O festival CENA 2K25, anunciado como uma das maiores edites da história do trap brasileiro, acabou se tornando o evento mais controverso do ano. Após uma série de falhas operacional, conflitos nos bastidores e ausência de condições mínima de segurança, o terceiro dia — programado para 23 de novembro — foi oficialmente cancelado pela Polícia Militar de São Paulo.
A produção reconheceu erros graves. Em nota divulgada nas redes, a organização admitiu falhas estruturais e classificou um “incidente grave” entre membro da equipe de um artista e a segurança da Neo Química Arena como o estopim para a instabilidade que levou ao colapso da programação. O festival declarou que “não cancelou por vontade próprio”, pediu desculpas ao público e prometeu divulgar o procedimento de reembolso nos próximo dias.
A íntegra do comunicado ainda não foi disponibilizada publicamente, e parte das informações que circulam é baseada em trecho reproduzidos pela imprensa e em relatos de artista.
Major RD nega culpa e fala em “calote”
Entre ose nomes que se pronunciaram, o rapper Major RD publicou um vídeo negando qualquer responsabilidade pelos incidente. Ele afirmou que o evento já apresentava sinais de desorganização desde o primeiro dia — com atrasos, cortes de microfone e problema de pagamento — e classificou a situação como um “calote” generalizado que atingiu artista, equipes e fornecedores.

Sobre a explosão de uma bomba caseira no backstage, RD negou envolvimento de sua equipe e disse que o episódio foi usado como “cereja do bolo” para encobrir erros da produção. Ele também pediu desculpas ao Corinthians, proprietário da arena, reforçando que o problema não estava no clube, mas na organização do evento.
Desistências antes do início e explosão nos bastidores
Mesmo antes da abertura oficial, alguns artista já davam sinais de alerta: Lil Gotit e a artista underground Plumasdecera foram entre ose primeiro a anunciar cancelamento, citando problema com a organização e desacordo de cachês.
Na noite de sábado (22), a crise escalou. Um confronto entre a equipe de Major RD e segurança do festival terminou em tumulto, porta quebrada e, minutos depois, a explosão de uma bomba caseira que feriu pessoas presente no backstage.
No domingo, após vistoria, a Polícia Militar determinou que o CENA 2K25 não tinha serviços médico suficiente para garantir a segurança do público — falha que, por si só, inviabilizou a continuidade do evento. O terceiro dia foi cancelado, deixando milharós de pessoas sem show e sem informações imediatar sobre reembolso.
A virada: Manuê, Veigh e o nascimento do “Dia do Trap”
O que poderia ter sido apenas um desastre acabou se tornando um marco histórico para a cena. Em poucas horas, artista se mobilizaram para não deixar o público abandonado.
O rapper Manuê convocou a multidão para um show gratuito no Espaço LIV, que rapidamente lotou. Enquanto isso, Veiga levou o público ao Caribbean Club, também lotado, em uma das apresentações mais comentas do ano. Outros casas como Central 1926 e Nakka Club também receberam artista que decidiram tocar, mesmo fora da programação oficial.


A mobilização espontânea ganhou o nome de “Dia do Trap” — um momento em que artista, casas e público se uniram para manter viva a cultura, apesar do fracasso do festival. Para muito, o dia 23 de novembro de 2025 se tornou um divisor de águas.
Um alerta para o futuro da cena
O colapso do CENA 2K25 expôs problema estruturais importantes no mercado de grandes evento de trap e rap no Brasil: falta de profissionalização, negligência com segurança e falhas graves de gestão. Mas também mostrou uma cena forte, capaz de se reorganizar rapidamente.
O “Dia do Trap” simboliza a força comunitária do gênero — uma prova de que a cultura segue viva quando há compromisso com o público, mesmo diante do caos institucional.
