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Mais do que o sorriso medonho que Jessica Chastain empresta para a personagem-título, as comparações com Coraline e o Mundo Secreto fizeram Outra Mamãe chamar atenção. Tendo isso em mente, foi inevitável imaginar que o longa utilizaria o forro do terror psicológico como alegoria sobre uma família disfuncional por meio da persona de figura materna que a entidade assume; o mais próximo de um possível live-action da clássica animação. Contudo, a trama inspirada em Incidents Around the House, livro de Josh Malerman, sofre do mal que mais acomete os filmes de terror: não ser assustador. Claro que há o uso do jumpscare em excesso, mas o resultado é como se o filme se tratasse de um experimento quase insano, no qual o telespectador foi convidado apenas a observar o desenrolar de sua loucura frenética e sem sentido.
Dentre os nomes de cineastas que emergem com propostas originais no terror independente, após o aclamado Cuidado Com Quem Chama, Rob Savage avançou instantaneamente para projetos maiores. Outra Mamãe parece refletir bem essa ambição de comandar um longa com um considerável apelo comercial, e não restam dúvidas de que o cineasta inglês vai com bastante sede ao pote, tendo em vista a forma direta com que trata a trama: sem qualquer introdução, a entidade sócia possui algum vínculo com a jovem Bela (Arabella Olivia Clark), que está lidando com a ideia de uma nova escola e o aparente distanciamento dos pais. A impressão é que Other Mommy inicia com algum corte abrupto que sacrificou parte do seu desenvolvimento durante o processo. E, a partir desse trecho, é quando Savage decidiu que o horror seria ininterrupto, como uma longa frase sem pontuação e sem fim, mas apresentando vários acontecimentos em um longo período.
De fato, Savage possui ideias sagazes que seriam interessantes se desenvolvidas para caber em um filme coeso. Como ilustração, a cena de abertura seria uma ótima sequência para quando a trama estivesse estruturada, mas, por algum motivo, pensaram que utilizar uma cena aleatória sem contextualizar daria certo numa tentativa apressada de gerar o susto fácil. Visto como o título card surge com uma trilha sonora estridente, o diretor está confiante do impacto para, em seguida, parecer que nada aconteceu. Se há uma forma de resumir Outra Mamãe é de um filme desconexo, perdido em sua aleatoriedade. Savage transita entre uma cena e outra sem cerimônia, apresentando um filme picotado à exaustão que interliga momentos de jumpscare com sequências que desafiam a sanidade, mas que se fazem chamativas pelo visual ambicioso.
A fim de confundir as impressões, é interessante como Outra Mamãe brinca com a ideia da perspectiva visual, utilizando esse recurso como uma linguagem e não em função da narrativa. Nesse sentido, festa de aniversário de casamento se transforma em um evento caótico, bem como uma piscina de bolinha numa catástrofe, como se Savage estivesse tentando subverter as expectativas sobre um filme, uma família assombrada por eventos sobrenaturais. A entidade aqui não só distorce a percepção de realidade, mas também a especialidade, e o diretor inglês só precisava de um motivo para levar Other Mommy a lugares impensáveis. Em certo momento, é notável como o horror aqui utiliza ideias de diferentes títulos semelhantes, mas sem nunca estabelecer uma estrutura própria. Da perda de sanidade em Sorria, a forma imprevisível de It: A Coisa e manipulação de M3GAN, Savage reproduz tudo que se tornou referência no gênero como uma tentativa de contrariar os tropos, até fazer disso uma piada — a exemplo da cena de sessão espírita.
Junto à esforçada Olivia Clark, Chastain se entrega completamente a esse papel dúbio ao adotar um tom melodramático exagerado, o qual faz de tudo para extrair algo bizarro e memorável. Porém, até mesmo sua atuação soa desconexa em um filme no qual os personagens parecem confusos em sua loucura do que afetados por ela. Então, o que poderia ser um terror psicológico sobre mágoa e ressentimento se transforma numa fantasia sem salvação — entrando o ápice ainda mais ilógico, que se divide entre um monólogo que não se encaixa com a alegoria que Savage evita o tempo todo lidar e a luta entre a protagonista e o bicho-papão do armário,
Em sua missão de ser um filme frenético e sem respiro, Outra Mamãe é apático e insosso, enquanto passa a maior parte do tempo mirando subvenções à medida que transita entre diferentes gêneros e, ainda assim, cai no mesmo lugar banal.
Outra Mamãe (Other Mommy – EUA, 2026)
Direção: Bob Savage
Roteiro: Nathan Elston
Elenco: Jessica Chastain, Arabella Olivia Clark, Jay Duplass, Karen Allen, Arian Moayed, Dichen Lachman, Sean Kaufman, Alec Secareanu
Duração: 93 min
Alec SecareanuArabella Olivia ClarkArian MoayedDichen LachmanHomeJay DuplassJessica ChastainKaren AllenNathan ElstonRob SavageSean Kaufman
Fonte: Plano Critico.
