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Cinema

Crítica | Wishcraft: feitiço Macabro

Mais slasher que outros subgêneros presentes, produção é irregular, mas diverte pra caramba. O post Crítica | Wishcraft: Feitiço Macabro apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Bonitinho, mas ordinário. Assim é Wishcraft: Feitiço Macabro, slasher que segue a jornada de Brett Bumpers (Michael Weston), um estudante secundário marginalizado com uma paixão secreta por Samantha (Alexandra Holden), a líder de torção mais popular da escola. A narrativa toma um rumo sombrio quando Brett recebe um totem misterioso que, supostamente, realiza três desejos. Ele usa o primeiro desejo para fazer com que Samantha se apaixone por ele, o que de facto acontece, mas a sua afeição rapidamente se transforma numa perigosa e assustadora obsessão. Paralelamente, uma série de assassinatos macabros e misteriosos começa a aterrorizar o campus. As vítimas são sempre os alunos populares, levando Brett a suspeitar que há uma ligação sinistra entre os seus desejos e os crimes hediondos, intensificando o suspense e a paranoia na comunidade escolar. Divertido e com bons momentos, foi desprezado na época de seu lançamento. Hoje, se tornou nostálgico, um lembrete da época das videolocadoras.

Embora o filme siga a estrutura clássica do subgênero slasher, ele enfrentou desafios significativos no mercado. Lançado após o que muitos críticos (inclusive quem vos escreve) consideram o último grande suspiro do slasher na era pós-Pânico, isto é, Medo em Cherry Falls, esta produção acabou por passar despercebida. O seu lançamento por aqui se limitou ao formato de DVD e VHS, o que contribuiu para o seu esquecimento. Apesar das suas falhas narrativas evidentes, como a dependência excessiva de clichês e reviravoltas previsíveis, o enredo possui um certo carisma peculiar. Essa qualidade subjacente consegue prender a atenção do espetador, gerando uma afeição inesperada pela trama, mesmo com todas as suas irregularidades e obviedades. Tem aquele mesmo clima de Um Grito Embaixo D’Agua e Cut: Cenas de Horror, mas não se rebaixa ao nível de O Terror Ronda a Escola, Jogando Com a Morte ou Você Quer Saber Um Segredo?, dentre outros filmes tediosos do âmbito slasher.

A direção de Wishcraft: Feitiço Macabro, a cargo da dupla Danny Graves e Richard Wenk, revela uma notável paixão pelo subgênero do terror explorado na obra. No entanto, a inexperiência dos diretores é um fator evidente ao longo dos 104 minutos de desenvolvimento do filme, o que acaba por comprometer a execução de algumas ideias. O roteiro, assinado por Larry Katz, estabelece premissas interessantes, mas a sua implementação parece ter sido prejudicada, talvez por falhas na direção ou por interferências externas da produção, limitando a criatividade. O filme surge em um período, já delineado, de absoluto desgaste para o slasher. Embora Wishcraft não seja um caso extremo, a sua narrativa ecoa a premissa central do conto clássico A Pata do Macaco, escrito por W. W. Jacobs em 1902. Essa fábula de horror, sobre um talismã que concede desejos com consequências desastrosas, inspirou, mesmo que não declarado por seus realizadores, outras produções relevantes como O Portão e O Mestre dos Desejos, seguindo a ideia de que o resultado nem sempre é o esperado.

Apesar da premissa, a construção do roteiro de Wishcraft é convencional, o que permite que a trama se desenrole sem maiores tropeços, embora o resultado final não chegue a impressionar. Aspectos estéticos como a trilha sonora de J. Peter Robinson, a direção de fotografia de Suki Medencevic e o design de produção de Michael Wylie cumprem seu papel de forma competente. Contudo, a previsibilidade e a falta de ousadia podem incomodar os mais exigentes consumidores deste subgênero, digo, especificamente, da ausência de cenas de morte explícitas (aqui em constante off-screen) e um desfecho considerado ingênuo, bem ao estilo Dawson’s Creek. Em linhas gerais, a narrativa segue as regras e convenções popularizadas por Pânico, de Wes Craven e Kevin Williamson, de maneira genérica, mas, ainda que tenha as suas falhas, funciona como um passatempo satisfatório para o público menos exigente ou interessado nas nuances do gênero, divertindo e entretendo na medida certa, aparentemente consciente de seu lugar.

Wishcraft: Feitiço Macabro (Wishcraft/Estados Unidos, 2002) 
Direção: Danny Graves, Richard Wenk
Roteiro: Larry Katz, Jeanne Van Cott, Norm Waitt, Dara Weintraub
Elenco: Michael Weston, Alexandra Holden, Huntley Ritter, Austin Pendleton, A.J. Buckley, Meat Loaf, Gregory Cooke, Sam McMurray, Allyce Beasley, Scott Caudill, Charlie Talbert, Alexandra Breckenridge, Sara Downing, Evan Jones, Zelda Rubinstein
Duração: 90 min.

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Fonte: Plano Critico.

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