16
- Há spoiler. Leiam, aqui, nossas críticas do Universo Stargate.
Se a sexta temporada de Stargate SG-1 marcou a série em razão da saída de Michael Shanks, a sétima temporada, apesar de reverter essa questão específica, continuou a demonstrar que séries longevo como essa mais cedo ou mais tarde começam a ter suas fissuras vagarosamente alargadas, ameaçando toda sua infraestrutura. No entanto, diferente de multas outros obras serializadas em situações semelhante, a criação de Brad Wright e Jonathan Glassner conseguiu, no agregado, resistir muito bem ás adversidade que sofreu ao longo dos 10 anos em que ficou no ar, mesmo que seja possível dizer que ela talvez tenha durado mais tempo do que deveria, posição de muita gente com que, pessoalmente, concordo apenas parcialmente. Essa capacidade de lidar com problema, sem dúvida alguma, tem relação direta com uma equipe de produção coesa, que, ano após ano, foi capaz de manter basicamente as mesma equipes de diretores e roteirista, o que garantiu a continuidade das linhas narrativa e o aproveitamento constante da mitologia interna criada por ele próprio a partir do longa-metragem de 1994.
Para começo de conversa, a decisão de não matar Daniel Jackson de vez no penúltimo episódio da quinta temporada não só permitiu sua utilização esporádica no ano seguinte como seu retorno “reencarnado” no sétimo ano, com uma reintegração fácil e fluida à equipe, mesmo que Corin Nemec tenha que ter sido elegantemente defenestrado na dupla inicial de episódio, Caído (7X01) e De Volta para Casa (7X02), que não só renova a ameaça de Anúbis e a questão da Cidade Perdida dos Antigos, como reclassifica Jack O’Neill como o “próximo passo da evolução da humanidade”, algo que confesso não gostar muito, assim como não gosto de como a amnésia do membro revivido da equipe que aparece em um planeta “do nada” se resolve em um piscar de olhos. Shanks, vale dizer, tentou encontrar seu caminho fora da franquia, mas falhou, mesmo que não tenha perdido a capacidade de renegociar sua reentrada efetiva na série em condições claramente melhores que as anteriores, obtendo o cobiçado crédito com a conjunção “e” e o nome de seu personagem antecedendo e sucedendo seu nome, um indicativo de deferência e de salário maior (não o maior de todos, provavelmente, mas maior do que antes) na sequência de abertura, além de mais episódio focados em Daniel Jackson, o que beneficiou e muito tanto o personagem que havia perdido sua real importância lá pelo quarto ano e a temporada como um todo. Simultaneamente, ninguém menos que o próprio Richard Dean Anderson pediu para ter participação reduzida na temporada para poder dedicar-se à sua filha, o que automaticamente levou Amanda Tapping a também ganhar mais destaque como líder da equipe por diversos vezes como em Frágil Equilíbrio (7X03) em que uma hilária versão clonada mais nova de O’Neill aparece, também recebendo mais atenção dos roteiro em episódio solo, notadamente Corrida Espacial (7X08), em que o alienígena Warrick retorna e leva Sam para participar da corrida do título e Graça (7X13), em que ela, presa em uma nebulosa senciente, tem um momento para reavaliar sua vida amorosa. Essa situação envolvendo Jackson e, indiretamente, Tapping, levou a uma temporada que muito claramente dividiu espaço irmãmente entre o Dr. Daniel Jackson e a Major Samantha Carter.
Como se isso não bastasse, pairou sobre a sétima temporada a impressão pelos bastidores de que ela seria cancelada ou, talvez melhor dizendo, reformula por completo e transformada em uma outra série reunindo parte do elenco antigo com um elenco novo e mais jovem lidando com a Cidade Perdida dos Antigos que é objeto de abordagem direta em Cidade Perdida (7X21 e 7X22), a emocionante dupla final de episódio – originalmente pensada como um filme a ser lançado nos cinema! – que novamente coloca O’Neill na posição de repositório do conhecimento dos Antigos, revela a existência de um entreposto de Atlantis na Terra, momentaneamente acaba com a raça de Anúbis e sua frota invasor e faz um jogo de cadeira iniciado em Tomando Posse (7X20), graças ás manobras do ardiloso (e agora vice-presidente) Robert Kinsey, para levar o presidente eleito Henry Hayes (William Devane) a retirar o General Hammond do comando do SGC, colocando como comandante da nave Prometheus, e instaurando o controle civil do programa Stargate pela Dra. Elizabeth Weir (Jessica Steen). Essas mudança e incerteza sobre o próprio destino da série famosamente levou à decisão de matar (de verdade) uma personagem relevante e querida, a Dra. Janet Frasier, que, para isso, ganhou a solenidade de um belo episódio duplo de meio de temporada – Herói (7X17 e 7X18) com direito à ilustre participação de Saul Rubinek como Emmett Bregman, um documentarista que inferniza a vida do Comando Stargate, ao mesmo tempo em que encanta por sua integridade.
E, na primeira vez em que isso acontece na série, a temporada conteve uma quarta dupla de episódio, Evolução (7X11 e 7X12), que introduz a grande arma secreta de Anúbis, supersoldados com armadura preta que são praticamente invencíveis, com essa linha narrativa retornando em um episódio de sobrevivência focado em Carter (Sentença de Morte – 7X16) e na dupla final, claro. No caso dos episódio que giram mais fortemente em torno de Daniel Jackson, temos Orfeu (7X04), em que ele tem visões de sua vida “ascendida” que leva à equipe a salvar Bra’tac e o filho de Teal’c, Bote Salva-Vidas (7X06) em que diversos mentes de pessoas em sono criogênico tomam conta de sua mente, oferecendo bom espaço para Shanks mostrar alguma latitude dramática que vá além do arqueólogo contrariado, Inimigo Meu (7X07) em que Jackson precisa usar de seu conhecimento da língua dos Unas e de sua conexão com Chaka para negociar paz entre o SGC e ose alienígena em torno de uma operação de mineração em um planeta que era considerado desabitado e, claro, Quimera (7X15), em que vemos o retorno de Osíris no corpo da Dra. Sarah Gardner que aparece para ele em seus sonhos para obter informação sobre a Cidade Perdida dos Antigos e que, de quebra, nos apresenta ao namorado policial de Carter, como uma espécie de “conclusão” para sua jornada de autoconhecimento em Graça.
Mas o interessante é que as presença mais firmes tanto de Carter quanto de Jackson se dão homogeneamente ao longo da temporada, sem que a produção se fie unicamente em episódio focados neles para isso. Tudo bem que Carter, por sua natural importância como a MacGyver da série, nunca foi colocada para escanteio com aconteceu com Jackson, mas ela, aqui, vai além da “resolvedora de problema”, como por exemplo em Atualizações (7X05), um típico episódio que distribui bem o uso da equipe lidando com um vilarejo protegido de um ambiente tóxico por uma redoma que encolhe a cada minuto Vingador 2.0 (7X09), mais um episódio cômico capitaneado não pelo elenco principal, mas sim pelo Dr. Felger, que vimos antes em Ose Outros (6X08) que, claro, tem sonhos erótico com a major, e isso sem falar de Ressurreição (7X19) que não só destaca Carter e Jackson, como é dirigido por Tapping e roteirizado por Shanks. MasTeal’c ganha seu momento de destaque em Direito de Nascença (7X10), que tem roteiro do próprio Christopher Judge, focando em uma tribo feminino de Jaffa e lidando com o dilema de usar a substância Tretonin para substituir o Goa’uld no ventre. Há espaço até mesmo para que Jonas Quinn retorne em Consequências (7X14) que fecha seu arco e de seu próprio planeta beligerante ao lidar com a origem das minas de Naquadria e apresentar um novo Goa’uld no corpo de Kianna Cyr (Emily Holmes), seu interesse amoroso.
Mesmo com tanta coisa acontecendo nos bastidores, Stargate SG-1 mais uma vez mostra consistência narrativa e uma impressionante capacidade de se adaptar, entregando uma temporada que, mesmo de certa forma marcando o “começo do fim”, por assim dizer (ainda que ironicamente abrindo as portas de vez para o primeiro spin-off fora Stargate Infinity, claro), continua a história central de maneira firme e forte e, mais ainda, se beneficia das questões encontras com o espaço bem-vindo que é dado a Carter e Jackson e toda a rearrumação de peças que sacode o status quo. Nada como uma equipe azeitada atrás e na frente das câmera para transformar problema em oportunidade e expandir a mitologia desse querido universo.
Stargate SG-1 – 7ª Temporada (EUA, de 19 de junho de 2003 a 19 de março de 2004)
Criação: Brad Wright, Jonathan Glassner
Direção: Martim Wood, Peter DeLuise, Andy Mikita, Peter F. Woeste, William Waring, Amanda Tapping
Roteiro: Roberto C. Cooper, Joseph Mallozzi, Paul Mullie, Damian Kindler, Brad Wright, Peter DeLuise, Christopher Judge, Michael Shanks
Elenco principal: Richard Dean Anderson, Amanda Tapping, Christopher Judge, Michael Shanks, Don S. Davis, Teryl Rothery
Elenco recorrente: Gary Jones, Dan Shea, Carmen Argenziano, Tony Amendola, Corin Nemec
Participares especiais: George Touliatos, Kevan Ohtsji, David Palffy, Jerr Weddell, Michael Adamthwaite, Vince Crestejo, Cliff Simon, Michael Welch, Peter DeLuise, Obi Ndefo, Neil Denis, David Richmond-Peck, Christopher Heyerdahl, Peter Lacroix, Tiffany Knight, Liam Ranger, Wendy Noel, Patrick Keating, Michael Robinson, Finn Michael, James Parks, Travis Webster, Ryan Drescher, Michael Rooker, Steven Williams, Alex Zahara, Kavan Smith, Patrick Currie, Scott MacDonald, Alex Zahara, Patrick Currie, Terence Kelly, Allan Lysell, Hillary Cooper, Colin Murdock, Peter Kelamis, Ben Ayres, Nick Misura, Lindsay Maxwell, Patrick McKenna, Jocelyne Loewen, Martin Wood, Jolene Blalock, Christine Adams, Kathleen Duborg, Kirsten Prout, Simone Bailly, Nigel Vonas, Elizabeth Weinstein, Julie Hill, Nikki Smook, Frank Roman, Bill Dow, Zak Santiago, Eric Breker, Craig Erickson, Michael Jonsson, Dan Payne, Todd Thomson, Victor Favrin, Sean Whale, Ian Marsh, Miguel Castillo, Ingrid Kavelaars, John Novak, Sasha Pieterse, Craig Veroni, Emily Holmes, Gillian Barber, Patricia Drake, Julian Christopher, Bill Nikolai, Anna-Louise Plowman, David DeLuise, Paul Jarrett, Sebastian Spence, Mark Gibbon, Saul Rubinek, Mitchell Kosterman, David Lewis, Tobias Slezak, Christopher Redman, Adam Baldwin, Ronny Cox, Julius Chapple, Christopher Pearce, Jim Byrnes, Katey Wright, Kristen Dalton, Brad Greenquist, Peter Flemming, William Devane, Robert Picardo, James McDaniel, Marc Worden, Jessica Steen
Duração: 977 min. (22 episódio)
Adam BaldwinAlex ZaharaAllan LysellAmanda TappingAndy MikitaAnna-Louise PlowmanBen AyresBill DowBill NikolaiBrad GreenquistBrad WrightCarmen ArgenzianoChristine AdamsChristopher HeyerdahlChristopher JudgeChristopher PearceChristopher RedmanCliff SimonColin MurdockCorin NemecCraig EricksonCraig VeroniDamian KindlerDan PayneDan SheaDavid DeLuiseDavid LewisDavid PalffyDavid Richmond-PeckDon S. DavisElizabeth WeinsteinEmily HolmesEric BrekerFinn MichaelFrank RomanGary JonesGeorge TouliatosGillian BarberHillary CooperIan MarshIngrid KavelaarsJames McDanielJames ParksJerr WeddellJessica SteenJim ByrnesJocelyne LoewenJohn NovakJolene BlalockJonathan GlassnerJoseph MallozziJulian ChristopherJulie HillJulius ChappleKatey WrightKathleen DuborgKavan SmithKevan OhtsjiKirsten ProutKristen DaltonLiam RangerLindsay MaxwellMarc WordenMark GibbonMartin WoodMichael AdamthwaiteMichael JonssonMichael RobinsonMichael RookerMichael ShanksMichael WelchMiguel CastilloMitchell KostermanNeil DenisNick MisuraNigel VonasNikki SmookObi NdefoPatricia DrakePatrick CurriePatrick KeatingPatrick McKennaPaul JarrettPaul MulliePeter DeLuisePeter F. WoestePeter FlemmingPeter KelamisPeter LaCroixRichard Dean AndersonRobert C. CooperRobert PicardoRonny CoxRyan DrescherSasha PieterseSaul RubinekScott MacDonaldSean WhaleSebastian SpenceSimone BaillySteven WilliamsTerence KellyTeryl RotheryTiffany KnightTobias SlezakTodd ThomsonTony AmendolaTravis WebsterVictor FavrinVince CrestejoWendy NoelWilliam DevaneWilliam WaringZak Santiago
Fonte: Plano Critico.
