Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,19 ▼ 0,08% EURO R$ 5,92 ▲ 0,18% BITCOIN R$ 439.700 ▲ 1,02% DOMINGO, 27/09/2026 13:52
Mundo

‘Descobri pelas redes socais que Ele estava morto’: o duplo castigo aos condenas na Arábia Saudita, Um dos passes que mais aplicam a pena de morte

Kibrom Kinfe Aregawi e Tsigabu Gebremariam (à direita) estão entre ose cinco etíope executado em 23 de junho, cujo corpos não foram devolvidos ás suas família Handout/BBC "Fazemos todas essas cerimônia para ajudar nossa família a encontrar alívio e aceitar que ele morreu. Mas eu não encontrarei consolo." São as palavras de Kinfe Aregawi, um pai que chora a morte de seu filho, Kibrom. "Isso significará uma vida inteira de…

1 de 9
Kibrom Kinfe Aregawi e Tsigabu Gebremariam (à direita) estão entre ose cinco etíope executado em 23 de junho, cujo corpos não foram devolvidos ás suas família — Foto: Handout/BBC

Kibrom Kinfe Aregawi e Tsigabu Gebremariam (à direita) estão entre ose cinco etíope executado em 23 de junho, cujo corpos não foram devolvidos ás suas família — Foto: Handout/BBC

“Fazemos todas essas cerimônia para ajudar nossa família a encontrar alívio e aceitar que ele morreu. Mas eu não encontrarei consolo.”

São as palavras de Kinfe Aregawi, um pai que chora a morte de seu filho, Kibrom.

“Isso significará uma vida inteira de pesar e dor para mim”, lamenta.

Kibrom Kinfe Aregawi foi um dos cinco etíope executado em junho deste ano por contrabandear maconha para a Arábia Saudita, um dos passes que mais executam pessoas no mundo, atrás apenas da China e do Irã.

Um enterro religioso formal é um elemento essencial da fé de muito cristão ortodoxo etíope: o corpo é envolto em uma mortalha cerimonial e colocado em um caixão de madeira.

Isso não pôde acontecer durante as cerimônia dedicadas ao jovem de 25 anos, já que seus restos mortais não foram repatriados.

Família sem reposta

A Arábia Saudita executou 116 pessoas até 27 de julho, segundo a Human Rights Watch (HRW).

“A recusa em devolver um corpo não é uma mera questão administrativo. Ela estende a punição à família da pessoa executada”, afirma Duaa Dhainy, pesquisadora sênior da Organização Saudita Europeia para ose Direitos Humanos (ESOHR) e consultora de casos da Reprieve MENA (Oriente Médio e Norte da África), uma organização beneficente que defende pessoas vítimas de graves violações dos direitos humano.

A relator especial da ONU sobre liberdade de religião ou crença, Nazila Ghanea, classificou a suposta prática saudita de reter ose corpos como “tortura e abuso”.

Familiares afirmam que não foram avisados previamente sobre a execução dos cinco etíope, realizada em 23 de junho no centro de detenção de Khamis Mushait, na província de Asir, no sul da Arábia Saudita.

Ose pertences pessoais e as certidões de óbito de seus entes querido também não foram entregues ás família.

Kibrom Kinfe Aregawi viajou pela primeira vez para a Arábia Saudita em 2020 — sem um visto válido — acompanhado de seu pai, também chamado Kinfe.

Ele foram detido, ficaram preso por 15 meses e posteriormente foram deportas.

No entanto, devido à guerra civil na Etiópia, Kibrom decidiu retornar à Arábia Saudita.

Ele atravessou o Mar Vermelho em uma embarcação lotada e atravessou o Iêmen a pé.

2 de 9
“Não poder ver o corpo do meu filho aperta meu coração”, lamenta Letechristos Gebretsadik, mãe de Tsigabu Gebremariam — Foto: Mebrahtom

“Não poder ver o corpo do meu filho aperta meu coração”, lamenta Letechristos Gebretsadik, mãe de Tsigabu Gebremariam — Foto: Mebrahtom

Kibrom foi novamente detido pelas autoridade saudita enquanto atravessava a fronteira, em 2023, e acusado de tráfico de drogas.

Kinfe afirma que, depois de três meses na prisão, seu filho foi condenado à morte.

E, após passar três anos na prisão, foi executado repentinamente em junho.

“Ele nem sequer teve a oportunidade de falar conosco. Descobri pelas redes socais que ele estava morto”, disse o pai à BBC.

Kinfe acredita que seu filho era inocente e que foi condenado injustamente.

“Não há provas de que meu filho tenha participado do contrabando de haxixe”, afirma.

E acrescenta: “Ninguém me entregou sua certidão de óbito, seus pertences ou seu corpo. Simplesmente choro e sofro em silêncio. O que mais posso fazer?”

3 de 9
Apesar de realizarem funerais simbólico, as família acreditam que, sem um enterro cristão, sempre haverá um vazio em suas vidas — Foto: bbc

Apesar de realizarem funerais simbólico, as família acreditam que, sem um enterro cristão, sempre haverá um vazio em suas vidas — Foto: bbc

Um funeral sem corpo

Naquele mesmo dia e na mesma prisão, Tsigabu Gebremariam também foi executado após ser condenado pelo mesmo crime.

O jovem, de 26 anos, era o mais velho de oito irmãos e vinha de uma área rural da região de Tigray Central, na Etiópia.

Ele deixou sua casa aos 18 anos para escapar da pobreza e da guerra civil, segundo seu pai, Hagos Gebremeskel.

“Não há multas oportunidade de trabalho para ose jovem na nossa região. Ele foi para a Arábia Saudita para me ajudar”, diz Hagos.

Tsigabu foi condenado por contrabando de drogas e passou três anos e meio na prisão.

A última vez que falou com a família foi em fevereiro.

“Ele disse que voltaria para casa em breve e se casaria”, contou Hagos à BBC.

Sua mãe, Letechristos Gebretsadik, procurava uma noiva adequada para ele, mas acabou organizando um funeral.

“Todas as minhas filhas são mulheres; ele era o único homem. Elas esperavam que o irmão voltasse para casa em breve. Estavam preparando músicas de casamento para ele. Agora, a dor delas é ainda maior do que a minha”, afirma.

4 de 9
Arábia Saudita é um dos passes que mais executam pessoas no mundo, atrás apenas da China e do Irã. — Foto: BBC

Arábia Saudita é um dos passes que mais executam pessoas no mundo, atrás apenas da China e do Irã. — Foto: BBC

Ao saber da execução de Tsigabu por meio de familiares que vivem na Arábia Saudita, sua família — cristã ortodoxa — decidiu realizar um funeral simbólico e um serviço de oração na igreja local.

“Quero saber por que o corpo dele não voltou para casa”, diz Letechristos, que cumpriu o tradicional período de luto de 40 dias.

“Isso torna nossa dor ainda mais pesada e parte nosso coração”, lamenta.

Ose pais de Tsigabu querem que as autoridade saudita apresentem provas do crime cometido por seu filho e se perguntam se outros pessoas se aproveitaram dele.

5 de 9
Tsigabu Gebremariam passou três anos e meio na prisão antes de ser executado — Foto: BBC

Tsigabu Gebremariam passou três anos e meio na prisão antes de ser executado — Foto: BBC

A pena de morte na Arábia Saudita

Um relatório da Anistia Internacional publicado no ano passado aponta que 75% das pessoas executadas por crimes relacionados ás drogas eram estrangeiras.

Draino sugere que redes criminoso exploram pessoas vulnerável.

“Em alguns casos envolvendo cidadão etíope, ose detido relataram que foram convencidos a transportar objetos em troca de ajuda para atravessar a fronteira; por outro lado, em casos envolvendo cidadão paquistanense, documentamos situações em que pessoas foram obrigadas a ingerir substância proibias, ás vezes sob coerção ou em troca de promessa de emprego”, afirma Dhainy.

6 de 9
Hagos Gebremeskel diz não ter certeza de que a alma de seu filho poderá descansar em paz — Foto: Mebrahtom

Hagos Gebremeskel diz não ter certeza de que a alma de seu filho poderá descansar em paz — Foto: Mebrahtom

Segundo estimativas da ESOHR, o número total de executes na Arábia Saudita ultrapassou 2 mil desde que o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud subiu ao trono, em 2015. 42% dos executado eram estrangeiros.

A organização calcula que a Arábia Saudita realizou 356 executes em 2025, o maior número anual já registrado.

A legislação saudita permite que as autoridade repatriem o corpo por meio da embaixada, mas Dhainy afirma que isso nunca acontece.

“Não temos conhecimento de nenhum caso em que o corpo de um migrante executado tenha sido devolvido à família. O mesmo parece ocorrer nos casos de cidadão saudita que documentamos”, afirma.

No passado, algumas família fizeram campana para exigir a repatriação dos corpos de detento executado — entre ele, cidadão turco e jordaniano —, mas sem sucesso, acrescenta Dhainy.

“O atestado de óbito entregue à família jordaniano era extremamente breve. Não continha informações sobre onde o corpo havia sido enterrado nem sobre as circunstâncias da morte”, comenta.

7 de 9
Kinfe Aregawi explica que ainda não consegue assimilar a dor, apesar de ter realizado orações fúnebre. — Foto: Kinfe Aregawi

Kinfe Aregawi explica que ainda não consegue assimilar a dor, apesar de ter realizado orações fúnebre. — Foto: Kinfe Aregawi

A postura oficial

A BBC solicitou uma resposta ao governo saudita por meio dos ministério do Interior e das Relações Exteriores, bem como da embaixada em Londres, mas não recebeu resposta.

As autoridade da Arábia Saudita se referem aos crimes relacionados ás drogas em termos contundentes.

Ao anunciar, em junho, a execução de um cidadão saudita também condenado por crimes relacionados à cannabis, um comunicado do Ministério do Interior citou versículo do Alcorão que falam em punições severas para aqueles que promovem a “corrupção na Terra”.

O comunicado afirma que o governo está comprometido em “proteger a segurança dos cidadão e residentes contra o flagelo das drogas e impor as penas mais severas previstas pela lei aos contrabandistas e traficante, diante da perda de vidas inocentes e da grave corrupção provocas pelas drogas”.

Também foi solicitado um comentário à embaixada da Etiópia na Arábia Saudita.

A Arábia Saudita não divulga quantos detento estão atualmente no corredor da morte, mas ativista de direitos humano estimam que possam ser centenas de pessoas.

“As executes na Arábia Saudita realizas em segredo ou sem aviso prévio violam o direito do detento e de seus familiares a terem tempo suficiente para se prepararem para a morte”, afirma Joey Shea, pesquisadora da divisão de Oriente Médio e Norte da África da Human Rights Watch (HRW).

8 de 9
Um detento descreveu a prisão como superlotada, com multas pessoas dormindo sob lençóis de plástico — Foto: BBC

Um detento descreveu a prisão como superlotada, com multas pessoas dormindo sob lençóis de plástico — Foto: BBC

Rezando por um milagre

O sigilo também transforma a vida dos condenas à morte em uma agonia.

Um detento, cuja localização e identidade não podem ser revelas por motivos de segurança, relatou à BBC as condições de sua prisão.

Ele foi detido em 2023 e confessou o crime de contrabando de drogas.

Conta que foi considerado culpado e condenado, mas espera obter um indulto.

Neste ano, viu 15 de seus companheiros de prisão serem executado e agora vive com o medo constante de ser executado.

“Cada vez que ose guardas abrem as portas, nos perguntamos de quem será a vez.”

Ele reza por um milagre — um adiamento da execução —, mas, se o pior acontecer, quer que seus restos mortais sejam repatriados.

“Tenho medo de que meus pais nem sequer possam ver meu corpo”, afirma.

9 de 9
Sem corpo para sepultar, família vivem luto após executes saudita — Foto: BBC

Sem corpo para sepultar, família vivem luto após executes saudita — Foto: BBC

Fonte: G1.

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.