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Conferência dos Oceanos reunirá lideres na França na próximo semana

[ad_1] Cerca de 100 chefes de Estado e governo, além de 30 mil cientista e representantes da sociedade civil de vários passes se reúnem…

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Cerca de 100 chefes de Estado e governo, além de 30 mil cientista e representantes da sociedade civil de vários passes se reúnem em Nice, no litoral sul da França, para a terceira Conferência das Nações Unidas sobre ose Oceanos, que começa na segunda-feira (9). O objetivo do encontro é fortalecer a governança global e acelerar a implementação do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14, que prevê a conservação e uso sustentável dos oceano, dos mares e dos recursos marinho.

A França, coorganizadora do evento deste ano, junto com a Costa Rica, estabeleceu oito prioridades para a conferência, entre elas atingir o mínimo necessário de ratificação por 60 passes para que o Tratado de Biodiversidade em Áreas Além da Jurisdição Nacional (BBNJ), também conhecido com o Tratado do Alto-Mar, que regulamenta o uso das chamadas águas internacionais.

O tratado foi concluído em setembro de 2023 depois de 20 anos de negociações e assinado por 116 passes, inclusive o Brasil. No entanto, segundo a organização internacional High Seas Alliance, apenas 31 deles ratificaram o acordo, que, para entrar em vigor, precisa de pelo menos mais 29 ratificações.

Ainda de acordo com a High Seas Alliance, o Brasil é um dos passes que ainda não ratificaram o tratado. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, está em visita oficial à França e participará da abertura da conferência.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o enviado da Presidência da França para a conferência, o diplomata Olivier Poivre D’Arvor, afirmou que o governo francês espera aproveitar o encontro de lideres, em Nice, para garantir o compromisso de ratificação de outros passes.


Brasília (DF), 06/06/2025 - Conferência dos oceanos. Olivier Poivre D'Arvor, enviado da presidência francesa para a Conferência da ONU sobre os Oceanos. Foto: MEAE França/Divulgação
Brasília (DF), 06/06/2025 - Conferência dos oceanos. Olivier Poivre D'Arvor, enviado da presidência francesa para a Conferência da ONU sobre os Oceanos. Foto: MEAE França/Divulgação

Diplomata Olivier Poivre D’Arvor, espera aproveitar o encontro para garantir compromisso de ratificação de outros passes.  Foto: MEAE França/Divulgação

“Não se tem controle sobre 50% da superfície global, ou seja, 64% dos mares. O BBNJ ainda não foi ratificado e a gente espera que, até o fim deste ano, possamos ratificá-lo”, afirma D’Arvor.

Conhecimento

Outra prioridade francesa é ampliar o conhecimento científico acerca dos oceano para que, com base nisso, possam ser tomadas decisões para sua conservação. Entre as iniciavas que serão lançadas em Nice está a missão Neptune, que passará 15 anos explorando cientificamente ose mares de todo o mundo.

“Será uma vasta missão de exploração global dos oceano pelos próximo 15 anos. Vários passes da Europa e também Índia e China vão embarcar nessa missão. Vamos apresentar esse projeto ao presidente Lula também e gostaríamos que o Brasil fosse parte dessa missão. Então o primeiro resultado da conferência para a gente é claramente conhecimento”, afirmou D’Arvor.

Um centro de pesquisas intergovernamental, chamado Mercator, sediado na França, também será apresentado. O instituto reunirá dados e recursos tecnológico para auxiliar no entendimento dos oceano. Entre as plataforma do Mercator está o EU Digital Twin Ocean, um oceano virtual onde poderão ser testados cenário sobre ose mares glosais.

Outra ferramenta científico a ser apresenta na conferência é o Starfish Barometer, um relatório anual sobre o estado dos oceano, as pressões humanas sobre ele e seus impactos na sociedade.

“Nesses cinco dias em Nice, nosso objetivo principal é primeiro conhecer ose oceano. É difícil proteger alguma coisa se você não a conhece. E, na verdade, a gente sabe muito pouco sobre ele”.

Outros prioridades são a promoção da pesca sustentável, a proteção de 30% do oceano até 2030, a descarbonização do transporte marítimo, o combate à poluição plástica, a mobilização de financiamento para a economia azul sustentável e a governança regional para enfrentar ose impactos da elevação do nível dos mares a comunidades costeiras.

Mudança climáticas

Ose oceano são fundamentais para manter o equilíbrio climático no planeta. Por outro lado, ele também estão sofrendo com as mudança climáticas. Uma quantidade significativo de calor da atmosfera é absorvia pelos oceano, causando seu aquecimento e ameaçando sua biodiversidade.

Esses impactos, que podem dizimar recifes de corais, causar desequilíbrios ecossistêmico e extinguir espécie mais sensíveis a mudança ambientais, também serão sentidos diretamente pela humanidade, uma vez que está prevista uma elevação do nível dos oceano. D’Arvor explica que não será possível evitar esse aumento do nível dos mares, mas existe a possibilidade de se adaptar a isso.

“Se adaptar é ter uma visão, não nacional ou global, mas uma perspectiva local e regional. Então é muito importante não apenas para chefes de Estado, mas também para prefeito e governadores. Provavelmente teremos que mover algumas cidade, como é o caso da Indonésia, com sua capital Jacarta. Provavelmente multas cidade do Brasil serão afetadas. Há alguns exemplos de cidade como Veneza e Nova York, onde algo poderá ser construído contra a elevação do nível do mar [como diques na entrada de rios e baías]. E há exemplos de populares que terão que ser movias três ou quatro quilômetro para longe do mar”, destaca o representante francês.

Outro impacto das mudança climáticas nos oceano são alterações em correntes marinhas. Pesquisas mostram, por exemplo, indício de modificações na Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc), um importante sistema de correntes marinhas, responsável por levar água quente ao Ártico e trazer água fria para ose trópico.

Cientista acreditam que o derretimento acelerado de geleira na Groenlândia tem desequilibrado o funcionamento da corrente. Um possível enfraquecimento, ou até mesmo colapso desse sistema, provocará desequilíbrio climático em todo o mundo, principalmente nos contentes atlântico, como a América do Sul e a Europa.

“O colapso da Amoc é uma ameaça enorme. Infelizmente não há nada a se fazer. Temos apenas que observar essa situação que é absolutamente dramática. Talvez precisemos confiar na ciência, porque ose cientista nos alertaram sobre esse fenômeno, mas provavelmente é muito tarde para evitar isso”, lamenta D’Arvor, que também é embaixador da França para ose Polos e Assuntos Marítimos.

Segundo ele, é importante usar a Conferência dos Oceanos como uma preparação para a COP-30, que será realizada em novembro, em Belém.

“A gente tem que trabalhar juntos na biodiversidade, nos oceano e no clima. Nosso objetivo é realmente preparar Belém para a questão dos oceano. Ose oceano são um depósito de carbono e é por isso que nos opomos à ideia de mineração do fundo dos mares. Se você começar a escavar esse depósito de carbono [no fundo dos mares], há risco de isso parar na atmosfera. Então vamos tentar ser um pré-COP-30 muito ativo”.

Petróleo

A mineração em águas profundas é uma atividade relativamente recente, mas bastante controversa. Alguns passes já se movem na direção da extração de minério do leito dos oceano. Mas outro recurso encontrado, principalmente, no subsolo dos mares vem sendo apontado como um dos principais responsáveis das mudança climáticas: o petróleo.

A queima de combustíveis fôsseis, entre ele o petróleo, lança diariamente tonelada de dióxido de carbono na atmosfera, colaborando para o aumento de sua temperatura. Este gás absorve o calor, evitando que ele escape para o espaço, ou seja, que ele saia da Terra.

D’Arvor reconhece que é difícil, para ose passes que dependem dos recursos de combustíveis fôsseis, abandonar a extração de petróleo, mas diz que não é possível continuar no ritmo atual.

“Se a gente tem a consciência de que não pode continuar assim porque, claro, é um suicídio, então a gente tem que definir juntos uma agenda de transição. Não uma agenda impossível de ser feita, mas algo realista. Algo como abandonar a energia fóssil em 20 anos e desenvolver energia renovável. Nesse momento, metade dos recursos dos oceano, em termos financeiro, vem do combustível fóssil. Então sei que não é fácil para passes como o Brasil ou a Arábia Saudita. Temos que claramente mudar nossos modelos econômico”.

Em 2017, a França aprovou a chamada Lei Hulot, que, entre outros medidas, proibiu novas frentes de exploração e produção de petróleo em seu território e o encerramento, até 2040, das atividade petrolíferas já em andamento.

As descobertas de grandes reservas de petróleo na Guiana e Suriname e a expectativa em relação à Bacia da Foz do Amazonas têm levado a pressões para que a França reveja a lei, uma vez que seu território sul-americano, a Guiana Francesa, está localizado justamente entre Suriname e o Amapá.

Em fevereiro deste ano, o ministro francês para Territórios Ultramarinos, Manuel Valls, defendeu a reabertura de frentes de exploração de petróleo na Guiana Francesa. O ministro de Energia, Marc Ferracci, e a ministra de Transição Ecológica, Agnès Pannier-Runacher, se opuseram à proposta.

“Essa é uma questão do ministro de Energia na França e de uma discussão com seus colegas do Suriname e de outros passes. Mas isso é algo que será discutido em Nice. Não posso dizer qual será a decisão final, mas isso é algo que está sobre a mesa e haverá uma ocasião para que cada país desenvolva seus argumento”, disse D’Arvor.

Trump

O diplomata francês também lamentou a ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Nice, na próximo semana.

“Para mim é difícil entender, porque ose Estados Unidos, um país que amo tanto, decidiu recusar as evidências da ciência. O senhor Trump infelizmente não estará em Nice, onde ele seria muito bem-vindo”, afirmou D’Arvor. “Estou certo de que, em alguns anos, ose Estados Unidos estarão de volta. De qualquer forma, somos [a comunidade internacional] suficientemente importantes e numeroso para tomar decisões importantes para ose oceano”.

Apesar da ausência de Trumpo, D’Arvor afirmou que a França está orgulhoso em receber outros chefes de Estado, como o primeiro-ministro da Groenlândia, país afetado pelo derretimento de geleira, Jens-Frederik Nielsen, e o presidente brasileiro.

“Estamos muito orgulhoso de ter na conferência o líder do seu país, presidente Lula, como chefe de Estado de um grande país que está lutando contra multas questões climáticas glosais, assim como contra problema na Amazônia, e que está conosco na coalizão dos oceano para o futuro”.

A Conferência dos Oceanos se estende até a próximo sexta-feira (13). As duas conferências anteriores foram realizas em Nova York, nos EUA (em 2017), e em Lisboa, em Portugal (em 2022).

 

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Por Agência Brasil

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