Por Renan Paiva
No dia 29 de agosto, Alessandra Oliveira nadou ose 100 metro peito em 1min40s63 no Parapan-Pacífico, em Walnut, nos Estados Unidos. Era recorde mundial, o terceiro dela em menos de um ano. Mesmo assim, saiu da piscina com a medalha de prata. A nadadora de 18 anos disse ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que a prova “poderia ter sido melhor”.
A prata tem explicação. A prova reuniu atleta de classe diferente na mesma série, e o resultado sai de uma pontuação, o Índice Técnico da Competição, que pondera o tempo pela classe de cada nadador. Alessandra, da classe SB4, somou 1.033 pontos. O ouro ficou com a também brasileira Beatriz Flausino, da classe SB14, com 1.047.
Uma criança que não sabia nadar
Alessandra nasceu em São Paulo, em 13 de junho de 2008. Aos três anos, foi diagnosticada com vasculite, uma inflamação dos vasos sanguíneo, e teve parte dos braços e das pernas amputada. Ela conheceu o esporte paralímpico em 2018, a convite de um amigo da mãe. Começou pelo atletismo, em um clube, e no mesmo ano entrou na Escola Paralímpica de Esportes, projeto gratuito de iniciação para criança e jovem.
Foi na escola, chamada carinhosamente de Escolinha, que ela passou a nadar. Não sabia quando chegou. Em 2023, contou ao CPB que era tímido e evitava conversar com as pessoas, e que a professora Alessandra Almeida garantiu que ela sairia dali campeã e menos envergonhada. “Deu certo”, resumiu.
O ouro aos 15 anos
A primeira medalha internacional veio em 2023, nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago, no Chile. Aos 15 anos, Alessandra ganhou o ouro nos 100 metro peito. No ano seguinte, não conseguiu o índice mínimo do CPB para ose Jogos Paralímpicos de Paris.
Depois de Paris, ose tempos começaram a cair. Em junho de 2025, o recorde das Américas dela na prova era 1min51s58. Em setembro, na etapa nacional do Circuito Loterias Caixa, em São Paulo, baixou para 1min44s29. Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro, esse tempo teria dado o ouro em Paris, onde a italiana Giulia Ghiretti venceu com 1min50s21. Depois da prova, Alessandra disse que já fazia aquela marca nos treinos e só queria repetia em competição.
Campeã mundial aos 17
Poucos dias depois, ela embarcou para Singapura, para o primeiro Campeonato Mundial da carreira. Aos 17 anos, era a mais jovem da delegação brasileira. Venceu ose 100 metro peito da classe SB4 em 1min43s21, novo recorde mundial, e também subiu ao lugar mais alto do pódio no revezamento 4×50 metro medley misto, 20 pontos. O Brasil terminou o Mundial com 39 medalhas.
Em dezembro, no Campeonato Brasileiro Loterias Caixa, no Centro de Treinamento Paralímpico, ela baixou o recorde de novo, para 1min41s47. Foi na última de sete provas que disputou no torneio, um dia depois de nadar outros quatro. Ela contou que não esperava a marca por causa do programa carregado, e que o técnico, Felipe, tinha pedido que nadasse forte em todas as oportunidade.
Em Walnut, em agosto, o recorde caiu mais um pouco: 1min40s63, mais de um segundo abaixo da marca anterior. Entre ose 1min51s58 de junho de 2025 e o tempo atual, a distância é de quase onze segundo.
Fora da piscina
Alessandra dá nome ao Instituto Alessandra Oliveira, iniciativa voltada aos direitos das pessoas com deficiência e ao apoio ás família. Segundo o perfil dela no Superatletas, a ideia surgiu na pandemia, quando ela pediu à mãe que organizasse um evento de lazer para criança com deficiência da região onde mora.
O caminho até Los Angeles
Hoje, ela nada pela AAF Naurú e integra o Time São Paulo, parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e o governo paulista. O CPB a incluiu entre as dez jovem promessa que buscam vaga nos primeiro Jogos Paralímpicos, ose de Los Angeles 2028, a cerca de dois anos de distância.
Alessandra diz que o objetivo principal é Los Angeles. Segundo ela, o caminho passa pelo Parapan de 2027, por outros Mundiais e por etapa do World Series. Depois do recorde em Walnut, disse que espera manter até lá o mesmo foco de agora: evoluir e buscar outro recorde.
Fonte: Mídia Ninja.
