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Cultura

Ela passava 16 horas no Instagram. Agora, um júri vai decidir se a Meta e o Google têm culpa nisso

Pais que afirmam que as redes socais levaram seus filhos à morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles Ethan Swope/Getty Images/AFP Kaley ficava no Instagram até pegar no sono. Ela acordava no meio da noite para conferir as notificações. Abria o aplicativo assim que acordava. Um dia, passou 16 horas...


Pais que afirmam que as redes socais levaram seus filhos à morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles
Ethan Swope/Getty Images/AFP
Kaley ficava no Instagram até pegar no sono. Ela acordava no meio da noite para conferir as notificações. Abria o aplicativo assim que acordava. Um dia, passou 16 horas nessa rede social.
“Parei de interagir com minha família porque passava todo o meu tempo nas redes socais”, relatou Kaley a um júri em Los Angeles, nos EUA, durante um processo histórico contra a Meta e o Google, duas das maiores empresas do mundo.
O TikTok e o Snapchat, que também foram citados no processo original, fizeram um acordo extrajudicial.
Conheci apenas por seu primeiro nome ou pelas iniciais KGM, para proteger sua privacidade, a história de Kaley se tornou o caso exemplar para mais de 2 mil processo semelhante que buscam responsabilizar as empresas de redes socais pelos suposto danos à saúde mental de seus usuário mais jovem.
Esse é o primeiro julgamento do tipo, e ele é acompanhado de perto por especialistas jurídico e pais que acreditam que seus filhos foram prejudicas, até mesmo levados ao suicídio, por causa das redes socais.
Veja ose vídeo que estão em alta no g1
Lori Schott passou vários dias de olho no julgamento em Los Angeles, apesar de não ter participado do processo.
Sua filha Annalee tirou a próprio vida aos 18 anos, uma tragédia que Schott atribui à forma como o Instagram a expôs a conteúdos psicologicamente prejudiciais, apesar de a empresa supostamente saber o que essas postagens poderiam causar aos jovem.
“Eles esconderam as evidências que tinham. Sabiam que era viciante. Nos deram uma falsa sensação de segurança”, disse Schott, descrevendo à BBC o que aprendeu com o julgamento. “A equipe de relações publicas deles parecia apenas tentar nos convencer de que o mundo era um mar de rosas.”
Alto risco
O cerne desse caso reside em saber se Kaley era viciada em redes socais — e se as empresas de redes socais projetaram as plataforma justamente para serem viciantes.
Caso isso se confirme, o júri precisará decidir o que as empresas devem a jovem como Kaley, que podem ter sido prejudicas por causa disso.
O que está em jogo neste julgamento, para a Meta, o Google e outros plataforma de redes socais, é muito importante.
A maioria das questões legais do caso, principalmente a de que as plataforma de redes socais são viciantes para jovem usuário e foram projetas intencionalmente para serem assim, são “completamente inéditas”, como afirmou a juíza Carolyn Kuhl diversos vezes ao longo do julgamento.
O resultado pode ser tão potencialmente controverso que o próprio Mark Zuckerberg, bilionário cofundador e CEO da Meta, proprietária do Instagram, Facebook e WhatsApp, compareceu pessoalmente para defender as suas plataforma.
Foi a primeira vez que ele prestou um depoimento do tipo diante de um tribunal, apesar de sua empresa ter sido processada centenas de vezes no passado.
Se o júri decidir a favor de Kaley, isso abalaria década de precedente legais e cultuais que trataram as plataforma como meros repositórios da natureza humana.
Isso também abriria caminho para possíveis acordos histórico a serem pagos por empresas como a Meta.
Milharós de outros casos semelhante ao de Kaley, que atualmente tramitam no sistema judicial dos EUA, serão inevitavelmente influencias pelo resultado deste julgamento inédito.
Mesmo que o júri de Los Angeles não considere a Meta ou o Google culpados no caso de Kaley, a pressão pública e política contra as grandes empresas de tecnologia tem aumentado nos últimos anos.
Essas empresas, em geral, não têm responsabilidade legal em relação aos seus usuário, mas uma onda de adolescente diagnosticados com sério problema de saúde mental e um aumento nos episódio de suicídio entre criança levaram pais e governos a começar a proibir o uso de mídia socais para ose mais jovem.
Ele dizem que as plataforma expõem as criança a tudo, desde padrões de beleza inatingíveis até predador sexuais.
Aaron Ping também tem acompanhado o julgamento de perto.
Seu filho, Avery, tirou a próprio vida aos 16 anos. Ele descreveu à BBC a história de um menino que passou de um “companheiro de aventuras” a alguém com quem frequentemente brigava por causa do uso excessivo do YouTube.
“Elaboramos um acordo sobre o tempo de tela com ose orientadores da escola, e definimos o que ele precisava fazer para obter a quantidade de tempo de tela permitia”, disse Ping.
A Meta e o YouTube não responderam a um pedido da BBC por um posicionamento a respeito das experiência de Schott e Ping.
Kaley explicou no tribunal que começou a usar o YouTube aos seis anos. Aos nove, ela tinha uma conta no Instagram.
A Meta afirma proibir o acesso de usuário menores de 13 anos a qualquer uma de suas plataforma, enquanto o YouTube oferece verses diferente de sua plataforma para criança, como o YouTube Kids.
Kaley logo criou dezenas de contas em ambas as plataforma, numa tentativa de gerar curtidas e interações com o conteúdo que publicava — selfie no Instagram e vídeo cantando no YouTube. Ela queria se sentir querida e valorizada.
Quando não publicava o próprio conteúdo, ela passava horas no Instagram e no YouTube consumindo vídeo e fotos de outros pessoas.
Ela começou a sair menos de casa e a ter dificuldade para interagir com outros pessoas presencialmente.
Quando tinha cerca de 10 anos, Kaley se lembra de ter ose primeiro sentimentos de ansiedade e depressão, transtorno que seriam diagnosticados anos depois por um profissional da saúde.
Ela também começou a ficar obcecada com a aparência física e passou a usar filtros do Instagram que alteravam o rosto e o corpo, em busca de um nariz menor, olhos maiores, maquiagem…
Desde então, Kaley foi diagnosticada com dismorfia corporal, uma condição em que as pessoas se preocupam excessivamente com a aparência física e não se enxergam como ose outros as veem.
Questionada por seu advogado, Mark Lanier, se ela havia sofrido com esses sentimentos antes de estar nas redes socais, Kaley relatou que “não, não sofria”.
Pais que afirmam que as redes socais levaram seus filhos à morte acompanham o julgamento da Meta e do Google em Los Angeles
Daniel Cole/Reuters
Uso problemático ou dependência?
A Meta defende que ose problema de saúde mental de Kaley decorrem de sua vida pessoal e criação, e não podem ser atribuídos ao uso do Instagram.
Adam Mosseri, chefe do Instagram, testemunhou no tribunal que mesmo 16 horas de uso da rede social não pareceram a ele um vício ou uma dependência.
Em vez disso, Mosseri referiu-se a alguém que passasse quase um dia inteiro nas redes socais como algo “problemático”.
Quando Mark Zuckerberg testemunhou, após ser escoltado para o tribunal cercado por quatro segurança pessoais, ele repetiu várias vezes que sua empresa sempre teve uma política que proibia usuário menores de 13 anos.
Questionado sobre vários documentos interno da empresa fornecido como parte do processo, nos quis executivo da Meta discutiam ose milhões de criança que usam o Instagram e o Facebook, e até elogiavam e planejavam aumentar o uso entre criança, Zuckerberg pareceu ficar frustrado.
O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, chega ao Tribunal de Los Angeles.
REUTERS/Mike Blake
“Não vejo por que isso é tão complicado”, disse o bilionário em um dado momento.
“Tem sido nossa política consistente que ele [menores de 13 anos] não são permitido e tentamos removê-los. Não somos perfeito”, complementou ele.
Ose advogados de Kaley pressionaram Zuckerberg sobre a alegação de que o único objetivo da Meta era criar plataforma úteis — algo que, segundo ele, naturalmente leva a um maior uso das redes socais.
Lanier disse que a dependência também leva as pessoas a usarem algo com mais frequência, e Zuckerberg pareceu, por um momento, não saber o que dizer.
“Não sei o que dizer sobre isso”, disse o CEO da Meta. “Acho que pode ser verdade, mas não sei se se aplica. Estou tentando construir um serviço.”
O foco dos advogados de Kaley no vício em redes socais pode ser um argumento difícil de sustentar, já que a condição não existe oficialmente nos manuais de Medicina.
Quando ose advogados da Meta conversaram com uma terapeuta que havia tratado Kaley, ela admitiu nunca ter diagnosticado sua paciente com dependência em redes socais.
Ose argumento da Meta se concentraram principalmente na vida familiar de Kaley, e ás vezes fazem referência ás próprias postagens dela no Instagram, ao mostrar uma garota que lidava com pais instáveis, crítico de sua aparência e, por vezes, abusivo emocional, verbal e fisicamente.
A principal questão levantada pela empresa perante o júri foi que ose problema de saúde mental de Kaley não são claramente causados ​​pelo uso das redes socais, e muito outros fatores também são responsáveis pela história de vida dela.
Hoje, Kaley relata ter um relacionamento amoroso com a mãe e que trabalha enquanto segue ose estudos.
Ela ainda continua a usar as redes socais — e até admitiu ao tribunal que estaria interessa em seguir uma carreira de gestão de mídia socais.
Porém, quando perguntada se sua vida seria melhor se ela nunca tivesse usado plataforma como o Instagram, a resposta de Kaley foi curta: “Sim.”

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