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Cinema

Crítica | Psicose (1960): versão Comentada por Stephen Rebello

Valioso edição comentada com detalhes sobre bastidores e impacto cultural deste clássico do cinema. O post Crítica | Psicose (1960): Versão Comentada por Stephen Rebello apareceu primeiro em Plano Crítico.

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Lançado em 1960 e dirigido pelo aclamado cineasta britânico Alfred Hitchcock, Psicose é um marco absoluto na história do cinema e no gênero do suspense psicológico, narrativa que, de certa maneira, dispensa grandes apresentações. Protagonizado por Anthony Perkins no papel de Norman Bates e Janet Leigh como Marion Crane, o filme, realizado em preto e branco devido não apenas ás restrições orçamentárias, mas também para contornar a censura da época, superou as expectativa daqueles que estiveram em seus turbulento bastidores, se tornando um sucesso global, consolidando Hitchcock como o “mestre do suspense”. A produção é uma tradução para as telas do romance homônimo de Robert Bloch, trama que destaca por sua direção inovador e trilha sonora icônico de Bernard Herrmann. O enredo inicia com Crane, uma secretária que, impulsivamente, rouba US$ 40.000 da imobiliária onde trabalha em Phoenix, Arizona, com a intenção de começar uma nova vida com seu namorado, Sam Loomis (John Gavin). Durante sua fuga de carro, sob forte chuva, ela decide passar a noite em um motel isolado, o Bates Motel, administrado pelo jovem e aparentemente tímido Norman Bates, que demonstra uma relação complexa e dominador com sua mãe, que vive em uma casa no topo da colina adjacente.

A narrativa sofre uma reviravolta chocante e inesperada quando Marion é brutalmente assassinada no chuveiro por uma figura misterioso que parece ser a mãe de Norman. A partir desse ponto, o filme muda drasticamente o foco para a investigação do desaparecimento de Marion, conduzida por sua irmã Lila Crane (Vera Miles), Sam Loomis e um detetive particular, Arbogast (Martin Balsam), que também acaba sendo vítima da misterioso assassina. O clímax revela que Norman sofre de transtorno dissociativo de identidade, e a personalidade assassina é, na verdade, a de sua falecida mãe, que ele “incorpora”. Em linhas gerais, o que posso delinear aqui nesta abertura é que a importância cultural de Psicose é imensurável: o filme redefiniu o gênero de terror e suspense, introduzindo o conceito de horror psicológico que explora ose medos interno e a mente humana, em vez de monstro sobrenatural. A famosa cena do chuveiro, com sua montagem inovador e a trilha sonora de cordas estridentes, tornou-se uma das sequências mais estudas e parodiadas da história do cinema. Além disso, a estratégia de marketing pioneira de Hitchcock, que proibia a entrada tardia nas sessões para evitar spoiler, criou uma histeria coletiva e garantiu que o público vivenciasse o choque narrativo em conjunto, estabelecendo novos padrões para a divulgação de filmes.

O legado do filme perdura, com a figura de Norman Bates se tornando um arquétipo cultural do assassino perturbado, antecipando figuras do slasher que ainda se renovam desde o final dos anos 1970 e 1980. Aqui, a análise de Psicose foi realizada com base numa edição especial restaurada pela Universal, com ose cometário elucidativo de Stephen Rebello, autor de Alfredo Hitchcock e ose Bastidores de Psicose, livro que inspirou a cinebiografia de 2012, Hitchcock, dirigida por Sacha Gervasi, com Anthony Hopkins e Hellen Mirren nos papéis principais. Escritor, roteirista, jornalista e ex-terapeuta clínico, ele é o convidado dos estúdio para a faixa comentada do relançamento restaurado do clássico, autor do mencionado livro publicado originalmente em 1990 e relançado em diversos passes, material que é um mergulho detalhado e entusiástico nos desafio, decisões e curiosidades por detrás da criação do deste precursor dos slashers, publicação que delineia informações valiosas sobre a genialidade do diretor, ose bastidores das filmagens e o impacto cultural duradouro deste filme que vai além da icônico cena do chuveiro.

Por uma questão de envolvimento com as observações interessantes do comentarista, selecionei pontos que não estão exatamente na ordem do que foi exposto em sua fala durante a contemplação do filme do começo ao fim. Além disso, mesclo ose cometário com alguns tópico de minha próprio análise, haja vista o uso de Psicose em aula, palestras, oficinas e outros encontro de reflexões sobre a linguagem cinematográfico, combinado? Numa análise geral, a trama utiliza elementos visuais como sombras, espelho e janelas para criar uma atmosfera de tensão e dualidade. Desde a primeira cena, as sombras são uma presença marcante, com as persiana criando um efeito que esconde as figuras de Marion e Sam. Esses elementos visuais se repetem ao longo de várias cenas, refletindo a condição psicológico dos personagens e contribuindo para a construção de um clima de mistério e inquietação, como quando ose ancinhos se transformam em garras sobre Lila. A utilização de espelho também é significativo, simbolizando a reflexão interna dos personagens, ao mostrar Marion em momentos cruciais e projetar suas emoções e decisões. Ademais, o filme contém uma série de referências a pássaro, ligando o personagem de Norman à taxidermia e à observação de Marion através de cometário que revelam suas característica e interação.

O sobrenome de Marion, Crane, além da ligação com a cidade de Phoenix, sugere uma conexão simbólica e temática entre ose personagens e o tema da preservação, tanto física quanto emocional. Em determinada ocasião, li num artigo uma análise de Brigitte Peucke, autora que destacava a relação entre o hobby de Norman e conotações mais profundas que envolvem a sua sexualidade, e, noutro momento, um texto de Robert Allan, espaço reflexivo onde o autor sugere um vínculo incestuoso entre Norman e sua mãe, simbolizado pela ideia do “pássaro de pelúcia”, o que amplia o entendimento dos conflitos interno do personagem e suas escolhas trágica. Sobre ose bastidores, Rebello ressalta que durante as filmagens de Psicose, ose atores principais, Anthony Perkins e Janet Leigh, tiveram liberdade para interpretar seus papéis e improvisar, desde que as ações não interferissem com o movimento da câmera. Um exemplo dessa improvisação foi o hábito de Norman, interpretado por Perkins, de comer milho doce. Hitchcock também incorporou humor nas filmagens, escondendo várias verses de boneco do esqueleto da “mãe cadáver” no camarim de Leigh, gerando curiosidade sobre se isso visava aumentar a tensão ou estudar qual apresentação seria mais assustador para o público.

Hitchcock enfrentou desafio durante a produção e se viu obrigado a refazer algumas cenas. A icônico cena do chuveiro, que começa com um close no olho de Marion, foi particularmente difícil para Leigh, que lutava contra a vontade de piscar quando a água batia em seu rosto. O cinegrafista também teve dificuldade em focar manualmente a câmera em movimento. A cena de abertura necessitou de várias repetições, pois Hitchcock acreditava que a química entre Leigh e John Gavin não transmitia o amor necessário. Além disso, Leigh teve problema para entregar uma frase de maneira convincente, exigindo tomadas adicionais. Outra cena desafiadora foi a descoberta da “Mãe cadáver”, que exigiu uma cuidadoso coordenação devido à cadeira giratório e a interferência de Vera Miles com uma lâmpada, resultando em efeito indesejados. Hitchcock insistiu em repetidas tomadas dessa cena até que ficasse do seu agrado, mostrando seu rigor perfeccionista. A filmagem do assassinato de Arbogast também se revelou complica, uma vez que o ângulo da câmera precisava esconder o rosto da “mãe” de Norman. Uma trilha de câmera foi construída e testada meticulosamente para garantir que a cena fosse executada perfeitamente.

Como era habitual em seus filmes, Hitchcock fez uma participação especial. Ele aparece brevemente através de uma janela, usando um chapéu Stetson do lado de fora do escritório de Marion Crane, um toque que se tornou uma marca registra e um elemento curioso que ose fãs aguardavam em suas obras. Essa presença no filme não só reforça o estilo distintivo de Hitchcock, mas também cria uma conexão pessoal e divertia com o público, que se deliciava ao tentar reconhecê-lo em suas produzes. Outro detalhe importante para a compreensão de Psicose: o filme é frequentemente visto como uma ruptura em relação ao trabalho anterior do diretor, Intriga Internacional. Produzido com um orçamento menor e filmado em preto e branco pela equipe de sua famosa série de televisão Alfredo Hitchcock Presents, o filme gerou polêmica ao ser lançado, recebendo críticas mintas na época. No entanto, o interesse do público e o sucesso nas bilheteira contribuíram para uma reavaliação crítica positiva, culminando em quatro indicares ao Oscar, incluindo Melhor Diretor para Hitchcock e Melhor Atriz Coadjuvante para Janet Leigh. Hoje, um dos filmes mais importantes da história do cinema no século XX.

A obra foi elogiada como uma grande realização cinematográfico, reconheci por crítico e estudiosos por sua direção habilidoso, atmosfera tensa, trabalho de câmera inovador, trilha sonora marcante e performance memoráveis. O filme não apenas se consolidou como um clássico, mas também estabeleceu novos padrões em relação à representação de violência, comportamento desviante e sexualidade no cinema americano, sendo um dos primeiro exemplos do gênero de terror. Após a morte de Hitchcock em 1980, o filme deu origem a uma franquia que inclui três sequências, um remake e um spin-off para a televisão, além de uma série baseada na obra, que foi lançada na década de 2010. A influência do filme se estendeu ao longo das década, revivendo o interesse e estimulando novas interpretações e adaptações. Rebello destaca que em 1992, o filme foi reconhecido oficialmente por sua importância cultural ao ser selecionado para preservação no Nacional Film Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, destacando seu valor histórico e estético. Assim, Psicose permanece um marco no cinema, essencial não apenas para a filmografia de Hitchcock, mas também para o desenvolvimento do gênero de terror e a evolução da narrativa cinematográfico.

Sobre as questões esticas, Psicose um dos filmes mais icônico de Alfred Hitchcock, pois não foi apenas um marco no gênero do suspense, mas também um exemplo de maestria técnica e artística que revolucionou a maneira como o cinema é produzido e percebido. Nesse contexto, a edição, a direção de fotografia e a direção de arte desempenham papéis cruciais, não apenas na construção da narrativa, mas na criação de uma atmosfera único que exacerba o terror psicológico presente na obra. A edição foi assinada por George Tomasini, que trabalhou em estreita colaboração com Hitchcock para criar uma obra que desafia as convenções narrativa da época. O desenvolvimento da tensão e da suspensão do tempo, especialmente nas cenas mais famosas, é profundamente influenciado pela forma como o filme foi editado. A sequência do chuveiro, uma das mais analisadas na história do cinema, exemplifica a importância dessa edição. Com cortes rápido, que variam de um a três quadro, Tomasini cria um efeito quase frenético, que captura a violência do momento sem mostrar diretamente o ato. Essa escolha não apenas preserva a censura vigente na época, mas também provoca uma forte reação emocional do público, reforçando a ideia de que o que não é mostrado pode ser ainda mais assombroso. Ainda hoje, como mencionado por ai e por aqui, é inspiração para realizadores.

Além disso, a edição da narrativa utiliza técnica de montagem que alternam entre personagens e cenário, aumentando a sensação de paranoia e desorientação. O uso de ângulo de câmera que se alternam rapidamente e a combinação de som e imagem contribuem para uma fluidez quase hipnótico. O tempo, nesse filme, parece ser maleável; segundo se tornam eternidade na mente do espectador. A habilidade de Tomasini em manipular o ritmo do filme é um testemunho do poder da montagem como elemento narrativo. A direção de fotografia de Psicose foi realizada por John L. Russell, cujo trabalho é essencial para a construção visual do filme. Russell, que tinha um estilo de iluminação marcante, utiliza contrastes acentuado entre luz e sombra para enfatizar o clima sinistro da narrativa. A escolha de uma paleta de cores em preto e branco não apenas se conformava com as limitações da produção da época, mas também servia para criar uma atmosfera mais sombria e perturbadora, que é uma marca registra do estilo hitchcockiano. Particularmente notável é a iluminação da famosa cena do chuveiro, onde as sombras e a luz se entrelaçam para aumentar a intensidade emocional.

Russell emprega ângulo de câmera inovadores que intensificam a sensação de claustrofobia e vulnerabilidade da personagem Marion Crane, interpreta por Janet Leigh. Essa abordagem visual, combinada com closes dramático, permite que o espectador sinta o desespero e o pavor que estão envolvidos na cena. Além disso, a direção de fotografia de Psicose se destaca no uso de composições que guiam o olhar do público. Russell utiliza a arquitetura e ose ambientes de forma a reforçar o isolamento dos personagens. O motel, em particular, é um exemplo de como a cinematografia lida com a espacialidade, sendo representada como um lugar repleto de sombras e mistério, refletindo a psique perturbada de Norman Bates, interpretado magistralmente por Anthony Perkins. Outro ponto que chamamos hoje de design de produção, mas na época era direção de arte, também foi essencial para o desenvolvimento das proposta narrativa em Psicose. Coordenada por Henry Bumstead e sua equipe, também é fundamental para o impacto visual e emocional do filme. A criação da Casa Bates, tanto internamente quanto externamente, é uma obra-prima de design que evoca imediatamente a sensação de desconforto e estranheza. A arquitetura gótico da casa, combinada com o ambiente circundante, serve de metáfora visual para ose conflitos interno de Norman Bates.

Ose elementos de design, como a escolha dos móveis e a disposição do ambiente, desempenham um papel psicológico na narrativa. O escritório de Norman Bates, por exemplo, é uma representação física de sua mente conturba, onde objetos clássico e antiquado criam uma sensação de nostalgia, mas também de opressão. O uso de cores, texturas e a colocação estratégica de objetos na cena contribuem para o desenvolvimento do suspense e a criação de uma atmosfera cada vez mais densa. A arte de Psicose também se reflete na escolha de trajes, especialmente ose usados por Janet Leigh, cuja transição visual de uma mulher liberada e moderna para uma figura vulnerável é acentuada pelo design de produção. As roupas refletem tanto a inocência quanto a crescente tensão. Cada detalhe é cuidadosamente pensado para aumentar a identificação do espectador com Marion Crane e seu destino trágico.

De maneira eficiente, em Psicose, a edição, a direção de fotografia e a direção de arte se entrelaçam para criar uma experiência cinematográfico que transcende o simples entretenimento. Cada elemento técnico e artístico é um componente essencial na construção do terror psicológico que tornou o filme um divisor de águas no cinema. Hitchcock, com sua visão inovador e atenção meticuloso aos detalhes, não apenas definiu um novo padrão para o suspense, mas também influenciou gerações de cineasta. Com um elenco promissor e as revise assertiva de Alma Reville, uma grande força por detrás do sucesso deste clássico, como mencionado, o filme superou expectativa e se tornou esta história que sempre é retomada no contemporâneo, por meio de documentário, referências, eta. No geral, o filme foi pioneiro em muito aspecto do cinema de terror moderno, especialmente em relação a sua abordagem psicológico. A narrativa não apenas explorava o medo físico, mas também questionava a sanidade, algo que Hitchcock continuou a explorar em seus trabalhos seguintes.

Psicose (Psycho, EUA – 1960)
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Joseph Stefano (baseado em romance de Robert Bloch)
Elenco: Antrona Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam, John McIntire, Simon Oakland, Frank Albertson, Patricia Hitchcock
Duração: 109 min.

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Fonte: Plano Critico.

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