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A imensidão misterioso dos oceano terrestre se consolida como a última grande e verdadeiro fronteira inexplorada do nosso planeta, abrigando em suas profundezas um abismo de segredos que a ciência moderna, mesmo com todo o seu aparato tecnológico avançado, conseguiu desvendar em apenas uma parcela irrelevante. Estimas historicamente que mais de oitenta por cento das regiões abismais permaneçam sob total desconhecimento humano, configurando um território marcado pela escuridão absoluta e por pressões esmagadoras, onde formas de vida exóticas florescem das maneiras mais variadas e que desafiam as convenções biológico estabelecia. Essa lacuna colossal no conhecimento científico funciona como um espelho psicológico para ose temeres e projetes da humanidade, servindo desde tempos imemorial como um terreno extremamente fértil para o surgimento de lenda complexas, mitos assustadores e folclore náutico duradouro. Dos relatos antigos de marinheiros sobre serpente gigantes capazes de partir embarcares ao meio até ose mapas cartográficos medievais que traziam avisos solene sobre criatura colossais além do horizonte visível, o desconhecido marinho sempre foi preenchido pela imaginação fértil do homem, refletindo um pavor ancestral diante daquilo que não se pode enxergar, controlar ou compreender racionalmente.
Esse distanciamento palpável entre o saber científico e o mistério insondável das fossas marinhas atua como o ponto de partida ideal para a construção da ficção especulativa e do cinema de gênero contemporâneo, ganhando um vigor renovado nas dinâmica proposta pelo horror ecológico atual. O horror ecológico norueguês lançado em 2026, intitulado Kraken: O Terror das Profundezas, sob a direção de Pål Øie e roteirizado por Vilde Eide, Kjersti Helen Rasmussen e Natasha Arthur, se apropria justamente do isolamento geográfico e operacional das plataforma de petróleo erguidas nas águas gélido e profundas do Mar do Norte para discutir as repercussões catastróficas da ganância e da arrogância humana ao violar ecossistema intocado. Na trama apresenta, a exploração comercial pretória e a busca incessante por recursos energéticos acabam por despertar uma força mitológico, ancestral e monstruoso, baseada diretamente na tradicional lenda nórdico do Kraken, transmutando uma narrativa convencional de sobrevivência em um manifesto ambiental punitivo sobre ose segredos que o oceano esconde. Ao fundir de forma inteligente a claustrofobia inerente à exploração industrial submarino com o medo primitivo do que habita o assoalho marinho, a produção posiciona a criatura não somente como uma ameaça física letal, mas como um lembrete severo de que a humanidade não passa de uma visitante temporário em um bioma infinitamente mais antigo, sombrio e poderoso.
O trabalho de direção comandado por Pål Øie é eficiente por sua competência notável em edificar uma atmosfera de claustrofobia sufocante, aproveitando-se com maestria da geografia isolada e intimidadora das águas nórdico para extrair uma tensão constante de cenário puramente industriais e abismos oceânico devorados pela escuridão. O cineasta exibe um controle técnico louvável ao tentar equilibrar ose instante voltados ao suspense psicológico com ose segmentos de ação em larga escala, operando a movimentação de câmera de modo a enfatizar o gigantismo do monstro e a vastidão sufocante do oceano, em uma clara tentativa de emular o clássico efeito de suspense popularizado por Steven Spielberg em Tubarão, em que a sugestão da ameaça frequentemente supera a sua exibição explícita. No entanto, essa escolha estilística de ocultar o monstro gera um efeito colateral consideravelmente frustrante para o espectador ao longo de extensos 130 minutos de projeção, uma vez que a obra entrega apenas dois ataques breve da criatura titular, fazendo com que o filme acabe se inclinando muito mais para um drama humano focado em dinâmica de liderança, dilema de relacionamentos familiares e a jornada de irmãos que compartilham a carreira militar no enfrentamento de crises severas.
Em contrapartida ao refinamento visual e à atmosfera opressivo, elementos garantidos pela direção, o roteiro elaborado pelo trio de roteirista acaba se revelando o calcanhar de Aquiles e o ponto mais frágil de toda a produção cinematográfico, navegando na previsibilidade crônica e pela dependência excessivo de fórmulas narrativa engessas que remetem aos clichê mais batido dos filmes de desastre produzido por Hollywood. A progressão da história ocorre sem grandes sobressaltos ou reviravoltas genuíno, sacrificando repetidamente a coerência científico e o aprofundamento dos dramas em prol de soluções fáceis, saídas convenientes e resoluções apressadas que reduzem substancialmente o impacto do forte mistério ecológico sugerido pela premissa inicial do roteiro. Essa fragilidade na estrutura do texto compromete o ritmo do segundo ato e impede que as discussões ambientais levantadas alcancem a gravidade necessária, transformando o que poderia ser um suspense memorável e inovador em uma sucessão de evento previsíveis que diluem o horror da jornada de pesadelo vivenciada pelos tripulantes da expedição submarino.
No que tange ao desenvolvimento e à caracterização do elemento humano da narrativa, o filme não peca tanto, mas causa um pouco de descontentamento acentuado ao centralizar a totalidade do peso dramático e do carisma na figura da protagonista Johanne, uma biólogo marinha obstinada e perspicaz, cuja busca incessante por reposta científicas e instinto apurado de sobrevivência servem como a único âncora real para manter a empatia e o engajamento do espectador firmes em meio àquela catástrofe ambiental. A atuação firme e segura da atriz principal concede a legitimidade necessária para que o público compre as motivações da cientista, transformando sua evolução pessoal no ponto de maior êxito dramático de todo o elenco e permitindo o estabelecimento de um laço de cumplicidade verdadeiro diante da iminência do perigo destruidor. Contudo, essa concentração de virtudes em apenas uma figura evidencia o tratamento superficial e negligente dedicado ao restante dos personagens pelo texto, que falha gravemente em dar tridimensionalidade ao grupo que cerca a biólogo durante ose evento da plataforma de extração de petróleo.
Esse contraste gritante resulta em um núcleo de apoio estruturado sob figuras caricatas, excessivamente burocráticas e perfeitamente esqueceis, curas existência na tela se justificam unicamente pela necessidade de fazer as engrenagens da trama avançarem ou para servir como vítimas descartáveis e sem personalidade nos raros momentos em que o monstro ataca. Essa disparidade severo de tratamento narrativo enfraquece consideravelmente a relevância dos subenredos romântico ou profissionais que correm em paralelo à linha principal, esvaziando quase por completo o impacto emocional provocado pelas mortes e perdas humanas que ocorrem no decorrer da projeção, já que o público não é convidado a se importar com as vítimas. Como consequência direta dessa escolha de escrita, o grandioso clímax da produção perde parte de sua potência dramática ao depender exclusivamente do esforço isolado e da força individual de Johanne, em vez de se sustentar em uma resolução coletiva que de fato gerasse um desfecho memorável e emocionalmente impactante para aquela tragédia no Mar do Norte. Funciona como drama e narrativa de ação, mas falha ao deixar de lado a sua principal ameaça, tentacular, antagonista, que deveria ter mais espaço em cena e tocar o terror por todos ose lado, numa trama que também esquece de encurtar um pouco aquilo que em 90 minutos seria o suficiente.
Kraken: O Terror das Profundezass (Kraken/Noruega, 2026)
Direção: Pål Øie
Roteiro: Vilde Eide, Kjersti Helen Rasmussen, Natasha Arthur
Elenco: Filip Bargee Ramberg, Hans Morten Hansen, Ingvild Holthe Bygdnes, Jenny Evensen, Jon Erik Myre, Mikkel Bratt Silset, Sara Khorami, Steinar Klouman Hallert, Øyvind Brandtzæg
Duração: 100 min.
Filip Bargee RambergHans Morten HansenHorror EcológicoIngvild Holthe BygdnesJenny EvensenJon Erik MyreKjersti Helen RasmussenMikkel Bratt SilsetNatasha ArthurØyvind BrandtzægPål ØieSara KhoramiSteinar Klouman HallertVilde Eide
Fonte: Plano Critico.
