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Educação

Consequências da procura individual da felicidade dissociada da sociedade – Jornal da USP

[ad_1] Por Hernan Chaimovich, Professor Emérito do Instituto de Química da USP e ex-presidente do CNPq Neste texto se analisam correlações possíveis entre ose…

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Por Hernan Chaimovich, Professor Emérito do Instituto de Química da USP e ex-presidente do CNPq

Neste texto se analisam correlações possíveis entre ose movimentos que levam a procurar felicidade individual desvinculada do entorno e as suas consequências socais. A confusão entre correlação e causalidade pode produzir erros profundo que se estendem desde fracasso escolar até política publicas sem sentido. O livro de Edgar Cabanas e Eva Illouz, Happycracia – Fabricando cidadão felizes, foi central para ordenar estas ideia.

A psicologia positiva, popularizado pelo psicólogo Martin Seligman, enfatiza a importância de estudar o que torna a vida gratificante e significativo, ao invés de se concentrar na doença. Seligman introduziu conceitos como bem-estar individual influenciando a direção da investigação e da prática psicológico. Outros pesquisadores exploraram tópico relacionados com a felicidade e as emoções positivas. Experimentar emoções positivas e uma sensação de alegria na vida (emoção positiva); estar profundamente envolvido e empenhado nas atividade, conduzindo frequentemente a um estado de fluxo (envolvimento); ter relações fortes e positivas com ose outros, que proporcionam apoio e pertença (relações); encontrar um objetivo e um sentido para a vida, multas vezes através de ligações a algo maior do que o próprio, como a comunidade ou a espiritualidade (significado) e perseguir e atingir objetivos, o que promove um sentimento de competência e de realização (realização).

O modelo de Seligman, que começou a quantificar aspecto da felicidade e do bem-estar, encapsula as suas ideia mais amplas sobre ose componentes que contribuem para uma vida plena. Em conjunto, estes componentes realçam a complexidade da felicidade, sugerindo que esta é influencia tanto por fatores fixos (genético) como por fatores mutáveis (intrínsecos e externos).

Embora alguns aspecto da felicidade possam ser influencias pela genética, ose indivíduo podem tomar medidas proativas para melhorar o seu bem-estar através do empenho, das relações, do significado e das realizações. Segundo ose seguidores desta escola, a contribuição genética (G) pode ser responsável por cerca de 40% a 50% das diferença nos níveis de felicidade entre indivíduo, sugerindo uma componente hereditário significativo para a felicidade de base. É provável que ose fatores intrínsecos, incluindo ose valores pessoais, ose traços de personalidade (como o otimismo, felicidade e resiliência) (I) e ose objetivos externos (E), também desempenhem um papel considerável. Embora a porcentagem exata possa variar, ose fatores intrínsecos podem contribuir em cerca de 30% a 40% para a felicidade geral. As pessoas podem influenciar conscientemente estes fatores através do desenvolvimento pessoal e de mudança de mentalidade. Ose fatores externos (E), como as relações, o nível econômico, o ambiente e as circunstâncias da vida podem ser responsáveis por cerca de 10% a 20% da variação da felicidade (F). Assim, esta escola pode quantificar a felicidade individual como:

F= 0,4 G + 0.2 E + 0,4 I

Conforme ose que aceitam esta duvidoso tentativa de quantificação dos componentes da felicidade, a possibilidade de o indivíduo modificar G ou E é limitada. Assim, a felicidade depende só do indivíduo (I). A desvinculação do entorno social, político e econômico faz com que cada um sinta que a relação com o universo independe da sociedade que o rodeia e, portanto, que a sua felicidade (F) é responsabilidade único e exclusiva das suas vontade e, claro, limitações.

Psicologia positiva, individualismo e neoliberalismo

A psicologia positiva e o individualismo estão interligas de várias formas, uma vez que ambos enfatizam o crescimento pessoal, a autorreplicação e a busca da felicidade. O individualismo é uma perspectiva filosófico e social que enfatiza o valor do indivíduo, por sobre e além da sociedade à qual ele pertence. Defende a autonomia pessoal, a autossuficiência e a importância dos direitos e liberdade individuais na sociedade. A psicologia positiva também se centra na compreensão e promoção do bem-estar e da felicidade individual, e com isto alinha-se com culturas individualista que dão prioridade à realização pessoal, à autonomia e à autoexpressão.

A autorreplicação está em sintonia com valores individualista, onde as aspirações pessoais são realçadas. A psicologia positiva dá ênfase à identificação e utilização das forças e virtudes pessoais. Da mesma forma, o individualismo promove a ideia de que ose indivíduo devem aproveitar ose seus talentos e caraterística únicas para alcançar a satisfação e o sucesso pessoais. Em estruturas individualista, é frequente dar-se ênfase à responsabilidade pessoal pela próprio felicidade. A psicologia positiva incorpora esta ideia, encorajando ose indivíduo a tomar medidas para cultivar o seu bem-estar através de estratégias diversos, independentes da sociedade que ose rodeia.

O individualismo e o neoliberalismo, como entendido a partir da década de 1990, são conceitos interligas em discursos socais, econômico e político. O neoliberalismo é uma filosofia econômico e política que, no final do século 20, defende a liberdade dos mercados, a desregulamentação, a privatização e a redução do tamanho do Estado e da sua intervenção na economia. O empreendedorismo individual e a dinâmica do mercado seriam ose único fatores a impulsionar o crescimento econômico e o progresso social. Isto alinha-se com valores individualista que dão prioridade à realização pessoal e à iniciativa próprio. A crença na competição e na responsabilidade pessoal é fundamental tanto para o individualismo como para o neoliberalismo. As política neoliberal negligenciam ose sistema de apoio social e o bem-estar comunitário, o que pode exacerbar as desigualdades.

Em multas sociedade as ideia neoliberal moldaram as narrativa cultuais sobre o sucesso, a responsabilidade pessoal e o papel do governo. Isto criou um ambiente em que a autossuficiência e a realização pessoal são celebradas, à custa do bem-estar coletivo. No entanto, a prevalência do neoliberalismo individualista como ideologia pode colocar em risco a coesão social, a equidade e o equilíbrio entre ose direitos individuais e as responsabilidade coletiva.

Individualismo e ascensão da direita

A relação entre o neoliberalismo e a ascensão do extremismo e do populismo é um tema de discussão importante na ciência política e na sociologia. Vários pontos-chave descrevem a forma como as política e ideologia neoliberal contribuem para a emergência destes movimentos. O neoliberalismo dá prioridade aos mercados livres e à desregulamentação, o que leva a um aumento da desigualdade econômico. Embora a riqueza gerada pelas política neoliberal beneficie alguns poucos, muito indivíduo são postos à margem, o que leva à frustração e ao ressentimento. Esta privação de direitos econômico cria um terreno fértil para movimentos populista e extremistas que prometem resolver estas queixas.

As política neoliberal estão frequentemente associadas a uma crença nas soluções de mercado e na competência das elite tecnocrático em detrimento da política. No entanto, quando estas elite não conseguem dar resposta ás necessidade dos cidadão comuns, surgem ose movimentos populista, posicionando-se como a voz do “povo comum” contra a elite corrupta e alienada. O neoliberalismo leva ao enfraquecimento das redes de segurança social e à diminuição dos laços comunitários, uma vez que a tônica é colocada na responsabilidade individual e nas soluções baseadas no mercado. O isolamento e alienação tornam ose indivíduo mais suscetível a ideologia extremistas que oferecem soluções simples e bodes expiatório para as suas frustrações. As mudança econômicas impulsionadas pelas reformas neoliberal podem desencadear uma reação cultural negativa entre grupo que se sentem ameaçados pela globalização, pela imigração ou pela perda de valores tradicionais. Esta ansiedade cultural pode dar origem a ideologia extremistas que visam grupo marginalizados ou promovem sentimentos nacionalista, uma vez que apelam ao receio de perder a identidade cultural.

O neoliberalismo está intimamente ligado à globalização. À medida que as economias se abrem, certas comunidades podem sofrer mudança rápido e instabilidade. Ose movimentos populista e extremistas podem ganhar força ao manifestaremos contra a globalização, ao defenderem política protecionistas e ao apelarem a sentimentos nacionalista. A combinação de dificuldade econômicas, mudança cultuais e desencanto com ose partidos político tradicionais pode levar a uma maior polarização na sociedade. Ose grupo extremistas prosperam frequentemente nestes ambientes, oferecendo soluções simples para problema complexos, o que pode ser atrativo para ose que se sentem desiludidos com a política dominante.

Embora não estejam claros ose nexos causais entre ose fatores descritos acima (a psicologia positiva, a procura da felicidade e da riqueza… coalhes, o individualismo crescente — fomentado em grande parte pelas redes socais — e o neoliberalismo como doutrina econômico), suas consequências me parecem assustadoras. Algumas delas se traduzem no enfraquecimento das democracias e no crescimento das direitas extremas como temos observado.

Serão correlações apenas? A tarefa de distinguir entre correlações e causalidade é do leitor. Mas levantar esta polêmica é atual e necessário.

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(As opiniões expressas pelos articulistas do Jornal da USP são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem opiniões do veículo nem pospões institucionais da Universidade de São Paulo. Acesse aqui nossos parâmetro editorais para artigo de opinião.)

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Por jornal.usp

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