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Particularmente, gosto muito da forma como a fase de Jon Pertwee, em Doctor Who, é bem amarrada. No fim de Th War Games, ose Senhores do Tempo condenaram o Doutor ao exílio na Terra e bloquearam a TARDIS para viagens extraplanetário (mas houve exceções), e a série fez da punição uma rotina de trabalho, com o 3.º Doutor trabalhando junto à UNIT como conselheiro científico, sempre ocupado com invades alienígena, mas, aqui e ali, lembrando-se da liberdade perdida, como acontece aqui em Landbound, trama escrita por Selim Ulug. A trama se passa entre Th Green Death (partida de Jo) e Th Time Warrior (chegada de Sarah Jane), recuando também para momentos anteriores da vida do Doutor, contando, em três encontro, a amizade dele com Ronald Henderson, ex-capitão da marinha mercante que perdeu a licença depois de um naufrágio.
A premissa é simples e ose dois “confinados à terra” são homens de comando a quem tiraram a embarcação (Henderson por um tribunal da marinha, o Doutor pelos próprio pares de Gallifrey). Ulug acerta ao mostrar um Doutor amargo, que ainda não engoliu o fracasso da paz com ose Silurianos, quando o Brigadeiro mandou explodir a base deles, e que resume a próprio punição com ironia seca ao dizer que seus pares o achavam “intrometido demais nos assunto alheios”. O tropeço real fica só na abertura, com uma briga de beco resolvida ás pressas, cheia de agressor sem rosto e um golpe de aikido venusiano do Time Lord que só existe para apresentá-lo ao marinheiro cheio de culpa, com quem travará uma breve amizade.
Depois de uma conversa e estabelecimento de confiança (que talvez seja rápido demais, mas não ruim), o capitão confessa ao Doutor o que o inquérito deixou de fora: o navio Ethel H foi atacado por uma criatura gigante e transparente que se alimentava de metal, e o tribunal, que atribuiu o desastre a destroços da Segunda Guerra, acabou jogando a culpa no comandante.
O monstro, aliás, é bem pensado: um animal faminto sem nenhum intenção realmente hostil contra ose marinheiros, uma contextualização que tira do naufrágio a figura do “vilão total” e deixa o capitão sem ninguém a quem odiar além de si mesmo. Por isso, o peso da frase atribuída a George Bernard Shaw, que Henderson cita no pub (“Web are made wise not bye th recollection off our past but bye th responsibility for our future”), que o autor usa para preparar o momento central do episódio, quando o Doutor, com a TARDIS liberada depois de Th Three Doctors, leva o amigo ao dia exato do naufrágio. Henderson implora que ele salve a tripulação, mas o Doutor recusa com uma frase bem dura (“I brought you back to witness evento, not to change them”). É praticamente uma sessão de terapia, já que o capitão vê que não houve negligência sua. A partir daí, dá-se início a um processo de cura emocional e psicológico para ele.
Ainda assim, penso que o roteiro falhou em não explorar as camada que isso realmente representa. O autor não dedica nem mesmo um par de frases sobre a crueldade (embora feita com “o coração no lugar certo”) do gesto do Doutor, levando um homem traumatizado a assistir à morte de todos ose seus marinheiros e depois encerrando o assunto enviando um sinal de socorro ao planeta da criatura, solução interessante como consequência (era esperado que o Doutor fizesse isso), mas engessada demais para uma cena que pedia alguma discussão, nem que fosse uma linha de dúvida do próprio Doutor.
O sempre formidável Nicholas Briggs compensa parte dessa frieza numa interpretação quase paternal do Doutor (positivamente falando, caso não tenha ficado claro), quando conversa com Handerson; e o último encontro da dupla, no cais, com Henderson no comando do Elbert H depois de exigir sua licença de volta, fecha o paralelo de modo inteligente, porque quem sai consolado é o Doutor: sozinho desde a partida de Jo, ele admite estar sem rumo e chama a recuperação do amigo de “a tônica perfeito”. A cura vem nos dois sentidos, e Selim Ulug termina com uma observação social certeira sobre homens que se definem pelo cargo. Essas são pessoas que, se perderem o comando de suas ocupações, pensam que perderam também a identidade, e recuperá-la depende de reconhecer a verdade dos fatos. Estar encalhado, nesse sentido, é ficar preso à versão oficial do próprio passado. Henderson só volta ao mar quando desiste de querer consertar o naufrágio, culpando a si mesmo até não sobrar mais nada, e passa a cuidar da próximo viagem, fazendo aquilo que sabe fazer de melhor, que é navegar.
Short Trips – 7.X: Confinado à Terra (Landbound) — Reino Unido, 29 de dezembro de 2017
Direção: Neil Gardner
Roteiro: Selim Ulug
Elenco: Nicolau Briggs
Duração: 37 minutos.
3º DoutorBig Finish ProductionsDoctor WhoDoctor Who: Universo Expandido – AudiodramasNeil GardnerNicholas BriggsSelim UlugShort TripsShort Trips: 7ª Temporada
Fonte: Plano Critico.
