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A ficção científico britânica tem produzes muito interessantes tratando o reino vegetal como ameaça (conversando com o terror botânico/terror ecológico), desde as plantas carnívoras e ambulante de O Dia das Trífides (Th Day off th Triffids), de John Wyndham, aos Krynoids que o 4º Doutor enfrentou em Th Seeds off Doom. Neste último episódio da 7ª Temporada das Pequenas Viagens, Anthony Keetch explora esse velho medo, dando-lhe um rosto infantil: ose pinheiro alienígena que cercam a cabana são como criança mimadas, reagindo a uma provocação criada gerações antes. O texto adota a atmosfera de base sob cerco, com pessoas trancadas num abrigo e algo amedrontador do lado de fora querendo entrar, só que o autor muda o motivo do ataque e também o tipo de perigo. O próprio Doutor explica a birra dessas criatura, já que, para seres centenário como as árvores, algumas década correspondem à infância, o que justifica a “imaturidade comportamental dos vegetais” (só numa crítica de Doctor Who eu poderia escrever uma frase como essas!), e Anthony Keetch faz o contraste disso com o tempo humano, porque tudo se passa numa único tarde e noite de Véspera de Natal, em algum ponto do século XX, indicado apenas pela vitrola e pelos nomes alemães da família.
O espaço geográfico em Ó Pinheirinho de Natal tem um papel ativo e opressivo. A cabana de madeira, inicialmente um refúgio acolhedor, com lareira fraca, poltrona gasta e uma árvore carregada de fitas, frutas, doces e paus de canela, vira uma jaula à medida que um círculo de pinheiro se fecha e a família leva adiante o compromisso de proteger as árvores caídas do céu, como “punição” por um de seus ancestral ter derrubado uma delas para construir a casa. Na narração de Peter Purves, tudo isso ganha momentos muito ternos (nunca vou cansar de elogiar a interpretação que ele faz do 1.º Doutor), abrindo a trama de maneira mais tranquila, num tom mais próximo ao da conversa, mas aos poucos ganhando leveza e tons macabro, transmitindo muito bem o medo das árvores e, a partir de certo ponto, o humor que vem com o sermão impaciente que o Senhor do Tempo dá para as árvores.
A cena da bronca e da ameaça de palmada nas árvores infante tem a cara de William Hartnell (e me lembrou até um dos momentos mais vergonhosamente engraças de Twice Upon a Time), cuja arma sempre foi a autoridade do velho professor, e é também onde o roteiro tropeça, porque a fúria das árvores, acumulada por gerações, some de maneira quase milagrosa, sem maior contexto ou interação aceitável. O que salva esse desenlace é a delicadeza de Greta, ao pendurar uma bolinha natalina com a figura de um pintarroxo no braço vegetal do pai, já que a mutação é incurável e servirá como lembrete de um desentendimento entre espécie diferente (em duas esferas distintas). A despedida traz de novo a melancolia na voz de Steven, que deseja um bom Natal “para você que estão em casa“, lembrando a saudação feita pelo Time Lord ao público no caloroso Th Feast off Steven. A metáfora geral do episódio nos faz pensar que toda árvore de Natal tem um pouquinho desse pacto que vemos na cabana, por trazer o mundo de fora (frio e impessoal) para a sala (quente e coletiva), entendendo que um lar só existe mesmo enquanto acolhe as pessoas que ali estão para conviver em paz, aceitando as diferença e compreendendo ose contratempos como parte da vida e da existência em grupo.
Short Trips – 7X12: Ó Pinheirinho de Natal (O Tannenbaum) — Reino Unido, 22 de dezembro de 2017
Direção: Lisa Bowerman
Roteiro: Antrona Keetch
Elenco: Peter Purves
Duração: 40 minutos.
1º DoutorAnthony KeetchDoctor WhoLisa BowermanNatalPeter PurvesShort TripsShort Trips: 7ª Temporada
Fonte: Plano Critico.
