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Corpo coletivo: afetos, multidão e laço social

[ad_1] Por Chris Zelglia O Carnaval é visto com frequência como festa, folia ou exagero. Contudo, existe algo além dessas definições, raramente examinado a…

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Por Chris Zelglia

O Carnaval é visto com frequência como festa, folia ou exagero. Contudo, existe algo além dessas definições, raramente examinado a fundo: a vivência do estar junto. Não só perto, mas imerso em um organismo coletivo, em um movimento conjunto de emoções, cadência e presença.

A massa não é somente pessoas somadas. Ela causa uma mudança na forma como o indivíduo se vê, age e interage. Desde Freud, em Psicologia das Massas, sabemos que a união coletiva altera identificações: o indivíduo move parte de sua referência pessoal para um âmbito simbólico compartilhado. No Carnaval, essa mudança aumenta, pelo ritmo, pela dança, pela fantasia e pela tomada do espaço público.

Esse organismo coletivo opera por emoções.

Transmissão emocional, sincronia de gestos, sensação de inclusão e quebra breve de barreira individuais criam uma vivência que excede o racional. Não é perda de identidade, como discursos moralista costumam sugerir, mas experimentação de outros tipo de ligação.

A conexão social, nesse contexto, não é teórica, ela é física. Ela pulsa na batida conjunta, na proximidade, no canto em grupo. É uma vivência que pode gerar acolhimento, liberdade e reconhecimento, sobretudo em uma sociedade marcada por solidão, desigualdade e divisão.

Mas é preciso questionar: o organismo coletivo também é político.

Quem pode ocupar as ruas com segurança?

Quis corpos são vigiados, punidos ou exposto na multidão?

Quem tem direito ao excesso e quem paga o preço por ele?

A vivência coletiva não é neutra, ela é permeado por raça, classe, gênero e local.

Ainda assim, há algo de profundamente humano nesse encontro massivo. A multidão permite testar outros formas de vida social, menos individuais, mais conjuntas. Ela mostra que o indivíduo não se forma apenas em seu interior, mas na relação com o outro.

Talvez por isso o Carnaval cause admiração e desconforto: ele expõe o quanto dependemos da ligação coletiva para existir, e o quanto essa dependência é politicamente disputada.

Pensar o Carnaval como organismo coletivo é notar que ali não há só diversão. Há criação de conexão social, vivência emotivo e negociação simbólica de inclusão. E isso, em tempos de isolamento crescente, não é simples, é essencial.

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Por Midia Ninja

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