Pular para o conteúdo
DóLAR R$ 5,48 ▼ 0,11% EURO R$ 6,16 ▼ 0,19% BITCOIN R$ 419.069 ▼ 4,68% QUINTA-FEIRA, 05/11/2026 21:05
Mundo

Crise No Paraguai: Senado conclui primeira sessão do processo de impeachment contra o Presidente Santiago Peña

Presidente do Paraguai renuncia ao cargo; veja íntegra do comunicado O Senado do Paraguai encerrou a primeira sessão de julgamento do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña nesta quinta-feira (5). O país vive uma profunda crise política após vir a tona um escândalo envolvendo a quebra do banco ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso a seus depósitos. O presidente do Congresso paraguaio, Basilio Núñez, explicou que…

Presidente do Paraguai renuncia ao cargo; veja íntegra do comunicado

O Senado do Paraguai encerrou a primeira sessão de julgamento do processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña nesta quinta-feira (5). O país vive uma profunda crise política após vir a tona um escândalo envolvendo a quebra do banco ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso a seus depósitos.

    O presidente do Congresso paraguaio, Basilio Núñez, explicou que o processo seguirá um cronograma de cinco partes, conforme previsto no regimento da Casa.

    A sessão extraordinária desta quinta foi aberta às 19h50. Os parlamentares elegeram o tribunal julgador e apresentaram a acusação pelos deputados responsáveis pelo caso.

    A segunda fase deve acontecer na próxima sexta-feira (6), com a defesa de Peña, que poderá comparecer pessoalmente ou enviar um advogado como representante. A previsão é que a sessão comece às 10h.

    Depois da defesa, os senadores deverão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa. Em seguida, haverá uma sessão para a apresentação dos argumentos finais. A última etapa será a votação nominal dos 45 senadores, que decidirão o futuro do presidente.

    Núñez afirmou que o Congresso pretende cumprir todas as etapas previstas no regimento e disse que não seria possível concluir o julgamento em apenas um dia. Segundo ele, a condução do processo também busca evitar questionamentos jurídicos sobre o cumprimento dos procedimentos.

    Enquanto isso, do lado de fora do Congresso, manifestantes estão em vigília, acompanhando o julgamento e pedindo pela saída de Peña.

    Veja, abaixo, a cronologia da crise no país vizinho:

    • Na manhã desta quinta (5), o Congresso do Paraguai deu os primeiros passos para votar um impeachment contra Santiago Peña, e contra seu vice, Pedro Alliana;
    • Horas depois, Peña apresentou uma carta de renúncia;
    • A Câmara do Paraguai, no entanto, não aceitou a renúncia e decidiu dar seguimento do processo de impeachment contra Peña – a votação foi unânime;
    • Já o processo de impeachment contra o vice, Pedro Alliana, foi rejeitado. A decisão abriu caminho para Alliana assumir a presidência do país.
    • Durante a tarde, o Senado abriu uma sessão para julgar o pedido de renúncia do presidente Peña, mas a sessão foi suspensa por falta de quórum.
    • Às 19h50, o Senado abriu uma sessão extraordinária para julgar o processo de impeachment contra o presidente.
    • Peña vai apresentar sua defesa no processo do impeachment nesta sexta (6), às 10h.

    Renúncia x pedido de impeachment

    No início da tarde, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, com 78 votos, a abertura do processo de impeachment contra Santiago Peña. Na sessão conjunta do Congresso, porém, foi colocada em votação o pedido de renúncia do presidente.

    A oposição defendia que o Congresso rejeitasse a renúncia e desse continuidade ao impeachment. Os parlamentares argumentavam que a saída voluntária permitiria a Peña assumir uma vaga de senador vitalício, com direito a foro privilegiado.

    ➡️ No Paraguai, ex-presidentes que concluíram seus mandatos ou renunciaram ao cargo ganham o título de senador vitalício, o que lhe garante imunidade parlamentar pelo restante da vida.

    O senador de oposição Líder Amarilla alegou que aceitar a renúncia poderia impedir que o presidente respondesse a eventuais acusações na Justiça.

    “Se aceitarmos esta renúncia, o que estamos fazendo é permitir que Santiago Peña obtenha foro parlamentar e que todo o dinheiro que foi roubado fique impune, porque a Promotoria não poderá apresentar acusações contra ele”, disse Amarilla, em entrevista ao ABC Color.

    Já os governistas sustentavam que aceitar a saída do presidente seria a maneira mais rápida de encerrar a crise política e permitir a transferência de poder ao vice-presidente, Pedro Alliana.

    O grupo também afirmava que o Senado poderia analisar um eventual pedido de retirada do foro de Peña, caso a Promotoria solicitasse a medida.

    Manobra para manter foro privilegiado

    Segundo Ariel Palacios, comentarista da GloboNews e especialista em América Latina, Peña tentou se blindar e manter seu foro privilegiado ao anunciar sua decisão de renunciar. Isso porque, pela Constituição do Paraguai, ao deixar o cargo, os ex-presidentes da República viram senadores vitalícios.

    A manobra, no entanto, foi frustrada quando a Câmara deu seguimento à abertura do impeachment. A Carta constitucional estabelece que o ex-presidente perde essa prerrogativa se tiver sido submetido a julgamento político e for considerado culpado.

    Opositores advertiram que aceitar a renúncia permitiria a Peña ter uma blindagem parlamentar, impedindo que fosse julgado pela Justiça comum pelas suspeitas de crimes relacionados à crise do banco ueno.

    👉 A Constituição paraguaia estabelece que é prerrogativa do Congresso aceitar ou rejeitar a renúncia do presidente da República e a do vice-presidente.

    O pedido de renúncia de Peña

    Santiago Penã apresentou sua carta de renúncia em um vídeo, em que se desculpou com a população que perdeu o acesso ao próprio dinheiro e disse que decidiu renunciar “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”.

    “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”, disse.

    ➡️ Santiago Peña é alvo de críticas por conta da crise bancária que começou após o banco digital ueno fechar as portas e deixar milhares de clientes sem acesso ao próprio dinheiro. Peña foi acionista do grupo que controla a instituição, e a oposição acusa o Banco Central paraguaio de encobrir irregularidades (leia mais abaixo).

    1 de 4
    Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes, é o atual candidato presidencial do Colorado — Foto: REUTERS

    Santiago Peña, economista e ex-ministro da Fazenda durante o governo de Cartes, é o atual candidato presidencial do Colorado — Foto: REUTERS

    Acusação contra Peña

    2 de 4
    Clientes do banco ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP

    Clientes do banco ueno fazem protesto em Assunção, no Paraguai, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP

    A oposição acusa Peña de conflito de interesses, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários, entre outros pontos. A acusação também aponta que o Banco Central paraguaio teria encoberto irregularidades.

    “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada de oposição Rocío Vallejo durante a sessão, pouco antes da apresentação do pedido.

    A acusação foi apresentada por 35 deputados, que pediram ao presidente da Câmara a convocação da sessão extraordinária.

    Penã foi acionista do grupo dono do banco

    3 de 4
    Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Cesar Olmedo/ Reuters

    Deputado da oposição no Paraguai segura cartaz em ato que pede impeachment do presidente Santiago Peña após fechamento de banco virtual que gerou crise bancária no país, em 5 de novembro de 2026. — Foto: Cesar Olmedo/ Reuters

    👉 Peña, que também é economista, foi acionista do grupo proprietário do ueno até março do ano passado. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

    O ueno, que pertence ao Grupo Vázquez, fechou as portas na terça-feira (3), depois que o Banco Central iniciou sua liquidação. A autoridade monetária identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à instituição.

    Em uma publicação em suas redes sociais, o presidente paraguaio afirmou que os responsáveis pelas irregularidades responderão à Justiça, sem exceções. A declaração foi feita pouco antes de que ele promulgasse uma lei que permitirá aos clientes do ueno recuperar seu dinheiro mais rapidamente.

    “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.

    Executivos do ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que também acusou formalmente 27 pessoas ligadas ao banco. A Justiça ordenou ainda o bloqueio dos bens dos acusados.

    Nesta quarta-feira, também circularam relatos de falhas em aplicativos de outros bancos, o que aumentou a preocupação com o sistema financeiro do país.

    A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições financeiras trabalhavam para atender ao grande volume de clientes que estavam transferindo suas contas do ueno. A entidade ressaltou que o sistema bancário continuava “operando normalmente”.

    4 de 4
    Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP

    Pessoas fazem fila para tentar retirar dinheiro em banco em Assunção, no Paraguai, diante de temor gerado por crise bancária no país, em 3 de novembro de 2026. — Foto: Daniel Duarte/ AFP

    Fonte: G1.

    Compartilhe esta matéria:
    Portal Inhaí

    Portal Inhaí

    Confira as notícias e colunas publicadas por Portal Inhaí no Portal Inhaí.