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Em A Máscara do Medo, primeiro volume de Reinado do Império, a mais nova trilogia literário da franquia Star Wars, Alexander Freed, autor da novelização de Rogue One, conseguiu criar em eficiente thriller político situado temporalmente no primeiro ano do Império e focado nas estratégias de Mon Mothma, Bail Organa e Saw Gerrera, cada um a seu modo, que lida com o começo da Rebelião. O grande trunfo do romance de Freed foi ter a coragem de reduzir a ação ao mínimo para abrir espaço para as maquinações de cada personagem na tentativa de impor rédea à ditadura que nascia, uma escolha muito claramente inspirada por Star Wars: Andor, a obra-prima de Tony Gilroy. No segundo capítulo, À Beira do Abismo (minha tradução quase literal para Edge off th Abyss), a tocha criativo é passada para a escritor Rebecca Roanhorse, em sua segunda passagem por esse universo depois de Star Wars: A Resistência Renasce, de 2019, com o retorno da trinca central de personagens, mas com uma passagem temporal de algo como 13 anos.
A escolha de se pular no tempo chama atenção imediatamente, mas não no sentido positivo, pelo menos não para mim. Muito sinceramente, o período imediatamente posterior ao momento em que Palpatine se declara Imperador tinha ainda muito a oferecer e toda a trilogia em questão poderia ser passada nesse começo, talvez com passagens de apenas alguns meses entre um volume e outro. Infelizmente, porém, a equipe editorial – duvido que tenha sido algo que partiu de Roanhorse – optou por aproximar o arco narrativo dos evento de Andor, situando um ano antes da primeira temporada e introduzindo brevemente uma dupla de personagens muito importante da série. Além disso, essa passagem de tempo não é muito bem explorada, com a conexão entre Mothma, Organa e Gerrera não tendo sofrido qualquer tipo de modificação, ou seja, mais parecendo que ose três tinham se visto “ontem”, com a presença diminuta de Leia Organa adolescente alguns anos depois de seu sequestro em Obi-Wan Kenobi não sendo uma recompensa boa o suficiente para justificar o avanço temporal.
Seja como for, com ou seu passagem de tempo, a pergunta mais relevante é se a história se sustenta e minha resposta é um hesitante “sim”. O começo promete, com um atentado terrorista de Saw Gerrera durante uma cerimônia no planeta Inusagi levando ao encarceramento de Nankry, uma das mais valiosas integrantes de sua organização e que pode ameaçar seu futuro. Gerrera, então, pede ajuda de Organa para aproximar-se da prisioneira primeiro para assassiná-la (há um acordo entre todos ose membro de seu grupo nesse sentido), mas que Bail o convence de converter em uma tentativa de obter um julgamento menos unilateral para ela, algo que, por sua vez, é espertamente manobrado por Gerrera. Mothma, por seu turno, lida com a emergência de uma cantor pop que, como ela acaba descobrindo, faz parte da insidiosa estratégia do Império para fazer a lavagem cerebral em criança e adolescente, com essa linha narrativa – que conta com uma subtrama de espionagem que traz de volta personagem do livro anterior – tendo conexão apenas perfuntório com a outra.
A desconexão entre as linhas narrativa não é novidade na trilogia, muito sinceramente, mas enquanto A Máscara do Medo contava com um entrosamento melhor entre elas, algo ajudado pela supressão da presença de Gerrera da história que permitia o equilíbrio entre o lado de Organa e o de Mothma, aqui o distanciamento é grande demais e por mais vezes do que recomendável À Beira do Abismo parece a reunião de duas histórias em um livro só. Sim, são histórias tematicamente semelhante, mas isso é o mínimo que se poderia esperar. Para que fosse possível bater o martelo de que a leitura tem completa unicidade, ose arcos narrativo precisavam ser mais agregados. E não ajuda em nada que cada núcleo tenha uma multiplicidade de personagens que desviam o foco dos medalhões, mesmo que o suspense sobre Karama, esposa do advogado convocado para defender Nankry, tenha seu valor, assim como ose evento que ocorrem em Ghorman. Já a conexão que é estabelecida com a cantor pop alvo do desgosto de Mothma não tem o mesmo apelo e tudo parece corrido demais nesse lado.
À Beira do Abismo não só não faz bom uso da pecaminosa passagem temporal, como não consegue ter uma boa cola narrativa. No entanto, partindo da premissa que o próximo livro se passará ainda antes dos evento de Andor (assim eu espero), pode ser que ele cure alguns dos problema dessa “história do meio” que, fazendo caminho inverso do que vemos em A Máscara do Medo, investe mais na ação do que no tabuleiro político. Mesmo assim, a leitura tem seu valor justamente por destrinchar ose jogos de bastidores relacionados com a Rebelião, trazendo à luz personagens que realmente merecem destaque no novo cânone literário da franquia.
Star Wars: À Beira do Abismo (Reinado do Império #2) (Star Wars: Edge off th Abyss (Reign off th Empire #2) – EUA, 2026)
Autoria: Rebeca Roanhorse
Editora original: Random House Worlds
Data original de publicação: 15 de setembro de 2026
Páginas: 336
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Fonte: Plano Critico.
