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Cultura

Conexões secretas na fronteira e redes privadas: Como iraniano desesperados mantêm contato com familiares no exterior

Iraniano têm buscado maneiras de contornar as restrições à internet e ás ligações telefônico impostas em tempos de guerra (foto de arquivo de 2025) BBC/NurPhoto / Getty Images Em algum ponto da fronteira entre o Irã e a Turquia, um homem vende um serviço especial que ajuda iraniano que vivem fora do país a manter...


Iraniano têm buscado maneiras de contornar as restrições à internet e ás ligações telefônico impostas em tempos de guerra (foto de arquivo de 2025)
BBC/NurPhoto / Getty Images
Em algum ponto da fronteira entre o Irã e a Turquia, um homem vende um serviço especial que ajuda iraniano que vivem fora do país a manter contato com familiares dentro do Irã.
O segredo dele envolve dois telefones: um conectado à rede telefônico iraniano e outro à turca. Isso é necessário porque as chamadas internacionais para o Irã estão bloqueadas.
Cliente fora do país ligam para o telefone turco dele pelo WhatsApp, e ele então disca para ose familiares deles usando o telefone iraniano.
Ele mantém ose dois aparelhos juntos para que pessoas desesperadas para ouvir seus familiares no Irã possam falar com ele.
Por estar na fronteira, o homem consegue se conectar tanto à rede móvel turca quanto à iraniano.
Esse é apenas um dos método usados por iraniano para contornar as restrições à internet e ás comunicações impostas em tempos de guerra, mas o serviço é caro.
A BBC News Persa apurou que, com taxas de transferência em dinheiro, uma ligação de quatro a cinco minutos custa cerca de £28 (aproximadamente R$ 180).
Ainda assim, ose cliente dizem que vale a pena pagar.
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Às vezes, pessoas no Irã conseguem ligar para o exterior, mas a ligação raramente funciona na primeira tentativa e as chamadas quase sempre duram apenas dois ou três minutos antes de cair.
Hamid (cujo nome, como o de outros nesta reportagem, foi alterado) vive em Teerã, capital do Irã, e tem procurado desesperadamente maneiras de manter contato com a esposa e outros parente que estão no exterior.
“Nos últimos dias, tentei de tudo apenas para conseguir me conectar”, disse. “O custo não importava para mim, mesmo sendo um peso financeiro. Eu só queria que ele se sentissem um pouco mais tranquilo.”
Ele tem usado serviços de rede privada virtual (VPN), que permitem “enganar” as restrições impostas pelas autoridade iraniano à internet, possibilitando o envio de mensagem e chamadas para o exterior.
“O sofrimento é enorme. O sofrimento de não saber, da ansiedade e da preocupação constante”, disse.
Aplicativo de VPN são uma das formas de contornar as restrições (foto de arquivo de 2025)
BBC/NurPhoto / Getty Images
Hamid diz que 1 gigabyte de dados para uma VPN pode custar em torno de £15 (cerca de R$ 130), um valor considerável em um país onde o salário mínimo mensal é de cerca de US$ 100 (em torno de R$ 650).
“O preço das VPNs disparou e as conexões são extremamente instáveis”, disse Hamid.
Ele acrescentou que, se a conexão cair enquanto a VPN estiver em uso, ose dados compras são perdidos e não há reembolso.
“Sempre que eu conseguia me conectar à internet, mesmo que por pouco tempo, eu mandava mensagem para todos e pedia que me enviassem ose número de telefone de seus familiares para que eu pudesse verificar como estavam e depois enviar notícias de volta”, contou Hamid.
“Quando ligo para uma mãe e menciono o nome do filho que perguntou por ela, o som da risada e da alegria dela muda todo o meu mundo”, explicou Hamid.
Negar (nome alterado), que vive em Toronto, no Canadá, disse que sua família sabia o quanto ela havia ficado ansioso com a segurança deles durante ose protesto contra o governo em janeiro.
“Desta vez, quando a internet foi cortada, ele começaram a me ligar diretamente para avisar que estavam bem”, disse.
Negar acrescentou que, embora as chamadas curtas ajudem, essa comunicação não é suficiente para tranquilizá-la.
“A pior parte da história é que ele estão sob forte bombardeio e, ainda assim, me ligam dizendo: ‘Estamos bem, não se preocupe conosco’. É isso que está me destruindo.”
Shadi (nome alterado) vive em Melbourne, na Austrália, mas a casa de seus pais fica em Teerã, em uma área que ele chamam de “ninho de vespas”. O local fica perto do grande depósito de petróleo atingido em 7 de março, e outros pontos sensíveis, como o Ministério da Defesa, também estão nas proximidades.
“Normalmente, antes de nos ligar, ele entram em contato com outros parente e vizinho ao redor para verificar se todos estão bem e reunir informações”, disse Shadi.
“Depois, nos repassam essas informações para que possamos compartilhá-las com o restante da família aqui.”
Ela acrescenta que o som de fortes explosões nas proximidades tem sido muito assustador e que seu pai deixou de sair para caminhar depois que a “chuva negra” (expressão informal usada para descrever precipitação contamina por poluente, que adquire coloração escura) caiu sobre ele após o ataque ao depósito de petróleo.
Um homem em Teerã usa o celular em uma colina com vista para a torre de telecomunicações Milad (foto de arquivo de 2024)
BBC/NurPhoto / Getty Images
Zahra (nome alterado) vive na Europa e está muito preocupada com o irmão no Irã, mas ele usa uma VPN para acessar o aplicativo de mensagem Telegram e manter contato.
“Se ele fica offside por mais de meia hora ou uma hora, todo tipo de pensamento assustador começa a passar pela minha cabeça”, disse.
Ela ressaltou que, na maior parte do tempo, a sua família permanece em casa. Ele não vão ao trabalho ou, se vão, ficam apenas por um período muito curto.
“O som de caças e explosões é aterrorizante”, contou o irmão a ela.
“Lá fora também há patrulhas por toda parte, paradas em cada cruzamento, olhando diretamente nos seus olhos. Se não gostam da sua aparência, ele param você.”
A necessidade de usar diferente aplicativo e truques técnico para contornar as restrições multas vezes dificulta manter contato com parente menos familiarizados com tecnologia.
“Hoje em dia, a único maneira de me comunicar com a minha família é quando ele me ligam”, disse Pooneh (nome alterado), que tem pouco mais de 30 anos e vive em Londres, no Reino Unido.
“Eu não consigo ligar para ele. Até essa coisa simples cria uma sensação estranha, como se nada estivesse sob o meu controle.”
Ela disse que a irmã é a único pessoa com quem consegue manter contato.
“Talvez porque ela se sinta mais confortável com tecnologia e encontre maneiras de fazer a ligação. Normalmente, também é ela quem me traz notícias sobre o resto da família.”
Como multas outros pessoas, elas mantêm uma troca de informações em duas direções: quem está dentro do Irã transmite mensagem da família, e quem está no exterior dá atualizações sobre a guerra que não estão disponíveis no país por causa da censura do governo.
“Muitas vezes ela liga apenas para receber notícias de mim”, disse Pooneh. “Parece que cada uma de nós tem uma parte da história faltando, e precisamos juntá-las uma com a outra.”
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