Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,04 ▲ 0,03% EURO R$ 5,64 ▼ 0,08% BITCOIN R$ 398.365 ▼ 0,36% SEGUNDA-FEIRA, 26/10/2026 07:24
Política

DECISÃO DE Zanin, endosso DE Kassio e contestação DE Flávio NO 2º turno

A decisão de estender o pleito foi concedida por Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), em pedido da campanha de Lula. O ministro determinou a extensão do horário próximo do horário de fechamento habitual das urnas, às 17h, o que gerou dificuldade de aplicação da medida em algumas seções eleitorais do país.

ANA GABRIELA OLIVEIRA LIMA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O segundo turno das eleições de 2026 foi marcado por chuva intensa e falhas no transporte em algumas cidades do país, razões pelas quais ambos os candidatos que estavam nesta fase do pleito, o reeleito Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pediram à Justiça que fosse prorrogado o horário de votação.

 

A decisão de estender o pleito foi concedida por Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), em pedido da campanha de Lula. O ministro determinou a extensão do horário próximo do horário de fechamento habitual das urnas, às 17h, o que gerou dificuldade de aplicação da medida em algumas seções eleitorais do país.

A ação foi posteriormente corroborada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e pelo presidente da corte, Kassio Nunes Marques.

Com a vitória de Lula, porém, Flávio Bolsonaro usou o episódio para dizer que não reconhece o resultado e que vai pedir sua anulação.

Entenda o passo a passo que levou à extensão do horário de votação, dúvidas jurídicas e o posicionamento das campanhas.
*
AUTORIDADES CONFIRMAM FALHAS NO TRANSPORTE
Neste domingo, o Ministério da Justiça identificou falhas de transporte em ao menos sete estados -Bahia, São Paulo, Piauí, Sergipe, Pará, Alagoas e Rio de Janeiro- e a Polícia Federal investiga suspeitas de restrições na locomoção de eleitores.

Na Bahia, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do estado chegou a determinar que a PF prendesse o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, em razão da falta de ônibus circulando.

A campanha de Lula também pediu a prisão em flagrante do prefeito, Bruno Reis (União Brasil), sob alegação de boicote na cidade conhecida pelo favoritismo a Lula. Reis negou haver boicote e disse que os ônibus atrasaram porque foi necessária a retirada de propaganda eleitoral colada nos veículos. Houve também registro de problemas em travessias de barco entre a sede de Valença, no baixo sul da Bahia, e as ilhas da região.

CHUVAS E ALAGAMENTOS
O domingo de votação também foi marcado por chuva forte em estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Em São Paulo, houve danos em ao menos 24 municípios, com alagamentos, quedas de árvores e deslizamentos de terra.
No Paraná, as fortes chuvas desde a véspera do pleito fizeram com que a Justiça eleitoral buscasse alternativas para garantir o acesso às urnas, com a ajuda de barcos, tratores e jipes.

Trinta e quatro lugares de votação ficaram sem energia elétrica, mas as urnas funcionaram normalmente. Apesar de transtornos, o TRE do estado afirmou que o segundo turno ocorreu dentro da normalidade.

CAMPANHA DE LULA PEDE PRORROGAÇÃO NO HORÁRIO DE VOTAÇÃO
Alegando boicote no transporte, principalmente no Nordeste, a campanha de Lula pediu prorrogação de duas horas nas eleições. O pedido foi feito ao STF, e o ministro Cristiano Zanin foi sorteado.

Antes, o candidato já havia pedido a prorrogação em estados específicos, como São Paulo e Bahia. Decidiu, porém, pedir a prorrogação nacional para garantir igualdade entre os eleitores.

“O eleitor de Salvador, de Teresina ou de São Paulo que esperou em vão pelo ônibus sofreu o mesmo obstáculo que o de qualquer outra cidade em que a frota foi reduzida, de modo que a todos deve corresponder a mesma solução. A identificação, zona por zona, das localidades atingidas não é possível no tempo que resta até as 17h, ao passo que a prorrogação geral alcança todos os eleitores prejudicados sem depender dessa apuração prévia”, afirma a petição do petista.

CAMPANHA DE FLÁVIO TAMBÉM PEDE PRORROGAÇÃO
Por causa das chuvas, a campanha de Flávio fez o mesmo pedido ao TSE, mas com abrangência focada nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
“Do outro lado da balança está o eleitor que, diante de rua alagada, teria de escolher entre a própria segurança e o voto. A proporcionalidade resolve-se em favor do eleitor”, apontou a campanha de Flávio Bolsonaro.

O pedido era de prorrogação até às 19h deste domingo (25) nos municípios paulistas de São Paulo, Jundiaí, Itapevi, Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Itapetininga, Botucatu, Apiaí, Ribeira e Iporanga. No Paraná seria em Curitiba e Guaratuba; e em Santa Catarina a ampliação seria para Tijucas, Videira, Trombudo Central, Joaçaba e Águas de Chapecó.

ZANIN DETERMINA PRORROGAÇÃO PERTO DE FECHAMENTO
Em pedido de Lula ao STF, o ministro Zanin determinou a prorrogação do horário, mas perto do horário de fechamento original das urnas, de 17h. Com isso, não foi possível aplicar a medida em todas as seções eleitorais, pois parte delas já estava encerrada.
Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo apontavam que a decisão foi inédita e gera dúvidas sobre possíveis consequências jurídicas. Raquel Cavalcanti, professora de direito eleitoral da UFC (Universidade Federal do Ceará), explicou que a decisão era inexequível porque as urnas já fechadas não poderiam ser reabertas, com parte dos eleitores podendo votar até mais tarde e outra parte não.

KASSIO ENDOSSA E ELUCIDA DECISÃO DE ZANIN
Depois da decisão de Zanin, os ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se reuniram para discutir o caso, e o presidente da corte, Kassio Nunes Marques, determinou que a votação fosse estendida até 19h (em Brasília) só nas seções em que a votação ainda não tivesse sido concluída e em que as urnas estivessem abertas.

O próprio Zanin acrescentou posteriormente que, nas urnas já fechadas, “os votos serão computados e totalizados, nos termos anteriormente mencionados”.

Com o fim da contabilização dos votos, o presidente do TSE confirmou a reeleição de Lula e disse que a prorrogação não comprometeu o pleito.

ESPECIALISTAS FALAM EM DÚVIDAS SOBRE IMPLICAÇÕES JURÍDICAS
Segundo apurou a Folha de S.Paulo, ministros do TSE e STF viram erros dos tribunais ao lidar com o pedido de prorrogação do horário de votação. Eles, entretanto, descartaram a possibilidade de anulação, considerada drástica.

Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo apontaram questões em aberto. Eles, por exemplo, divergiram se o eleitor que quis votar após 17h e não conseguiu, porque sua seção já estava encerrada, tem direito de contestar.

“Uma pessoa que não pôde votar pode, sim, judicializar dizendo que teve o seu direito cerceado. Isso pode causar uma instabilidade com milhares de decisões pelo país”, avalia Amanda Cunha, especialista em direito eleitoral e uma das autoras do livro “Direito Eleitoral Sancionador” (ed. Lumen Juris). Já Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV (Fundação Getúlio Vargas), entende que a questão foi esclarecida pelo ministro Kassio e que eleitores nessa situação não tiveram o direito violado.

Para os especialistas, uma possível anulação depende de a Justiça entender que o caso foi passível de gerar uma afetação do resultado das eleições.

FLÁVIO BOLSONARO CONTESTA RESULTADO
Depois do resultado, Flávio Bolsonaro questionou a decisão de Zanin de prorrogar as eleições. Ele alegou “quebra total de isonomia entre os brasileiros e diversas cidades de diferentes estados” e não comentou pedido de sua campanha para fazer a mesma prorrogação.

“Eu nunca vou saber se num estado onde as urnas não foram reabertas quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu. Inclusive, nas palavras de algum ministro aí, que a própria imprensa publicou, as eleições deveriam ter sido anuladas nas condições que as coisas aconteceram nesse momento”, afirmou Flávio em discurso no qual disse ser “impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto de como essas coisas aconteceram “.

Ele também disse que “nós vamos usar o nosso jurídico, vou pedir anulação dessas eleições”.

Flávio não reconhece vitória de Lula e tentará anulação do pleito

A justificativa seria a prorrogação do horário de votação eleitoral, decidida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, que atendeu um pedido de ambas as candidaturas, incluindo a da campanha de Flávio.

Agência Brasil | 04:30 – 26/10/2026

Fonte: Noticias Minuto.

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.