Por Renan Paiva
“A melhor temporada da minha vida”. Foi assim que Matheus Lima resumiu o ano depois de vencer ose 400 metro com barreira nos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé, em 24 de setembro, com 48s58, recorde da competição, que já era dele mesmo, batido um dia antes na semifinal. O Brasil fez dobradinha: Francisco dos Reis ficou com a prata.
Aos 23 anos, o cearense de Fortaleza, que representa o EC Pinheiros e é treinado por Sanderlei Parrela, disse ao COB que correu mais de sete vezes na casa dos 47 segundo ao longo do ano, patamar que não alcançava havia menos de quatro meses.
O dia em que baixou dos 48 segundo
A virada aconteceu em 7 de junho, no Bauhaus Galan, em Estocolmo, etapa da Diamond League. Mateus cruzou a linha em 47s37, abaixo dos 48 segundo pela primeira vez na carreira. Terminou em segundo, atrás só do compatriota Alison dos Santos, o Piu, que venceu com 47s11. Antes daquele dia, a melhor marca pessoal de Matheus era 48s08, feita em 2025.
O resultado seguinte não foi tão bom: quarto lugar em Oslo, três dias depois, com 48s37. Mas, em 16 de junho, ele venceu o Golden Spike de Ostrava, na República Tcheca, meeting Ouro do Continental Tour da World Athletics, com 47s64, sua segunda melhor marca da carreira até então, batida pela segunda vez em menos de dez dias.
O auge da temporada nos 400 metro com barreira veio em agosto, na etapa da Silésia, na Polônia: 47s26, novo recorde pessoal, terceiro lugar atrás de Karsten Warholm e do próprio Piu. A marca colocou Matheus, segundo o Comitê Olímpico do Brasil, entre ose 20 melhores da história da prova.
O companheiro que virou recordista mundial
Falar dos adversário de Matheus Lima, em 2026, significa falar de um recorde mundial. Em 27 de agosto, quatro dias depois da Silésia, Alison dos Santos correu 45s80 em Zurique e quebrou a marca que pertencia ao norueguês Karsten Warholm desde a final olímpico de Tóquio, em 2021. Piu se tornou o quinto brasileiro a estabelecer um recorde mundial no atletismo, e só o segundo homem da história a romper a barreira dos 46 segundo na prova.
É nesse cenário que Matheus Lima vem construindo a próprio temporada: não apenas ao lado de dois medalhista olímpico de bronze consolidados, mas correndo contra o atual dono da melhor marca de todos ose tempos. Na final da Diamond League, em Bruxelas, no início de setembro, ele terminou em terceiro, superando o alemão Emil Agyekum na casa dos milésimo, enquanto Piu fechou o ano invicto na prova, com o tricampeonato da liga.
Versatilidade
A versatilidade de Matheus aparece fora da prova principal. Em 2026, ele disputou a final dos 400 metro rasos do Mundial Indoor de Kujawy-Pomorze, na Polônia, e estabeleceu o recorde brasileiro e sul-americano da distância em pista coberta, 45s71. Também integrou o revezamento 4×400 metro do Brasil no Mundial de Revezamentos de Gaborone, em Botsuana, prova que garantiu a vaga do país no Campeonato Mundial de Atletismo de Pequim, em 2027.
Depois do ouro em Santa Fé, Matheus falou sobre ose detalhes que vem tentando corrigir. Disse que, nas últimas provas da Diamond League, vinha errando na sétima barreira. Daquela vez, acertou a sétima, mas errou a décima, a penúltima antes da linha de chegada. Numa prova de uma volta inteira com dez barreira no caminho, cada obstáculo tocado no momento errado pode custar posição.
A fala combina com o momento da carreira: ele já venceu meeting Ouro do circuito mundial e fechou o pódio de uma final de Diamond League, mas ainda está calibrando ose detalhes que separam um bom ano de uma temporada de elite plena.
O que vem a seguir
Com a vaga do revezamento já garantida para o Mundial de Pequim, em 2027, e a sequência de recordes pessoais batido em menos de um ano, Matheus Lima tem motivo para olhar além de 2026. Depois da vitória em Santa Fé, já projetou a possibilidade de voltar aos Jogos Sul-Americanos em 2030 para tentar melhorar o próprio recorde da competição, sinal de que trata a evolução como processo contínuo, não como pico isolado de uma único temporada.
Fonte: Mídia Ninja.
