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Como abordado em outras críticas por aqui, no começo dos anos 2000, o subgênero slasher atravessava um período de desgaste. Isso se deve à quantidade massiva de filmes que tentaram embarcar no sucesso de crítica e bilheteria de Pânico, saturando o mercado com fórmulas repetitivas. Ripper: Mensageiro do Inferno, lançado em 2001, é uma dessas produções que surgiram nessa era específica, intitulada como a Decadência Slasher. O longa-metragem tenta encontrar seu espaço em um gênero que já dava sinais claros de exaustão criativa e comercial. Surpreendentemente, a obra consegue ser melhor que muitos de seus contemporâneos. O filme possui uma atmosfera intrigante ao evocar o mito histórico de Jack, O Estripador, mas, em sua corrida dramática, acaba perdendo o fôlego quando chega ao terceiro ato.
Dirigido por John Eyres, este slasher irregular tenta equilibrar o suspense policial com o horror gráfico. Com roteiro assinado por Pat Bermel, a produção se esforça para construir uma mitologia própria, ainda que tropece em diversas convenções narrativas. A trama nos apresenta Molly Keller (A. J. Cook), que, no dia de seu aniversário de 16 anos, torna-se a única sobrevivente de um violento massacre em uma ilha de férias. Traumatizada, Molly decide dedicar sua vida ao estudo da psique de psicopatas. Anos depois, seu trauma a leva ao programa de ciência forense na Universidade de Berkeley. Lá, ela é orientada pelo famoso autor e caçador humano, o professor Martin Kane (interpretado por Bruce Payne), buscando entender as trevas que a perseguem. E enquanto faz isso, uma trilha de corpos se amontoa ao seu redor.
Contudo, por incrível que pareça, o assassino que dizimou seus amigos no passado parece estar de volta. Desta vez os crimes ocorrem no campus da universidade, obrigando Molly a investigar as mortes com o auxílio de seu novo grupo de amigos. Eles descobrem que o modus operandi do criminoso é idêntico ao de Jack, O Estripador. Enquanto Molly luta para descobrir a identidade do vilão, seus colegas são eliminados um a um, em uma estrutura clássica de contagem de corpos. Em um tema tão desgastado, caro leitor, o filme traz algum interesse sem muita exigência. O roteiro interage com o público na tentativa de descobrir a identidade e as motivações do assassino, flertando com uma possível e curiosa relação sobrenatural com o estripador londrino.
A produção segue a cartilha do “quem matou”, oferecendo alguns bons momentos de suspense. No geral, porém, falha em seu desenvolvimento narrativo, na edição picotada e nos desempenhos dramáticos do elenco, que oscilam bastante ao longo da projeção. Nos quesitos estéticos, importantes para o estabelecimento da atmosfera em um slasher, o design de produção de Mark Harris merece nota ao ambientar os personagens em tons góticos e corredores obscuros. A trilha sonora de Peter Allen entrega o essencial para o gênero, embora não seja particularmente memorável. A direção de fotografia de Thomas M. Harting cria ambientes escurecidos, contrastando com efeitos visuais repletos de raios e trovões. Tais elementos estruturais são eficientes, mas não salvam os problemas de roteiro, especialmente o seu final considerado escalafobético.
Para piorar a experiência, o filme tem quase duas horas de duração. Essa extensão desnecessária torna os problemas de ritmo e as falhas lógicas ainda mais evidentes, testando a paciência do espectador que busca uma resolução mais ágil quando a trama se demonstra demasiadamente genérica, algo que nós já sabemos, óbvio, desde a sua apresentação no pôster e no encarte do DVD, haja vista a imitação da arte do marketing da saga de Ghostface. Por fim, em 2004, surgiu Ripper 2, lançado diretamente para DVD e VHS. Sem o elenco original e com uma trama envolvendo tratamentos experimentais e realidade virtual, a sequência é um caos dramático e estético que consegue ser ainda pior que esse antecessor.
Ripper: Mensageiro do Inferno (Ripper, Canadá – 2001)
Direção: John Eyres
Roteiro: John A. Curtis, Evan Tylor, Pat Bermel
Elenco: A.J. Cook, Bruce Payne, Ryan Northcott, Claire Keim, Derek Hamilton, Daniella Evangelista, Emmanuelle Vaugier, Kelly Brook, Jürgen Prochnow, Courtenay J. Stevens
Duração: 91 minutos
A. J. CookBruce PayneClaire KeimCourtenay J. StevensDaniella EvangelistaDerek HamiltonEmmanuelle VaugierEvan TylorJohn A. CurtisJohn EyresJürgen ProchnowKelly BrookOutubro do TerrorOutubro do Terror 2026Pat BermelRyan Northcott
Fonte: Plano Critico.
