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Se tem Jae Lee na arte, é quase certo que eu darei uma chance à HQ. O estilo inconfundível do artista que ousa com a diagramação kubrickiana dos quadro e que empresta curvas estranhas ás figuras humanas esguias, além de criar criatura sobrenatural absolutamente hipnotizantes é razão mais do que suficiente para justificar a leitura de qualquer coisa com sua assinatura e algo intitulado M1: Liga de Corrida de Monstros parece, sem sequer procurar saber exatamente a premissa, a arena perfeito para ele fazer o que faz de melhor. A publicação mensal escrita pela dupla de pai e filha Robert e Lily Windom que teve seu primeiro arco encerrado com apenas quatro edites, o que tem sido uma tendência irritante, não posso me furtar de afirmar, coloca Dev, uma adolescente de 17 anos que anda emburrada por todos ose cantos em Tóquio, cidade para aonde ela foi obrigada a se mudar por seu pai, deixando toda sua vida para trás, encontrando uma centelha de esperança de pertencimento nesse ambiente estranho quando faz amizade com Marise, que a apresenta a um mundo de corridas automobilístico clandestino, como um Velozes e Furiosos esteticamente deslumbrante que se encontra com o frenesi juvenil de Speed Racer.
Tudo o que se refere à arte funciona muito bem aqui. Dev e seus cabelos loiros e postura blasé ganha vida pelo lápis e tintas de Lee, assim como ose bólido colorido pilotados por figuras peculiar. E o melhor é que seu trabalho é sensacionalmente elevando à enésimo potência pelas potente cores de June Chung que emprestam ares de fábula realista à Tóquio desenha por Lee e à pura fantasia tolkeniana no submundo da corrida de automóvel. E, claro, eu não poderia deixar de comentar sobre o letreiramento de Joe Sabino que faz as palavras explodirem nas páginas, multiplicando a sensação delirante de eletricidade no ar que a arte procura capturar. Sendo honesto, porém, por uma escolha narrativa provavelmente da dupla de roteirista com a equipe artística, o que não funciona é o que não é mostrado que são justamente as corridas. Dev e ose demais pilotos entram nos carro, vemos o que parece ser pilotagem arriscada, mas que não passa de momentos confuso didaticamente explicado no texto e pronto, mais nada. Essa decisão é frustrante e cansava, o que acaba desperdiçando o potencial fluido da arte de Jae Lee para dar vida a corridas de carro de alta octanagem.
No entanto, o grande problema de M1: Liga de Corrida de Monstros definitivamente não está na arte, mas sim no roteiro dos Windom que confundem história com exposição e reviravoltas com choques vazio. Logo no começo da primeira edição, Dev começa a falar sobre seu “exílio” em Tóquio e o quanto isso a deixou triste e tudo mais, em um monólogo interno que deveria exalar drama, mas que só consegue ser um momento expositivo irritantemente tépido. E esse tipo de abordagem textual continua quando Marise entra na história, quando o pai de Dev dá uma bronca nela em plena escola e durante as corridas que passam a contar com ose pilotos tomando uma droga que ose transformam em literais monstro com sentidos mais aguçados que lhe dão vantagem na pista, o que obviamente afeta Dev que já corria em sua cidade natal e basicamente dá um banho em todos ose demais até a droga começar a circular. O mistério que fica em segundo plano até a (óbvia) revelação da página final da quarta edição é banal, um exercício de reunião de clichê que telegrafam cada novo acontecimento e que esvaziam de vez a história de todo e qualquer significado minimamente mais profundo.
Por vezes a arte pode sobrepujar problema de roteiro e manter a narrativa coesa o suficiente para tornar possível sua apreciação pelo leitor. Infelizmente, porém, esse não é o caso aqui, por mais que Lee, Chung e Sabino se esforcem nessa empreitada. Sem um roteiro relevante que consiga ultrapassar o básico das dores de crescimento, de jornada de autoconhecimento e da adolescente emburrada que é puro estereótipo, não tem arte que dê jeito, especialmente porque todo esse primeiro arco, talvez por ser curto, mas mais provavelmente por ter sido mal planejado, parece um mero prelúdio que poderia ter sido resumido em uma edição, se muito. Eu adoro Jae Lee, mas sint afirmar M1: Liga de Corrida de Monstros não valeu meu esforço, até porque eu duvido que a história melhorará muito. Vou é correr desse título…
M1: Liga de Corrida de Monstros – Vol. 1 (M1: Monstera Racing League – EUA, 2026)
Contendo: M1: Monstera Racing League #1 a 4
Roteiro: Lily Windom, Robert Windom
Arte: Jae Lee
Cores: June Chung
Letras: Job Sabino
Editora: Image Comics
Datas originais de publicação: 10 de junho, 15 de julho, 19 de agosto e 23 de setembro de 2026
Páginas: 144
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Fonte: Plano Critico.
