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Sem perder tempo diante do sucesso de Guerra Contra a Máfia, Don Pendleton providenciou o retorno de seu ex-soldado do Vietnã em missão de vingança contra a máfia no mesmo ano de 1969. Dessa vez, porém, Mack Bolan, depois de atravessar os EUA de carro, chega na Califórnia em busca de um soldado conhecido e acaba arregimentando a ajuda dele e de mais oito parceiros formando o esquadrão da morte no título para infernizar a vida da Cosa Nostra da Costa Oeste. Confesso que me surpreendi por essa escolha do autor que, no lugar de primeiro consolidar o Executor como um Cavaleiro Solitário caçando e sendo caçado pela Máfia, preferiu pareá-lo com uma equipe de tamanho considerável.
Minha surpresa se deu também porque, dividindo as relativas poucas páginas com outros nove personagens, mais a força policial que conta com um chefe linha dura e um policial que simpatiza com o protagonista e mais os mafiosos, Bolan acaba ficando sem muito espaço para ser mais do que alguém que traça planos e dá ordens em ataques contra a família mafiosa local. E esse problema é refletido, também, na caracterização clichê dos membros de seu esquadrão, cada um basicamente sendo especialista em alguma coisa (armas brancas, automóveis, eletrônicos, armas de fogo etc.) e fazendo dessa especialidade e da lealdade a Bolan, além de sua coragem face ao perigo, seus únicos traços de personalidade, traços esses que, vale dizer, os tornam basicamente facetas unidimensionais do próprio Mack Bolan.
Tenho pleno conhecimento de que alguns personagens que são introduzidos aqui acabaram sendo utilizados em um dos spin-offs da série literária, mas usos futuros não devem afetar o julgamento de uma obra anterior e Pendleton muito claramente poderia ter apresentado os personagens em volumes posteriores ao segundo, de pouco a pouco, até o esquadrão ser formado mais naturalmente, de maneira a primeiro trabalhar mais seu protagonista e, depois, abrir espaço para que seus colegas sejam mais do que fac-símiles dele. Ao fazer tudo de uma vez, o escritor esvaziou o potencial dos personagens, especialmente porque, se formos realmente espremer, a ajuda de mais nove ex-soldados em nada mudou a estratégia de Mack Bolan ou tornou-o mais eficiente. É apenas a mesma história anterior, só que com mais nomes sendo jogados e menos Bolan de tabela, o que contribui para empalidecer a narrativa prematuramente.
Claro que, se o leitor baixar o sarrafo da expectativa para um nível em que tudo o que ele espera é entretenimento rápido e rasteiro, sem nenhum tipo de engajamento cerebral, Esquadrão da Morte funciona. No meu caso, considerando a natureza cuidadosa do primeiro livro, em que a trágica história de origem do Executor vai bem além do básico, o segundo capítulo das aventuras assassinas de Mack Bolan foi uma decepção, ainda que a leitura em si tenha transcorrido sem maiores percalços, mas, também, sem muita curiosidade ou engajamento. Não é de forma alguma uma obra ruim, mas ela definitivamente não tem a pegada mais dura e realista da primeira, descambando mais para os estereótipos e para o lado cartunesco, como se Pendleton tivesse corrido para soltar mais um livro para solidificar sua série literária sem se preocupar muito com detalhes, o que não é impossível que tenha acontecido. Por outro lado, como a estratégia de marketing funcionou bem e o autor reverteu à ação focada eminentemente em Bolan já no terceiro volume, não há muito o que reclamar, na verdade. Que a guerra continue!
Esquadrão da Morte (Death Squad – EUA, 1969)
Autoria: Don Pendleton
Editora original: Pinnacle Books
Data original de publicação: 1969
Editora no Brasil: Editora Tecnoprint
Data de publicação no Brasil: 1983
Páginas: 216
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Fonte: Plano Critico.
