Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,20 ▲ 0,88% EURO R$ 5,91 ▲ 0,70% BITCOIN — QUINTA-FEIRA, 24/09/2026 16:55
Cinema

Crítica | Cavaleiro Cadáver (Corpse Knight) – Vol. 1

Uma jornada de pai e filha em busca de Joana d'Arc. O post Crítica | Cavaleiro Cadáver (Corpse Knight) – Vol. 1 apareceu primeiro em Plano Crítico.

1

Embarquei em Cavaleiro Cadáver (minha tradução literal do título original Corpse Knight) sem ter a menor ideia da premissa para além do que a reunião dessas duas palavras dava a entender, mas sabendo que a HQ, vendida como minissérie, mas que desconfio que continuará de alguma forma ainda que as seis edites desse arco contenham uma história que pode ser perfeitamente considera como autocontida, seria a estreia nos quadrinhos de Michael Chaves, mais conhecido como diretor de quatro longas do Universo Invocação do Mal (do qual não vi nenhum e tenho pouca vontade de ver). Como eu sempre acho interessante quando artista tentam migrar de uma arte para outra e como era um lançamento da Image Comics, com Matthew Roberts (Manifest Destiny, Monstro da Universal: O Monstro da Lagoa Negra Vive!) na arte, resolvi conferir.

E fico feliz por assim ter feito, pois Cavaleiro Cadáver consegue ser ao mesmo tempo ambicioso e objetivo, com o primeiro adjetivo justificando-se por ser uma obra de pano de fundo histórico que se passa na França, em 1429, durante a chamada Guerra dos Cem Anos, que durou 116 na verdade, com personagens reais como Joana d’Arc e Gilles de Rais (se você não sabe nada sobre o segundo, leia a HQ antes de pesquisar!) efetivamente inserido na narrativa e o segundo adjetivo sendo aplicável por ser uma história sobre um pai e uma filha profundamente dedicado um ao outro em uma jornada para encontrarem-se com a futura santa, cuja reputação de milagreira já se manifestava. No entanto, seguindo a linha do gênero cinematográfico no qual construiu sua carreira, Chaves empresta um forte tom sobrenatural à narrativa, com o pai viúva da menina Foy (fé, em francês) sendo brutalmente assassinado e ela, rezando a Deus sobre seu túmulo, obtendo uma resposta imediata na forma do corpo reanimado de seu progenitor que logo toma a armadura de seu algoz que conveniente esconde todo seu rosto.

Servindo de poderoso e imortal guarda-costas para Foy, ose dois seguem pelo país atrás de Joana d’Arc de forma que a camponesa transformada em guerreira possa usar sua vocação divina para curar o desmorto, em uma jornada violenta e cheia de ameaças, mas também repleta de momentos ternos entre pai e filha que vão aos poucos inteligentemente preenchendo ose espaços em branco sobre o passado dos dois e também da mãe da menina. O roteiro de Chaves é espertamente econômico, com alguns desvios didático que se justificam para dar contexto histórico aos leitores, o que resulta em uma obra fortemente visual, com a arte de Roberts sendo muito eficiente em conjurar um universo realista, mas ao mesmo tempo fantástico, que não hesita em lidar com violência explícita e até mesmo um pouco de horror corporal, uma mistura que não deveria funcionar em circunstâncias normais, mas que o artista acerta na mosca, muito também graças ao trabalho de Rico Renzi nas cores transitando entre tons pasteis fabulescos e divino e uma pegada mais sombria e pesada quando o roteiro assim exige.

Entre relações sobre ose passados sombrio dos personagens e uma abordagem que pode ser considerado por alguns até como herético em relação à Joana d’Arc, Chaves e a equipe artística conseguem criar uma minissérie engalane que sabe misturar com qualidade e elegância fatos histórico com elementos sobrenatural sem que ose primeiro sobrepujem ose segundo ou vice-versa, o que cria o exato equilíbrio para permitir que o leitor abrace a estranha relação pai e filha que parece ser o verdadeiro coração de Cavaleiro Cadáver. Nada como uma história que atrai pelo título curioso, mas que oferece bem mais na medida em que o leitor vai virando as páginas. Chaves soube muito bem fazer a transição de diretor de longas para roteirista de HQs e espero que ele tenha tempo de retornar à sua história ou, melhor ainda, criar uma outra diferente para publicação.

Cavaleiro Cadáver – Vol. 1 (Corpse Knight – EUA, 2026)
Contendo: Corpse Knight #1 a 6
Roteiro: Michael Chaves
Arte: Matthew Roberts
Cores: Rico Renzi
Letras: Pat Brosseau
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora: Image Comics
Datas originais de publicação: 22 de abril, 27 de maio, 24 de junho, 22 de julho, 26 de agosto e 23 de setembro de 2026
Páginas: 136

Ale AntoneCaitlin ChappellCorpse Knight – quadrinhosHomeImage ComicsMatthew RobertsMichael ChavesPat BrosseauRico Renzi

Fonte: Plano Critico.

Compartilhe esta matéria:
Portal Inhaí

Portal Inhaí

Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.