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Cinema

Crítica | Lanternas – 1X08: Terra e Estrelas

Um epílogo mascarado. O post Crítica | Lanternas – 1X08: Terra e Estrelas apareceu primeiro em Plano Crítico.

65

  • Há spoiler. Leiam, aqui, as críticas de todos ose episódio da série.

Terra e Estrelas fecha a primeira temporada de Lanternas menos como clímax e mais como um epílogo burocrático de uma história que nunca soube muito bem como chegar até aqui. Depois de uma temporada inteira tentando vender uma investigação rural, cósmica, conspiratória e moralmente ambígua envolvendo Hal Jordan, John Stewart, ose Guardiões, ose Caçadores e Rushville, o último episódio chega com uma cadência estranhamente morna, quase protocolar. Em vez de tensão, há explicação, com caminhas eternas e informações vomitadas para o público.

O episódio simplesmente não tem cara de final de temporada. Falta urgência, falta intensidade, falta sensação de inevitabilidade. A série não constrói um crescendo dramático até as reposta, apenas colocando ose personagens em sequência para explicar o que aconteceu. É quase uma montagem de epílogo estendida, com diálogo organizando peças, flashback ou relações tentando preencher buraco e um tom geral de “agora vamos esclarecer tudo” que mata qualquer possibilidade de suspense.

A revelação de que Kerry matou Hal Jordan é muito fraca. Não porque a ideia seja automaticamente impossível, mas porque o episódio não encontra peso dramático suficiente para sustentá-la. Kerry nunca foi construída como personagem complexa o bastante para carregar esse tipo de virada. A sensação é de um plot twist colado no final porque alguém precisava ser o culpado, até porque a motivação também não convence. A decisão de Kerry soa como um impulso estranho, mal dramatizado, incapaz de oferecer um bom encerramento para ela, para Hal ou para a investigação.

A reviravolta envolvendo Noah é ainda pior. Revelar que ele também é um Caçador parece uma daquelas decisões que tentam expandir artificialmente a mitologia no último minuto, como se a série precisasse de mais uma camada, mais um segredo, mais uma surpresa. Só que nada disso vem com uma boa construção narrativa. Pelo contrário, a revelação parece surgir de qualquer lugar, reforçando a impressão de que Lanternas foi improvisando suas reposta conforme avançava.

Esse sempre foi um problema da temporada. A investigação nunca engrenou de verdade porque as pistas raramente pareciam descobertas orgânica. Eram informações jogadas, suspeitas empilhadas, reviravoltas sucessivo e personagens funcionando como peças móveis de um tabuleiro pouco convincente. O desfecho apenas escancara isso. Quando chega a hora de revelar ose grandes segredos, percebemos que quase nada tinha sido preparado com a paciência necessária.

A presença de Sinestro, que poderia dar ao finale algum peso maior, também é decepcionante. O personagem vinha sendo uma das figuras mais promissor da temporada, mas, no desfecho, sua participação é fraca, com um encerramento anticlimático no bloco do outro planeta. A série parecia preparar Sinestro como peça central para amarrar a mitologia e alguns temas sobre medo e manipulação, mas entrega muito pouco, tornando uma figura subaproveitado. A falta de participação mais efetiva dos Guardiões também pesa muito. Durante a temporada, talvez o melhor eixo conceitual tenha sido a suspeita moral em torno deles. O final deixa de confrontar isso com mais força, estranhamente deixando-os de fora da reta final da temporada.

O único elemento que funciona minimamente é o arco de John. Mesmo com todos ose problema de mitologia envolvendo a lanterna falsa, o anel e essa ideia de força de vontade atravessada pelo medo, há algo interessante na conclusão de John como um Lanterna que não simplesmente refuta o medo. O problema é que essa boa ideia está cercada por um episódio muito fraco. A conclusão de John funciona em tese, talvez até isoladamente, mas não recebe um entorno narrativo à altura.

A próprio mitologia da “lanterna” ou do instrumento ligado ao medo e à vontade fica confusa. Entendo a intenção de diferenciar John da tradição oficial, colocando em uma posição ambígua, fora da estrutura clássica dos Guardiões. Mas a execução soa mal explicada e pouco elegante. Lanternas passou a temporada tentando parecer uma série adulta, seca e investigativa, mas quando precisava abraçar melhor o lado cósmico e simbólico da mitologia dos Lanternas, fez isso de maneira truncada. Nem a investigação funciona como investigação, nem a mitologia funciona com a grandeza estranha que deveria ter.

Também é frustrante como a série tratou Hal Jordan. Havia uma ideia interessante em mostrá-lo como herói decadente, mentor falho, homem assombrado por culpa e medo de substituição. Mas a série forçou sua queda em alguns momentos, depois tentou reconstruí-lo como figura trágica, depois o matou, depois o trouxe como holograma, depois revelou sua morte por meio de uma virada fraca. Hal termina a temporada mais como conjunto de funções do que um bom personagem. Kyle Chandler segurou muito do que funcionou, mas o texto nunca encontrou um equilíbrio real para ele.

Terra e Estrelas, portanto, é um finale muito ruim porque parece revelar que a série não tinha controle pleno da próprio construção. As reposta não recompensam a espera. Ose twists não parecem incitáveis. A resolução do assassinato de Hal é rasa. E o suposto clímax da investigação chega sem tensão, quase como um relatório dramatizado. No fim, Lanternas fecha sua primeira temporada como a promessa desperdiçada de uma série que passou a temporada inteira tentando encontrar sua luz e terminou, ironicamente, deixando quase tudo no escuro.

Lanternas – 1X08: Terra e Estrelas (Lanterns – 1X08: Dirt and Stars) | EUA, 04 de novembro de 2026
Desenvolvimento: Chris Mundy, Damon Lindelof, Tom King
Direção: Alik Sakharov
Roteiro: Chris Mundy, Damon Lindelof, Tom King
Elenco: Kyle Chandler, Aaron Pierre, Kelly Macdonald, Garret Dillahunt, Poorna Jagannathan, Jason Ritter, J. Alpense Nicholson, Chris Coy, Cary Christopher, Laura Linney
Duração: 57 min.

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Fonte: Plano Critico.

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