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Cinema

Crítica | Reality de Horror: influencers em Pânico

Uma noite de mortes no poço sem fundo da futilidade: as redes sociais. O post Crítica | Reality de Horror: Influencers em Pânico apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Escrito e dirigido pela dupla Dame Pierre e Mike Ware, Reality de Horror: Influencers em Pânico chegou aos cinemas brasileiros em novembro de 2024. A trama acompanha um grupo de influenciadores digitais confinados em um reality show que rapidamente se transforma em um banho de sangue, à medida que um assassino mascarado passa a caçá-los sistematicamente, expondo a futilidade e as mentiras escondidas por trás dos filtros das redes sociais. Apesar da premissa com potencial satírico, a narrativa se apresenta como um slasher genérico, marcado por uma execução técnica bastante limitada. Com efeitos visuais precários e atuações que beiram o amadorismo, a obra falha em construir tensão real, entregando uma experiência que ignora as convenções de qualidade do cinema de gênero contemporâneo para seguir um caminho muito mais simplista e derivativo. Entretanto, é justamente nessa carência técnica que o filme encontra o seu público. A produção é uma recomendação certeira para entusiastas do estilo “tão ruim que fica bom”, atraindo aqueles que sentem prazer em identificar falhas estruturais.

Mesmo sendo uma obra visivelmente falha, é possível se divertir genuinamente com as incoerências narrativas e com o absurdo das situações propostas, que acabam gerando um entretenimento involuntário. Ao final, Reality de Horror acaba funcionando quase como um estudo prático sobre como não produzir um filme de terror na atualidade. Ele serve como um exemplo das armadilhas de roteiro e direção que devem ser evitadas, mas, ao mesmo tempo, garante o seu lugar como uma curiosidade cinematográfica capaz de arrancar risadas de quem busca apenas uma diversão descompromissada e repleta de absurdos.  O filme constantemente tenta se equilibrar entre o terror e o mistério, mas acaba tropeçando em uma execução que carece de qualquer originalidade. A proposta, que busca satirizar ou explorar o universo das redes sociais, naufraga em um mar de clichês desgastados e um roteiro que parece ter sido escrito sem o menor esforço criativo. O resultado final é uma obra que não consegue decidir se quer ser uma crítica social ou um slasher puramente comercial, falhando miseravelmente em ambas as frentes.

A trama parte de uma premissa extremamente batida: um grupo de influenciadores digitais é reunido em uma mansão luxuosa para um suposto reality show, apenas para descobrir que estão em um jogo mortal. Nem mesmo a introdução de Amanda, uma nova integrante que deveria trazer um fôlego renovado à história, consegue salvar o enredo da obviedade. Cada passo dos personagens é previsível, e até as tentativas de criar impacto, como a suposta morte da protagonista, soam artificiais e desprovidas de qualquer peso emocional para o espectador.

No aspecto técnico, a narrativa é visualmente caótica, assim como o sedutor âmbito das redes sociais. A direção de fotografia de Ryan Emanuel carece de personalidade, entregando imagens genéricas que, somadas aos cortes abruptos da edição, impedem qualquer tipo de imersão na atmosfera de suspense. O design de produção de Jack Massura também não colabora, oferecendo cenários desinteressantes que os personagens percorrem sem propósito, enquanto a trilha sonora de Sam Ewing passa totalmente despercebida, falhando em construir a tensão necessária para o gênero. E, um dos maiores problemas do filme reside na tentativa de integrar a linguagem das redes sociais à narrativa cinematográfica. O que poderia ser um diferencial estético ou narrativo torna-se um recurso irritante e fragmentado, que mais distrai do que contribui para a história. Em vez de imergir o público no “mundo dos influenciadores”, a execução dessas inserções digitais quebra o ritmo e torna a experiência cansativa, evidenciando a falta de tato da direção em lidar com essa convergência de mídias.

Os personagens são outro ponto crítico, sendo apresentados de forma superficial e absolutamente descartável. Sem camadas, motivações ou carisma, é impossível criar qualquer conexão com o grupo, transformando as cenas de morte, momentos que deveriam ser o ápice do entretenimento sangrento, em tediosos  momentos anticlimáticos e mal coreografados. Quando a identidade do assassino é finalmente revelada, o sentimento não é de choque ou surpresa, mas de indiferença total. O gancho para uma sequência ao final do filme soa quase como uma piada de mau gosto, dada a baixa qualidade do material apresentado. Em linhas gerais, é impressionante como um filme de apenas 80 minutos consegue ser tão entediante. Reality de Horror: Influencers em Pânico desperdiça a oportunidade de fazer uma crítica contundente sobre o “poço sem fundo” que se tornaram as redes sociais, entregando uma narrativa vazia e ineficiente. É um exemplo claro de como a falta de cuidado com o roteiro e com o desenvolvimento de personagens pode transformar uma ideia contemporânea em um produto esquecível e cansativo. Será mesmo que investirão numa sequência?

Reality de Horror: Influencers em Pânico (Amp House Massacre, EUA – 2024)
Direção: Dame Pierre , Mike Ware
Roteiro: Amanda Ashley Miess, Dame Pierre , Mike Ware
Elenco: Kara Royster, Pedro Correa, Cassandra Scerbo, Chris O’Neal, Ciera Angelia, Dallas Hart, Isabella Genovese
Duração: 80 min.

Amanda Ashley MiessCassandra ScerboChris O’NealCiera AngeliaDallas HartDame PierreIsabella GenoveseKara RoysterMike WareOutubro do TerrorOutubro do Terror 2026Pedro Correa

Fonte: Plano Critico.

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