentos.

Mas, apesar das críticas, os principais rivais do premiê possuem abordagens semelhantes em relação à segurança regional de Israel, tanto no que diz respeito a Gaza quanto ao Irã.

Com Reuters e AFP

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Netanyahu em campanha, às vésperas das eleições nacionais de Israel, em Tel Aviv — Foto: REUTERS/Itai Ron

Netanyahu em campanha, às vésperas das eleições nacionais de Israel, em Tel Aviv — Foto: REUTERS/Itai Ron

Fonte: G1.

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