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Cinema

Crítica | Psicose (1998): versão Comentada por Gus Van Sant

Por que esse remake é tão odiado? Será que Gus Van Sant nos convence nessa edição comentada? O post Crítica | Psicose (1998): Versão Comentada por Gus Van Sant apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Um elemento formidável da era popular das mídia física para consumo de cinema em ambiente doméstico, para além do filme em si, era a disposição de conteúdos extras. Para o diletante que desejava apenas a narrativa em si, o recurso era ótimo, mas para cinéfilo ou estudiosos, muito materiais funcionavam como edificantes aula de cinema. Entrevistas com diretor, equipe técnica e elenco, em alguns, documentário de bastidores, em outros. No entanto, nenhum desses se estabelece mais valioso que as faixas comentas em áudio. Em sua maioria, diretores, roteirista, membro fundamentais da estética fílmico, tais como responsáveis pela direção de fotografia ou design de produção, entregando ao espectador detalhes da gênese que nos permite compreender melhor como ose filmes são produzido e interpretas ao passo que são lançados e recepcionas. As verses retrospectivas, com acompanhamento diante do legado e impacto cultural da narrativa então, para quem estuda cinema, institucionalmente ou por prazer pessoal, são passaporte para cursos intensivos realizas por quem é responsável pela tessitura do conteúdo cinematográfico em tela, disposto para nosso entretenimento ou avaliação. A edição especial de Psicose, de 1998, refilmagem polêmica e transgressor, dirigida por Gus Van Sant, é um desses conteúdos para contemplarmos atentamente, nem que seja para analisar aquilo que, por algum motivo, nunca era pra ter sido feito, ou então, entender ose motivos que levaram uma produção a ser incompreendida em sua época e, anos adiante, se tornar remada ou alvo de culto, como já aconteceu com tantos clássico e outros mais contemporâneos.

A versão anos 1990 de Psicose foi um filme que nasceu para ser odiado. Gus Van Sant, antes do sucesso de Gênio Indomável, se tornou alvo de piadas e risos constrangedores quando, em diversos ocasiones, tentou refazer o clássico de Alfred Hitchcock, o equivalente cinematográfico aos texto das sagradas escrituras para ose religiosos. As reposta para o seu projeto eram sempre negativas. Várias vezes o não foi estabelecido em alto e bom som, ou grifado de vermelho em devolutivas manuais e digitais, a escorrer tal como sangue da icônico cena do chuveiro. Lançado numa fase de incipiente cinefilia, eu apenas cresci lendo que esse filme era ruim e que deveria ser abominado. Tudo mudou quando o drama com Matt Damon ganhou prêmio importantes e alavanco bilheteria. Pronto. Agora ele podia fazer as suas exigência e a Universal enfim aceitou a empreitada arriscada. Mais fácil de ser encontrada que a versão do mestre do suspense na época, foi contempla e, com toda sinceridade, agraciada como uma narrativa que funciona muito bem, caso você não conheça o seu ponto de partida. E, ainda assim, mesmo sabendo que existe uma regra basilar no âmbito do já mencionado culto da cinefilia, isto é, não se mexe em obras-primas calcificas como “perfeição” na memória cultural, devo lhe dizer, caro leitor, que a refilmagem é produto de uma pessoa coramos, firme em seus prepósito, mesmo que o seu projeto tenha pontos questionáveis, bem como perdido a oportunidade de entregar para o público uma leitura contemporânea do filme inspirado no livro de Robert Bloch.

Diante do exposto, vamos aos pontos. Em sua estrutura, Psicose é um filme excessivamente formalista. Com pouquíssimo mudança no que tange aos aspecto da gramática do cinema, a produção é praticamente uma cópia coloria do ponto de partida de 1960. Há algumas adições entre um ponto e outro, mas a direção de fotografia de Christopher Doyle segue o quadro a quadro das imagens de John L. Russell, tal como a trilha sonora de Bernard Herman, aqui adaptada para ose formatos mais atuais de expansão do som. O resultado é uma narrativa com boné atores, oriundo de um projeto que o diretor alega ter sido experimental. Sacrilégio para muito crítico e cinéfilo, a refilmagem levou todos ose piores prêmio do paródico “Framboesa de Ouro”, irritou elitista da sétima arte e gerou, convenhamos, um movimento similar ao efeito que hoje chamamos de manada, ou seja, era muito arriscado analisar positivamente uma trama que para quase todo mundo, era motivo de ódio. Em linhas gerais, um fenômeno midiático que trinta anos depois, chegou ao Brasil em nova versão no hoje minúsculo, mas ainda resistente mercado de mídia física para colecionadores. É por meio de materiais assim que podemos revisitar histórias e entender melhor como e por que devemos odiar (ou não) Psicose em sua versão coloria que, nas palavras debochas de Gus Van Sant da edição comentada, veio para apresentar o clássico para novas audiência, mas foi recepciona com implicância por crítico já preparado para derrotar o filme antes mesmo de seu lançamento.

Em sua estrutura dramática, o enredo é o mesmo e acompanha Marion Crane (Anne Heche), uma secretária que foge após roubar 40 mil dólares de seu patrão e acaba se hospedando no isolado Bates Motel durante uma tempestade. Lá, ela conhece o proprietário, Norman Bates (Vince Vaughn), um jovem reprimido que vive sob o domínio psicológico de sua mãe ciumenta. Após o brutal assassinato de Marion no chuveiro, seu desaparecimento é investigado por sua irmã Lila (Julianne Moore), seu namorado Sam (Viggo Mortensen) e o detetive Arbogast (William H. Macy), culminando na revelação do transtorno dissociativo de Norman, que assumiu a personalidade da falecida mãe para cometer ose crimes. Van Sant mantém ose diálogo e a estrutura geral, com atualizações sutis, uma delas, a representação da sexualidade mais explícita nas atitude de Norman, algo que na época, foi sugerido por Hitchcock e não coadunava com ose código moralista por parte dos órgão reguladores de entretenimento, bem como da sociedade em si, que já achava ultrajante a aparição de um vaso sanitário em tela, algo nunca antes delineado numa produção cinematográfico. Embora discorde, o realizador aponta que as principais críticas ao desempenho de Vince Vaughn focaram na falta da sutileza e vulnerabilidade que Anthony Perkins trouxe em 1960, resultando em uma atuação considera por muito como agressivo demais e pouco convincente. Crítico do Variety e do portal Roger Ebert apontaram que sua presença física imponente e o riso “histérico” transformaram o personagem em uma figura óbvia e ameaçador, perdendo o mistério do “vizinho amigável”. Além disso, a interpretação foi frequentemente descria como uma mimese superficial que falhou em capturar a complexidade psicológico necessária para o papel de Norman Bates.

Para Gus Van Sant não foi uma tentativa de superar Alfred Hitchcock, mas um ato de apropriação artística e um “experimento científico bizarro” sobre a natureza do remake em Hollywood. Ao emular o estilo de seu ídolo de forma quase literal, Van Sant buscou testar se a replicação exata de uma fórmula de sucesso poderia gerar ose mesmo resultados em um contexto contemporâneo, tratando o filme original como uma partitura ou uma peça teatral clássica que permite novas montagens sem alterar o texto. Para ele, o desafio residia no experimentalismo de ser um autor que se apaga para se tornar um “falsificador” confesso, revelando, no processo, as mudança incitáveis na percepção do público ao longo de quatro década. A bagagem de Van Sant em pintura e fotografia foi fundamental para a inserção de “ruídos” visuais que rompem a fluidez da cópia. Nessa digressões, o diretor utilizou sua sensibilidade estética para injetar imagens subliminar e texturas que funcionam como flashes de uma consciência fragmentada. Ao contrário da limpeza narrativa de Hitchcock, Van Sant inseriu elementos que evocam uma natureza morta ou uma abstração visual, utilizando a cor não apenas como atualização técnica, mas como um componente hiper-realista que torna a violência mais gráfica e perturbadora aos olhos do espectador moderno. Nas cenas cruciais, como o assassinato no chuveiro e a queda de Arbogast, Van Sant introduziu montagens rápido e quase imperceptível de céus nublado e pupilas dilatadas, que ele descreveu como “fragmentos de memória surreal”.

Esses ruídos metafórico funcionam como interrupções na linearidade do crime, sugerindo que, no momento da morte, a realidade se dissolve em impressões puramente sensorial. Para o diretor, esses detalhes eram formas de marcar sua presença autoral em um projeto que, de outra forma, seria um espelho morto, criando uma tensão entre o respeito ao ícone e a subversão plástica. A inserção de takes rápido de nuvens tempestuoso e de uma vaca no meio de uma estrada durante as cenas de assassinato (especificamente na cena do chuveiro e na morte do detetive Arbogast) é uma das poucas mudança autorais de Gus Van Sant em seu remake de 1998. O simbolismo por trás dessas imagens é interpretado de três formas principais. Primeiro, a representação do caos mental e fúria. As nuvens em movimento acelerado, inserias durante o ataque a Marion Crane, simbolizam a “tempestade” psíquico de Norman Bates. Ele expõe que essa é uma metáfora visual para a fúria psicopático que se descontrola no momento do crime, sugerindo que a mente do assassino está em um estado de turbulência absoluta que rompe com a calmaria anterior. Outro ponto: a “vida passando diante dos olhos”. A vaca aparece na cena da escada com Arbogast. O simbolismo aqui é para ser visto como uma imagem aletria e bucólica que ressalta o absurdo e a fragilidade da vida que se apaga. Ao ler interpretações, o cineasta se diverte com algumas interpretações mais sarcástico que sugerem um trocadilho visual (em inglês, “Psycow” ou “Moo-ther”) ligando a vaca à figura da “Mãe”.

As nuvens refletem o desvanecimento da consciência de Marion, como se a realidade estivesse se tornando etéreo e distorcia enquanto ela morre. Ademais, há também o interesse do que o diretor chama de experimento de distanciamento, uma espécie de efeito de estranhamento, pois como o filme de 1998 foi um experimento artístico de copiar o original “plano por plano”, Van Sant inseriu essas imagens quase subliminar para quebrar a imersão do público. Essas inseres são intencionalmente “estranhas” para lembrar ao espectador que ele está assistindo a uma construção artificial e moderna de um clássico, e não apenas a uma “reprodução fiel”. O uso de cores saturadas e esses flashes visuais servem para diferenciar o “corpo” do filme de sua “alma” hitchcockiano, destacando a impossibilidade de replicar a tensão original perfeitamente. Ao comentar sobre esse processo de autoconsciência, Van Sant detalha que ele operava plenamente inserido no imaginário de Psicose, ciente de que o público já conhecia cada ângulo e cada corte. O filme se torna, assim, uma obra sobre o próprio ato de assistir e repetir, um comentário metalinguístico sobre a exaustão das ideia originais na indústria. Ao final, Van Sant reconheceu que sua “ciência” provou que a alma de um filme reside no DNA do seu criador original e que mesmo a reprodução mais fiel de uma obra-prima é incapaz de capturar o mistério que a tornou eterna. Enfim, para ele, se até o roteirista Joseph Stefano alegou, em um documentário, que o clássico era uma pérola, mas não tinha o mesmo valor para o público contemporâneo, por qual motivo não adentrar nessa ideia considera absurdo por todos?

Sendo assim, nesse processo, para encerrarmos, Psicose pode ser considera uma boa narrativa de suspense, uma produção que emula, mas não consegue o charme do clássico que utiliza como ponto de partida, mas ainda assim, se estabelece como um curioso caso de experimentalismo. Esse, no entanto, é um “grifo meu”. Para além dos pontos já abordado aqui, dentre outros destaques dos cometário do diretor, temos a afirmação de que “meu filme não é uma refilmagem, mas uma réplica”. Noutro ponto, diz que “plano era fazer uma grande obra, pedaço a pedaço, como quem pinta uma cópia exata da Monalisa”. A Universal desembolsou U$25 milhões para a empreitada, conta o cineasta que também justificou seu controverso remake ao citar o precedente de Alfred Hitchcock, que em 1956 refilmou sua próprio obra, O Homem Que Sabia Demais, duas década após a versão original. Buscando uma mimetizar a técnica, ele seguiu rigorosamente o calendário de Hitchcock, finalizando as filmagens em apenas seis semanas. Para preservar o impacto da trama, o diretor também replicou a estratégia de marketing de 1960, mantendo o projeto em absoluto segredo e proibindo sessões antecipadas para a imprensa e convidas, tentando emular o mistério que cercou o lançamento do clássico. Ademais, ose bastidores da produção foram marcado por mudança no elenco que alteraram a percepção final da obra. Originalmente, Nicole Kidman interpretaria Marion Crane, mas seu compromisso com Stanley Kubrick em De Olhos Bem Fechados abriu caminho para Anne Heche.

Já o papel de Norman Bates foi recusado por Matt Damon e entregue a Vince Vaughn, escolha que foi duramente criticada. Van Sant diz que as principais críticas ao desempenho de Vaughn apontavam que ele falhou em transmitir a vulnerabilidade e o charme ambíguo do antagonista original, resultando em um personagem que perdeu a complexidade psicológico estabelecida por Anthony Perkins, algo que o realizador, obviamente, discorda. Por fim, no painel de vasto cometário e interpretações do seu próprio filme, temos as poucas mudança realizas nessa transição da década de 1960 para o final dos anos 1990. Diagnóstico: a versão moderna dialoga diretamente com o clássico de Alfred Hitchcock, mantendo a estrutura narrativa, mas inserindo sutis (e outros nem tanto) modificações. A abertura, por exemplo, troca a panorâmica da cidade por uma tomada mais elegante, enquanto o próprio Van Sant faz uma ponta no mesmo local de Hitchcock do lado de fora do escritório onde Marion trabalha. O diretor consegue a tomada zenital na cena do chuveiro, proibida na versão de 1960, mas introduz alterações significativas que atualizam a violência, como triplicar o número de facada em Arbogast e substituir o vaso por um taco de golfe na briga entre Sam e Norman. Diferença sutis em diálogo e a controversa decisão de atrasar em três segundo a icônico trilha de Bernard Herrmann na cena do chuveiro marcam a abordagem de Van Sant, que também altera a revelação final de Sra. Bates, adicionando pássaro ao porão na versão de 1998, em contraste com a simples caveira do seu ponto de partida. Em linhas gerais, um filme mais debatido pelo “sacrilégio” em refazer o mestre do suspense, além das incitáveis e esperadas análises comparas de suas tomadas.

Depois dessa empreitada, por sua vez, Psicose foi diluído em série de TV, apresentando a história de Norman Bates numa abordagem mais abrangente, em cinco temporada.

Entre o ódio e o espanto, a jornada de Van Sant ao menos não afundou nas bilheteria.

Psicose: Versão Comentada por Gus Van Sant (Psycho: Commented Edition bye Gus Van Sant, EUA – 1998)
Direção: Gus Van Sant
Roteiro: Joseph Stefano (baseado em romance de Robert Bloch)
Elenco: Vince Vaughn,  Anne Heche, Julianne Moore, Viggo Mortensen, William H. Macy, Robert Forster, Philip Baker Hall
Duração: 105 min.

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Fonte: Plano Critico.

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