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Cinema

Crítica | Vingadores: Ultimato – Encore

O fim como começo. O post Crítica | Vingadores: Ultimato – Encore apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Pode-se dizer muita coisa do conglomerado Disney em geral e do Marvel Studios em particular, mas a capacidade que ele demonstraram, ao longo dos anos, de vender seus produtos audiovisual é quase sem paralelo e o relançamento de Vingadores: Ultimato, agora com o sub-subtítulo Encore, que significa simplesmente “de novo”, e com uma pequena alteração e três adições para conectá-lo com o vindouro Vingadores: Doutor Destino, é mais uma amostra disso. Não que relançar filmes anteriores em preparação para uma continuação seja uma novidade, pois obviamente não é, mas Encore tem sido maceteado como um grande evento, como fundamental para o futuro do Universo Cinematográfico Marvel, ganhando até mesmo uma prestigiosa “certificação” de salas de cinema pelo mundo que seriam as “ideais” para usufruir ao máximo a experiência.

No fundo, claro, estamos diante de um caça-níquel, mas a grande verdade é que Vingadores: Ultimato é um excelente filme que culmina 11 anos de construção de um universo compartilhado muito coeso e que não tem vergonha alguma em celebrar essa construção, tornando parte de sua próprio razão de ser, como é o passeio dos herói por momentos chave do passado em uma brilhante forma de trabalha a nostalgia de maneira relevante e não apenas como uma bengala narrativa. No entanto, debati comigo mesmo como fazer a crítica de Encore e eu acabei decidindo por fazê-la em duas fases, a primeira sobre o filme em si, rapidamente repisando meus cometário em minha crítica, mas sem me preocupar com spoiler sobre o filme como originalmente projetado, e a segunda sobre as alterações feitas e como elas impactam o que vimos em 2019. Ou seja, ose parágrafo logo abaixo são seguros para quem viu Ultimato, pois não abordam as alterações e adições de 2026, mas o segundo bloco (bem marcado com um aviso), destrincha com spoiler o que há de novo.

1. Retornando ao Fim
(spoiler somente do filme como lançado em 2019)

Mesmo tecnicamente não sendo o fim da Fase 3 do UCM, com essa honra ficando com o apenas razoável Homem-Aranha: Longe de Casa, Vingadores: Ultimato é o ambicioso e grandioso encerramento da Saga do Infinito, que tematicamente gira ao redor das superpoderosas joias do infinito e tendo o titã Thanos como o grande final bossa nas sombras que aparece de verdade, em toda sua glória, em Vingadores: Guerra Infnita. Mesmo considerando ose pouco mais de sete anos que se passaram desde seu lançamento original, Ultimato ainda é uma grande festa cinematográfico que faz o impossível: entrega um final que conversa de verdade com tudo o que veio antes, contém diversos cenas que são absolutamente memoráveis e que vão do tragicômico, como é o Thor obeso e bêbado ou o Professor Hulk no diner (eu simplesmente adoro esses desenvolvimentos dos personagens), passando pelo emocionante, como é o reencontro de Tony Stark com seu pai nos anos 70 ou o Steve Rogers idoso depois de finalmente viver a vida que sempre mereceu, o devastador como é o sacrifício da Viúva Negra, o de arrepiar ose cabelos quando o Capitão América empunha Mjölnir e, depois, Sam diz que está chegando “à esquerda”, e, finalmente, o ato final de heroísmo do Homem de Ferro, ao usar a Manopla do Infinito para acabar com Thanos e seu exército.

Como alguém que só viu Ultimato duas vezes na época de seu lançamento – uma em uma sessão magnificamente bagulhento e festiva, outra em uma sessão escolhia a dedo para ser silencioso) – e depois nunca mais, retornar ao cinema para revelo comprovou, pelo menos para mim, que o filme continua tendo a mesma força que há sete anos. É, não tenho dúvida alguma em afirmar novamente, a materialização do impossível, um filme cuidadosamente construído para ser o ponto alto de 22 longas conectas – em maior e menor grau – antes dele. Ainda tenho preferência por Guerra Infinita, a primeira parte desse encerramento, mas a grande verdade é que Ultimato, se levarmos em conta o tamanho e a variedade desse universo até aquele ponto, é sem precedente e sem igual na História do Cinema. Hipérbole? Talvez sim, mas diria que não, pois não quero dizer com isso que ele é uma obra-prima ou mesmo “um dos melhores filmes já feitos”, mas sim que Ultimato é a culminação improvavelmente incrível de anos de trabalho.

Sim, Encore muda uma cena dentro do filme em si e acrescenta três outros no estilo “pós-créditos”, mas isso não tira o valor de Ultimato, ainda que, como ose mais atentos repararão, minha nota do relançamento é levemente menor do que a do original. A razão para isso – que explicarei em mais detalhes no próximo bloco de cometário- repousa único e exclusivamente na tal cena modificada (ou acrescenta, como queiram), já que ela pega uma linha narrativa muito bem encerrada, tira seu ponto final e coloca uma vírgula, talvez um ponto e vírgula nela, ou, dependendo de como isso será trabalhado futuramente, começa um novo parágrafo ou até capítulo. É o famoso retcon, tão usado nos quadrinhos, mas que tem resultados que transitam entre o perfeito, como foi o desfazimento da morte de Bucky Barnes por Ed Brubaker, transformando no Soldado Invernal, e o abissalmente ruim, como foi a criação de todo aquele passado de Gwen Stacy com Norman Osborn. Como considero que mexer em algo assim tem riscos enorme e ganhos reativo, acabei tirando meio HAL na avaliação final em razão desse elemento e não das cenas pós-créditos, já que, por suas natureza, elas não “mexem” em Ultimato.

2. O Que Mudou
(spoiler das alterações e adições de 2026)

Meus cometário críptico sobre Encore acabam aqui, mas, para facilitar, fiz cometário separados para cada cena extra, que estão abaixo:

1. Abertura com Robert Downey Jr. e Chris Evans:

Antes de o filme começar, ose atores que deram vida a Tony Stark e Steve Rogers aparecem para “apresentar” Encore e a certificação Infinity Vision em um momento que poderia ser bacana, mas que me pareceu completamente desalmado, até mesmo de má vontade, como se ose dois estivessem com uma arma aponta para suas cabeças na hora da filmagem. E eu nem ose culpo muito, pois o texto que ele leem no teleprompter é vazio demais, sem dizer absolutamente nada que preste sobre o filme ou sobre a certificação. Estou sendo chato? Provavelmente. Mas saibam que isso de forma alguma pesou no meu julgamento do filme.

2. Uma visita inesperada:

Steve Rogers teve que viver duas vidas, mas, no final de Ultimato, seu arco narrativo foi lindamente fechando com ele, idoso no presente, lembrando de seu “novo” passado, finalmente dançando com sua amada Peggy Carter no que parece ser a casa em que ele passaram década juntos. Um dos personagens mais trágico da Marvel – seu congelamento no passado e despertar no presente é um espetáculo dramático tanto nos quadrinhos quanto nos filmes – ganha um final que deveria ser imexível, como diria certo ministro, mas que, como sabemos, raramente é em Hollywood. Em Encore, a dança é encerrada com a chegada de ninguém menos do que Loki em seu uniforme da AVT que, mesmo sendo recebido apenas por Peggy, com Steve escondendo-se, sabe que o Capitão América está ali, terminando por misteriosamente oferecer sua ajuda. Essa é a único alteração feita DENTRO de Ultimato.

Antes de fazer suposições, sou o primeiro a admitir que, considerando o que parece ser a natureza de Vingadores: Doutor Destino e, depois e talvez principalmente, Vingadores: Guerra Secretas, a inserção desse Loki nesse passado é uma escolha cirúrgico. Afinal, Rogers mudou seu passado e, tendo criado ou não um ramo novo no multiverso, fez algo que cai no conceito da supervisão da AVT, pelo que, nesse aspecto, não tenho do que reclamar. No entanto, retornando ao que mencionei no bloco anterior de cometário, o final perfeito do arco narrativo de Steve Rogers foi potencialmente jogado pela janela, retconado na “cara dura” para conectar umbilicalmente Ultimato aos próximo filmes. Mesmo que o resultado disso seja um espetáculo inacreditável (afinal, isso pode significar que veremos mais de Hayley Attwell como Peggy Carter, cuja série foi criminosamente cancelada), a mera mudança de um final desses chega a ser heresia, daí minha justificativa de “reduzir” a avaliação final de Encore.

Sobre as suposições, não vou aqui mergulhar em teorias, pois não tenho tempo e muito menos paciência para isso, mas me peguei indagando se o Loki que aparece ali é o Loki “Deus do Multiverso” do final da segunda temporada de sua série ou se é alguma outra versão sua. É que me pareceu estranho ele estar com o uniforme da AVT. Minha outra indagação é se isso, para além de ser um artifício para conectar Ultimato com o futuro próximo do UCM, não poderia abrir portas para finalmente vermos como o Capitão América devolveu as joias do infinito aos seus respectivos lutares no tempo. Não é algo que eu precise ver, notem bem, mas entre RDJ de Doutor Destino criando uma salada de nostalgia e esse passeio pelo tempo com Rogers, fico com o passeio pelo tempo muito facilmente. Seja como for, torço muito para que esse retcon seja da categoria dos melhores já feitos nos quadrinhos de forma que a mudança seja plenamente justificada.

3. Primeira cena de meio de crédito – o subsolo de Banner:

Depois que o filme acaba com a modificação acima, temos, então, a primeira cena de “meio de crédito” e ela tem conexão direta com o final do bilionário Homem-Aranha: Um Novo Dia, com Bruce Banner olhando para a câmera como um vídeo-diário para informar que ele está em um subsolo de concreto a três quilômetro de profundidade em razão de seu descontrole casada por Jean Grey e que ele está próximo de inventar (mais um) supressor gama para evitar que isso aconteça novamente. Quando ele está prestes a fazer uma demonstração, as luzes começam a piscar, uma voz grave o chama e, fora da câmera, ouvimos alguém chegar e Banner se transformar no Hulk para enfrentá-lo, com a cena encerrando-se com o que parece ser um pentagrama verde brilhante no chão.

Obviamente que estamos falando do Doutor Destino, na primeira vez em que ouvimos sua voz (pelo menos eu acho que é, pois não vi e nem mesmo ouvi nada sobre o vindouro Vingadores: Doutor Destino que não sejam imagens do vilão todo paramentado com sua armadura) em uma cena que parece indicar que o Hulk será importante para seus planos. Novamente, não pretendo especular absolutamente nada (sintam-se livres para fazer isso nos cometário), mas essa cena é uma excelente forma de atiçar a curiosidade do espectador, especialmente porque dá a indicação que veremos mais do Hulk totalmente selvagem que vislumbramos no longa mais recente do Aranha.

4.  Segunda cena de meio de crédito – incursões:

Passada no interior da sala de controle da AVT, com direito ás pontas de Owen Wilson como Mobius, Ke Huy Quan como O.B., Eugene Cordero como Casey e a voz de Tara Strong como Senhorita Minutos (nenhum sinal de Sophia Di Martino como Sylvie peo momento), a segunda cena de meio de crédito é basicamente expositiva, revelando a existência das “incursões” que, nas telas dos computadores retrô, parecem uma Terra atacando a outra com mísseis. Fica evidente que um evento em enorme escala está ocorrendo e que o multiverso está se desintegrando. Se tivesse que apostar, diria que essa cena foi feita para Vingadores: Doutor Destino e um take dela foi colado no final de Encore para estabelecer a premissa do que veremos em dezembro. Nada de errado nisso, mas também nada particularmente excitante.

5. Cena pós-crédito – Destino manifesto:

Na único cena verdadeiramente no final dos crédito e, para mim, a melhor das três, vemos uma espertíssima expansão da cena pós-créditos de Ultimato. Não se lembram da cena pós-créditos de Ultimato? Bem, talvez porque não seja uma cena, mas sim um som, mais especificamente o som de metal sendo martelado que remetia à confecção da armadura Mark 1 em Homem de Ferro. O que era apenas som, porém, ganha flashes de imagens em que vemos a confecção não da armadura do Ferroso, mas sim a do Doutor Destino, em uma ambientação que parece ser a mesma caverna dos terrorista da organização Dez Anéis.

Em outros palavras, quer parecer que a origem do Doutor Destino se espelha na do Homem de Ferro, o que faz sentido considerando que RDJ faz ose dois personagens diametralmente oposto. Se isso se confirmar, a escalação do ator pode ganhar contornos mais interessantes e relevantes do que apenas uma caríssima jogada de marketing para explorar a nostalgia dos fãs (é até engraçado falar de nostalgia de algo que tem apenas sete anos, mas, pelo visto, tudo anda mais rápido no século XXI, até a saudade). E, mesmo que isso não se confirme e essa cena seja só um “brinde”, mesmo assim ela é muito bem bolada em sua singeleza.

3. A Certificação das Salas de Cinema

Apesar de não ser um especialista nisso, eu sou um chato de galocha no que diz respeito à configuração de aparelhos de imagem e som. Levo horas ajeitando as televisões novas e ose receies e amplificadores que as acompanham, e fico sempre extremamente desapontado com salas de cinema teoricamente certificadas com sistema Dolby e outros que, na verdade, são puras enganações, o que costuma acontecer muito em redes de cinema aqui e no exterior. Por isso eu duvidei MUITO, mas MUITO mesmo dessa certificação Infinity Vision que a Disney anunciou como parte de seu pacote de marketing para o relançamento de Ultimato. Mesmo assim, fiz questão de assistir a Encore em uma sala que eu já conhecia e que ganhou essa certificação (mas não IMAX, pois as salas IMAX já são naturalmente melhores que as normais em termos visuais e sonoros), de forma a me dar uma chance de notar alguma mudança positiva.

Minha conclusão, claro que com base na minha sessão nessa sala em particular, é que esse Infinity Vision é uma enganação total. Não há absolutamente nada de notável nela. Diria mais até: nada mudou e Infinity Vision é um selo inócuo para enganar trouxa. Se alguma coisa, a certificação levou a uma piora no som, que me pareceu mais baixo e menos encorpado do que o normal. Em outros palavras: eu, que já não esperava nada, fui surpreendido com menos do que eu esperava (e não, assim como não levei a abertura com RDJ e Evans em consideração para minha avaliação final, também não levei essa certificação vagabunda em consideração.

XXXXXXXX

Encore é um caça-níquel, mas um que não me arrependo de ter visto, pois ele não desabona Ultimato e cria um ponte interessante para o que vem por aí. Certamente muita gente preferirá rever em casa depois, mas, como eu ainda considero que qualquer filme no cinema é melhor do que em casa e como Ultimato é um excelente filme, a conferi mais do que valeu a pena. Agora é esperar pelos desdobramentos!

Vingadores: Ultimato – Encore (Avengers: Endgame – Encore – EUA, 2019 – 2026)
Direção: Antrona Russo, Joe Russo (Irmãos Russo)
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Roberto Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Don Cheadle, Paul Rudd, Brie Larson, Karen Gillan, Bradley Cooper, Josh Brolin, Gwyneth Paltrow, Danai Gurira, Tessa Thompson, Benedict Wong, Jon Favreau, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Chris Pratt, Zoe Saldana, Lexi Rabe, Dave Bautista, Pom Klementieff, Vin Diesel, Elizabeth Olsen, Evangeline Lilly, Chadwick Boseman, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Tom Hiddleston, Taika Waititi, Hayley Atwell, Rene Russo, Tilda Swinton, Frank Grillo, John Slattery, Robert Redford, Michael Douglas, Samuel L. Jackpot, Owen Wilson, Ke Huy Quan, Eugene Cordero, Tara Strong
Duração: 186 min.

Antrona MackieAnthony RussoBenedict CumberbatchBenedict WongBradley CooperBrie LarsonChadwick BosemanChris EvansChris HemsworthChris PrattChristopher MarkusDanai GuriraDave BautistaDon CheadleElizabeth OlsenEugene CorderoEvangeline LillyFrank GrilloGwyneth PaltrowHayley AtwellHomeIrmãos RussoJeremy RennerJoe RussoJohn SlatteryJon FavreauJosh BrolinKaren GillanKe Huy QuanLexi RabeMark RuffaloMichael Douglasowen wilsonPaul RuddPom KlementieffRene RussoRobert Downey Jr.Roberto RedfordSamuel L. JacksonScarlett JohanssonSebastian StanStephen McFeelyTaika WaititiTara StrongTessa ThompsonTilda SwintonTom HiddlestonTom HollandVin DieselVingadores: Ultimato – críticasZoe Saldana

Fonte: Plano Critico.

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